segunda-feira, 28 de maio de 2018
quinta-feira, 24 de maio de 2018
quarta-feira, 23 de maio de 2018
💕A Menina e a Bicicleta 💕
A tarde caíra cedo naquele dia de primavera. O sol desaparecia na Serra da Mantiqueira quando seu pai faz barulho no portão. O coração da menina bate mais rápido. Ele aparece casa adentro empurrando sua bicicleta. Está cansado, suado, queimado do sol, as veias crescidas na fronte latejante. Pedalara até o município de Redenção da Serra levando intimações do Fórum, era oficial de justiça. .A luz morteira da sala, mostrou à menina a figura abatida do pai. Enquanto isso, ela recuava a cortina estampada, que separava a sala da cozinha, para que ele passasse com a bicicleta. Ainda teve tempo de reparar na presilha que lhe prendia a barra da calça antes que sua figura desaparecesse no quintal.
Sua mãe destapou a sopa fumegante no fogão à carvão, e a provou. Ainda estava quente. Seu pai jantaria antes do banho reconfortante.
A menina ainda não ouvira falar em psicologia familiar e mal seu pai sentou-se à mesa, ela disparou:
_Pai, posso andar na sua bicicleta?
_Não, minha filha. Ela é muito alta , o quadro atrapalha e você pode cair.
_Não vou cair, não, pai. Eu já sei andar! Ah, deixe...
_Deixe seu pai comer em paz, menina! Disse-lhe a mãe servindo a sopa. Seu pai gosta de todos à mesa nessa hora. Sente-se e coma!
_Ah! Deixe, vá, pai...
E a menina segurava a guarda da cadeira e sobre os ombros do pai...
_Deixe, pai, eu não caio!
_Está bem, vá. Mas se você se machucar, eu não vou curar ninguém, ouviu, moça? Pode ir, mas já sabe.
A menina mal agüenta o peso da bicicleta, e com sacrifício, leva-a até a rua. Segura os guidões, passa as magra perninha direita por debaixo do quadro, pisa o pedal direito, equilibra-se, procura com o pesinho esquerdo o outro pedal e...lá vai ela rua abaixo.
Lembrava um macaco-aranha com as mãos acima da cabeça segurando os guidões, o corpinho torto do lado esquerdo desviando-se do quadro, a perna direita buscando o pedal direito...trabalho de contorcionista. O selim, vazio, sem função, só atrapalhava a manobra.
Seu coraçãozinho dispara. E agora? A esquina está chegando rápido demais!!!Como eu faço o retorno? Sentia o tremor das pernas.
Ela procurou os freios. Suas mãozinhas suadas, eram pequeninas demais para alcançá-los. Os dedinhos esticados, tesos... “não consigo alcançar o freio debaixo do guidão!!!” ela pensou desesperada. Não poderia olhar para procurá-los, teria de levantar a cabeça ou como enxergaria o que lhe vinha pela frente? Claro! Impossível!!
Sem alternativa, ela deu uma guinada rápida para a esquerda. Tinha de fazer a curva mesmo naquela velocidade desenfreada da descida.
Tentou. Mas não contava com o banco de areia formado pela enxurrada das águas da chuva que, talvez com o mesmo medo da menina, tentava fazer a curva à esquerda e, descontrolada, depositava ali a areia trazida de longe.
Pobre menina! As rodas se derraparam e ela sentiu a bicicleta pesando sobre seu corpinho. Viu a cerca de arame farpado do canteiro da avenida crescer e se aproximar, chocando –se com ela num impacto surdo .
_Meu rosto!
Foi seu único pensamento. Ainda com a bicicleta pesando sobre ela
e arrastando –a contra a cerca, ela grudou com a mão esquerda o arame e, com toda a sua frágil força, afastou as farpas metálicas que, como garras de um conto de terror, visavam seu rosto.
Ficaram assim, não se sabe por quanto tempo: menina, arame e bicicleta, num abraço indecifrável.
Rua deserta. À frente, o canteiro de mata densa, escuro como breu. O ar morno trouxe o cheiro do capim amassado. Ficou cristalizada, imóvel, esperando... Mas, o quê? Ela não sabia. Precisava esperar. Não poderia se mexer sem se machucar.
_Papai avisou... Balbuciou a menina.
Não sentia dor. A dor vinha de dentro dela, a vergonha de ter de chegar à casa e encarar o seu pai: “ Eu não falei?”
De repente, ela ouve passos. Um casal sai do escuro do campo. Talvez namorassem num encontro furtivo, mas para ela eles foram os anjos que estavam quando e onde deveriam estar.
_Pobrezinha! Exclamou a mulher. Erga a bicicleta, pediu ao namorado.
A menina contou que morava no início da rua, mas omitira que desobedecera a seu pai.
_Ô, de casa! Bate palmas a moça no portão. Vim trazer sua filha que caiu da bicicleta!
Dona Sílvia, sua mãe, estava assustada, nem agradeceu, e sem verificar se a menina havia se machucado, teve ímpeto de castigá-la:
_Bem feito! Seu pai lhe avisou! E desapareceu para dentro da casa.
O casal, meio confuso com a reação da mãe da menina, despede-se dela com carinho:
_Não foi nada, meu bem. Você vai ficar boa.
A menina olhou para a varanda escura. Esqueceu-se da bicicleta na calçada. Entrou. Na claridade da sala, ela pode ver o que era aquele líquido morno que lhe escorria pelo braço. Ela chorava e andava de um lado para outro. O piso de tijolo chupava como mata-borrão as gotas vermelhas que pingavam de seus dedos.
_O que é que eu vou fazer meu Deus!! Falou propositadamente alto a menina. Tinha medo do castigo, sabia que errara. Estava envergonhada demais para encarar seus pais, para ir até eles, mas o que faria sozinha com aquele rasgo em seu braço?
Ela ouve sua mãe na cozinha esbravejando ao contar a seu pai o que tinha acontecido.
Sua mãe destapou a sopa fumegante no fogão à carvão, e a provou. Ainda estava quente. Seu pai jantaria antes do banho reconfortante.
A menina ainda não ouvira falar em psicologia familiar e mal seu pai sentou-se à mesa, ela disparou:
_Pai, posso andar na sua bicicleta?
_Não, minha filha. Ela é muito alta , o quadro atrapalha e você pode cair.
_Não vou cair, não, pai. Eu já sei andar! Ah, deixe...
_Deixe seu pai comer em paz, menina! Disse-lhe a mãe servindo a sopa. Seu pai gosta de todos à mesa nessa hora. Sente-se e coma!
_Ah! Deixe, vá, pai...
E a menina segurava a guarda da cadeira e sobre os ombros do pai...
_Deixe, pai, eu não caio!
_Está bem, vá. Mas se você se machucar, eu não vou curar ninguém, ouviu, moça? Pode ir, mas já sabe.
A menina mal agüenta o peso da bicicleta, e com sacrifício, leva-a até a rua. Segura os guidões, passa as magra perninha direita por debaixo do quadro, pisa o pedal direito, equilibra-se, procura com o pesinho esquerdo o outro pedal e...lá vai ela rua abaixo.
Lembrava um macaco-aranha com as mãos acima da cabeça segurando os guidões, o corpinho torto do lado esquerdo desviando-se do quadro, a perna direita buscando o pedal direito...trabalho de contorcionista. O selim, vazio, sem função, só atrapalhava a manobra.
Seu coraçãozinho dispara. E agora? A esquina está chegando rápido demais!!!Como eu faço o retorno? Sentia o tremor das pernas.
Ela procurou os freios. Suas mãozinhas suadas, eram pequeninas demais para alcançá-los. Os dedinhos esticados, tesos... “não consigo alcançar o freio debaixo do guidão!!!” ela pensou desesperada. Não poderia olhar para procurá-los, teria de levantar a cabeça ou como enxergaria o que lhe vinha pela frente? Claro! Impossível!!
Sem alternativa, ela deu uma guinada rápida para a esquerda. Tinha de fazer a curva mesmo naquela velocidade desenfreada da descida.
Tentou. Mas não contava com o banco de areia formado pela enxurrada das águas da chuva que, talvez com o mesmo medo da menina, tentava fazer a curva à esquerda e, descontrolada, depositava ali a areia trazida de longe.
Pobre menina! As rodas se derraparam e ela sentiu a bicicleta pesando sobre seu corpinho. Viu a cerca de arame farpado do canteiro da avenida crescer e se aproximar, chocando –se com ela num impacto surdo .
_Meu rosto!
Foi seu único pensamento. Ainda com a bicicleta pesando sobre ela
e arrastando –a contra a cerca, ela grudou com a mão esquerda o arame e, com toda a sua frágil força, afastou as farpas metálicas que, como garras de um conto de terror, visavam seu rosto.
Ficaram assim, não se sabe por quanto tempo: menina, arame e bicicleta, num abraço indecifrável.
Rua deserta. À frente, o canteiro de mata densa, escuro como breu. O ar morno trouxe o cheiro do capim amassado. Ficou cristalizada, imóvel, esperando... Mas, o quê? Ela não sabia. Precisava esperar. Não poderia se mexer sem se machucar.
_Papai avisou... Balbuciou a menina.
Não sentia dor. A dor vinha de dentro dela, a vergonha de ter de chegar à casa e encarar o seu pai: “ Eu não falei?”
De repente, ela ouve passos. Um casal sai do escuro do campo. Talvez namorassem num encontro furtivo, mas para ela eles foram os anjos que estavam quando e onde deveriam estar.
_Pobrezinha! Exclamou a mulher. Erga a bicicleta, pediu ao namorado.
A menina contou que morava no início da rua, mas omitira que desobedecera a seu pai.
_Ô, de casa! Bate palmas a moça no portão. Vim trazer sua filha que caiu da bicicleta!
Dona Sílvia, sua mãe, estava assustada, nem agradeceu, e sem verificar se a menina havia se machucado, teve ímpeto de castigá-la:
_Bem feito! Seu pai lhe avisou! E desapareceu para dentro da casa.
O casal, meio confuso com a reação da mãe da menina, despede-se dela com carinho:
_Não foi nada, meu bem. Você vai ficar boa.
A menina olhou para a varanda escura. Esqueceu-se da bicicleta na calçada. Entrou. Na claridade da sala, ela pode ver o que era aquele líquido morno que lhe escorria pelo braço. Ela chorava e andava de um lado para outro. O piso de tijolo chupava como mata-borrão as gotas vermelhas que pingavam de seus dedos.
_O que é que eu vou fazer meu Deus!! Falou propositadamente alto a menina. Tinha medo do castigo, sabia que errara. Estava envergonhada demais para encarar seus pais, para ir até eles, mas o que faria sozinha com aquele rasgo em seu braço?
Ela ouve sua mãe na cozinha esbravejando ao contar a seu pai o que tinha acontecido.
De repente, a cortina de chita estampada se abre e surge Dona Sílvia outra vez na sala:
_Venha ver, Zé! A menina se machucou mesmo!!Ah, meu Deus, minha filha, como foi isso?
Seu pai se levanta da mesa e, pálido, toma o braço da menina.
_Fique calma, minha filha! Sílvia, traga uma toalha limpa e vá chamar seu pai. Vamos levá-la ao hospital.
O avô chegou em um minuto. Estavam todos nervosos. A mãe chorava.
O pai sentou a menina no quadro da bicicleta que felizmente não sofrera danos, amarrou a tolha no braço da pequena, o avô trouxe outra bicicleta, e lá se foram os três ao pronto socorro.
Não havia médicos àquela hora na Santa Casa. O enfermeiro de plantão fez o que sabia para estancar o sangue: pontos de metal no corte do braço e pequenos curativos na região do pulso, na palma da mão e na ponta do dedo anelar.
As cicatrizes ficariam para sempre em seu braço e lhe lembrariam as conseqüências amargas de uma desobediência.
O pior foi a tipóia que ela teve de portar por longos vinte dias denunciando o seu acidente o que a obrigava a responder infinitamente aos curiosos:
_O que foi isso em seu braço, menina?
_Eu teimei com meu pai e fui andar de bicicleta e ...blá ...blá...blá...blá...
_Venha ver, Zé! A menina se machucou mesmo!!Ah, meu Deus, minha filha, como foi isso?
Seu pai se levanta da mesa e, pálido, toma o braço da menina.
_Fique calma, minha filha! Sílvia, traga uma toalha limpa e vá chamar seu pai. Vamos levá-la ao hospital.
O avô chegou em um minuto. Estavam todos nervosos. A mãe chorava.
O pai sentou a menina no quadro da bicicleta que felizmente não sofrera danos, amarrou a tolha no braço da pequena, o avô trouxe outra bicicleta, e lá se foram os três ao pronto socorro.
Não havia médicos àquela hora na Santa Casa. O enfermeiro de plantão fez o que sabia para estancar o sangue: pontos de metal no corte do braço e pequenos curativos na região do pulso, na palma da mão e na ponta do dedo anelar.
As cicatrizes ficariam para sempre em seu braço e lhe lembrariam as conseqüências amargas de uma desobediência.
O pior foi a tipóia que ela teve de portar por longos vinte dias denunciando o seu acidente o que a obrigava a responder infinitamente aos curiosos:
_O que foi isso em seu braço, menina?
_Eu teimei com meu pai e fui andar de bicicleta e ...blá ...blá...blá...blá...
quinta-feira, 17 de maio de 2018
segunda-feira, 14 de maio de 2018
A menina e a coroação da Nossa Senhora
A menina fica nas pontas dos pés e espia pela janela. O céu azul serve de fundo para o cordão de andorinhas no fio elétrico da rua.Um vento gelado sopra seu rosto, o mesmo vento que traz o cheirinho de chocolate que está sendo preparado na cozinha da escola.Mesmo sem se virar, ela sabia que as canecas azuis de ágata estavam sendo distribuídas nas pequenas mesas de quatro lugares.
Era hora do lanche no Jardim da Infância da santíssima Trindade.
Dona Maria entraria agora com o enorme caldeirão de chocolate quente e serviria a cada aluno.A professora distribuiria os pães doces recheados com queijo suíço em pastas doado por estrangeiros.Era um queijo amarelo e cheirava forte.Para quem nunca vira queijo no café da manhã, o lanche era uma festa.
_Saia da janela, menina! Venha lanchar com seus amiguinhos!
Ela virou-se em câmera lenta, mas se apressou quando viu a figura austera do cônego José Luiz entrando na sala.Todos os alunos se levantaram para cumprimentá-lo.
_Bom dia, padre!!
_Bons dias, sentem-se e podem continuar lanchando. Só vim trazer um recado que vocês darão aos pais de vocês. A escolinha já está peque na demais para as crianças da vila. Vamos então construir uma nova e bem grande, de dois andares e um salão para cinema e teatro embaixo. Mas para isso, teremos de trabalhar muito! Daremos festas, promoveremos concursos, leilões, quermesses, tudo para angariar fundos .Preciso da ajuda de todos os párocos.
A professora sacudia a cabeça afirmativamente.
_Pode deixar, padre, eu entrego aos alunos o comunicado aos pais.
_Por favor, dona Terezinha, aqui estão.
Os comunicados e os programas de festas vinham impressos em papel amarelo, azul, rosa ou verde. Desta vez eram papéis rosas.
_Amanhã mesmo vamos começar a preparar uns números de teatro para a festa, padre. E que tal cobrarmos materiais de construção em lugar de ingressos?
O padre gostou muito da idéia e assim foi feito. No dia da festa, cada espectador trouxe umas telhas, uns tijolos, um quilo de cimento ou algum dinheiro para a construção.
A menina da vila era requisitada para quase todos os números. Era desinibida, graciosa e talentosa .Essas festas se repetiam com freqüência e a construção da escola teve início.Político e esperto, o padre José Luiz conseguiu muita ajuda de deputados e munícipes.Mas as festinhas ao ar livre eram o forte da arrecadação.O salão e o palco foram os primeiros a ficar prontos.
Dona Sílvia, a mãe da menina, fazia lhe as fantasias. Numa mesma festa ela podia representar a cabrita da fábula, a borboleta, a cigana a chinesa, a boneca ...Era seu pai quem construía as engenhocas nas armações das asas da borboleta ou o chifre do cabrito ou ainda a caixa de papelão do tamanho da menina para o número da boneca e seus soldadinhos de chumbo. Não se sabe quantas vezes a menina teve de reprisar este número. A cortina se abria. Na penumbra, a platéia via a caixa de presente amarrada com um grande laço de cetim vermelho. As luzes acendiam-se e seus amiguinhos de sala vestidos como soldadinhos de chumbo estavam enfileirados. O som bem forte de uma marcha, agora confundia-se com o barulho dos pesinhos marchando nas tábuas do piso. De repente, um silêncio. Um deles saía da fila e desamarrava o laço de fita da caixa. A tampa caía para frente e a menina saía da caixa se requebrando ao som de Tico-Tico no Fubá de Carmem Miranda.O vestido rosa de papel crepom com muitos babados, o chapéu florido, tiravam suspiros da platéia.
Aplausos e empolgação na coxia. Mas ela tinha pressa, era preciso rapidamente se transformar numa cigana, cantar, dançar, tocar o pandeiro enfeitado com fitas coloridas, descer na platéia e ler, de faz de conta, a mão de pessoas na primeira fila.
Numa dessas festas, sua avó Tuda chorou quando a viu toda pintada de preto, rosto, braços e pernas. Sua mãe queimava rolhas de cortiça e a pintava com elas.
_Coitada da minha netinha!...Será que isso não dá alergia?
Mas era necessária, essa falsa pele negra, não tão falsa assim, diga-se de passagem, o sacrifício era para o seu número de Boneca de Piche.
As festinhas mostraram ser insuficientes para garantir a nova construção da escola. Havia também os concursos para eleger o casal de crianças que coroariam a Nossa Senhora das Graças na Festa de Setembro.Ganharia o casal que vendesse mais votos.Nas últimas semanas que antecediam a Festa, as apurações iam dando conta dos votos vendidos, da classificação dos casais e a ansiedade ia crescendo.
A nossa menina, num desses anos, claro, estava na disputa. Todos seus parentes se empenharam na ajuda e seu pai vendeu muitos votos para seus colegas do Fórum. Até uma tia sua em segundo grau, a tia Nilza, que trabalhava de governanta na casa de diplomatas no Rio de Janeiro, veio em férias para ajudá-los.Brigas entre famílias rivais ocorriam nesses concursos. As pessoas levavam a sério, e mais importante que fazer dinheiro para a Paróquia, era não perder.
O pai, seu José, foi o primeiro a usar a estratégia de não apresentar todos os votos vendidos nas apurações, de modo que foi uma surpresa muito grande quando, na última noite, depois que seu pai entregara todo o dinheiro conseguido, o alto-falante da igreja anunciou a apuração em praça pública, dando a menina da vila e seu amiguinho como vencedores. Seriam, pois, o casal que iria coroar a Nossa Senhora. Fogos, abraços, beijos. A família do casal do segundo lugar, já dava como certa a vitória, e decepcionada foi dar os parabéns à menina. A mãe perdedora abraçou-a e disse-lhe um “nome-feio” ao ouvido, referindo-se à moral de sua tia Nilza do Rio de Janeiro. A menina inocente contou a todos, ainda na presença da mulher...Foi um bafafá...
Mas valia a pena. Sair na Procissão vestida de princesinha, em cima de uma carruagem preparada para o dia...Puxa, era um sonho!!! E ainda poder coroar Nossa Senhora!!!
Um grande palanque era erguido em frente da igreja. Lá no alto, a Nossa Senhora das Graças, uma imagem linda. Ao seu redor, Anjos e mais Anjos...crianças em camisola de cetim e asas de plumas. Numa larga e enfeitada escada, ficavam os outros casais de príncipes e princesas que não havia ganhado o concurso. Numa carruagem, chegava o casal, a nossa menina e seu parzinho, o Alexandre.Fogos explodiam no ar e..Epa! O cavalo da carroça espantou-se com o barulho dos fogos e empinou com as patas para o ar. Que susto! A mãe da menina gritava, os homens tentavam controlar o cavalo que refugava e pulava.A menina segurou a coroa de falsas pérolas presa em seus cabelos e chorou bem baixinho de medo. Segurou as mãos do seu príncipe e pensou que iria cair. Cavalo controlado, a carruagem estacionada ao pé da escada, o casal apeado e mais calmo, começa a galgar os degraus que os leva até a Nossa Senhora lá no alto. Aplausos do povo que se apinha na praça.As meninas do Orfanato Santa Verônica entoam hinos sacros enquanto jogam flores no casal de príncipes e na Santa.Dois Anjos trazem a coroa de ouro e pedras preciosas numa almofada de veludo vermelho. Um de cada lado de Nossa Senhora, os príncipes começam a erguer lentamente a coroa. uando enfim, ela toca a cabeça da Santa, os sinos começam a tocar na torre da igreja, um toque festivo e alegre que emociona. Rojões explodem nos céus. O povo aplaude em lágrimas. O padre José Luís grita ao microfone:
_Três vivas à Nossa Senhora! Viva Nossa Senhora das Graças !!!!
_Viva! Viva! Viva!
terça-feira, 8 de maio de 2018
Você me esqueceu
Quando o teu rosto ?
Quando teu abraço?
Hoje? Daqui a pouco...
Amanhã ... um mês...
Nunca?
Esta indecisão me enlouquece
Chego a ouvir a
sua voz
As sombras são
você
A música é sua
energia que me toca
Quando parar de
sofrer ?
Você me esqueceu...
Eu sei ...
Entendeu o impossível
E não quis lutar
...Não o culpo...
Já o perdoei
mesmo que não volte
... vou buscá-lo quem
sabe ... um dia
... Prendê-lo num abraço
E deixa-lo ir .
quarta-feira, 2 de maio de 2018
terça-feira, 1 de maio de 2018
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