terça-feira, 3 de outubro de 2017
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Carta da
França
Côte d´Azur
11 de fevereiro.
Aniversário de minha cunhada
Marie. Mas hoje não teremos tempo para comemorar. Escolhemos esse dia para
sairmos em visita a uns amigos niçoises. Estabelecemos uma rota pela Côte
d´Azur até Nice. Algumas cidades seriam paradas obrigatórias, mas estávamos
dispostos a ceder a outros atrativos com os quais pudéssemos nos deparar pelo
caminho. Saímos às seis horas de uma manhã muito fria, como todas em fevereiro,
mas de um céu azul marinho só visto na Provence. Já contei que é lá o lugar de
maior luminosidade do mundo?
Havia muita neve pelo caminho, quando passamos pelo Vale das Mimosas
(pronuncia-se mimosás ), apesar do sol brilhar forte àquela hora da manhã.
As
Mimosás merecem um parágrafo à parte, senão um capítulo, tal a beleza que
elas nos oferecem. Por todo o vale por onde ela cresce e floresce, as matas se
resplandecem num amarelo incomparável. Tanto, que não encontro substantivo
capaz de fazê-los visualizar comigo aquele tom, nem gema, nem ouro, nem
girassol... Nada que possa se transformar em adjetivo à altura daquele amarelo.
Amarelo e pronto. As flores? Tomam conta de suas árvores não muito altas, quase
arbustos. São pequenas esponjinhas, bolinhas de meio cm de circunferência, que
se prendem em cachos grandes nas pontas dos ramos, de modo que só vemos aquele
oceano amarelo tremulando ao vento nas paisagens das estradas. Nós também as
temos aqui e eu até já as fotografei e enviei as fotos aos amigos franceses.
Agora mesmo, elas estão em florada magnífica, mas são um pouco maiores,
brancas, e podem ser vistas no trecho que vai da Fazenda Fortaleza, Bairro do
Registro, até o Trevo da Redenção na estrada Oswaldo Cruz.
Nesse mesmo vale florido, paramos numa cidade medieval, linda, com mimosás
pesadas de neve por todo os jardins, tomamos café com chocolate de menta,
escrevemos na neve dos vidros dos carros estacionados, pousamos para fotos como
todo bom brasileiro, claro, e continuamos. Próxima parada, Eze e Pêlle, cidades
inesquecíveis, ruelas, becos, pedras, escadinhas, arcadas...
A
neve já havia ficado para trás, estávamos na hora do almoço, muito chão
percorrido e uma paisagem tropical nos acompanhava de há muito. Quase em Saint
Tropez e por lá, o clima é bem mais quente, verdadeiro oásis com palmeiras, vários
tipos de cactos, eu já estava me sentindo em casa. De repente, nessa paisagem
quase brasileira, surge à nossa frente, vindo em sentido contrário, um carro
todo coberto de neve, naquele clima super tropical. E logo surge outro, e mais
outro...
_O que é isso? Pergunta Marie. Não é comum nevar
nessa região.
Na
entrada de Saint Tropez, uma parada para foto na placa com o nome da cidade
coberta de neve, no melhor estilo: “Fotografou? Não? Dançou!”. Chegamos a
enviar fotos de cactos brancos de neve aos amigos de João Pessoa. Diferente,
não é? No restaurante, o garçon interpelado nos contou que há anos não nevava
por lá, e nós acabamos por perder o fenômeno de alguns minutos antes.
Continuamos até Canne, rodamos um pouco, visitamos o local do festival de
cinema e rumamos à Nice onde chegamos à tardinha na casa de Francis e Fernande
que nos esperavam com ansiedade.O casal mora em Drap,ao lado de Trindad, a uns
dez Km de Nice.
Esses nossos amigos já moraram no Brasil alguns anos e nos receberam muito bem.
Na manhã seguinte, fomos conhecer Menton, uma cidade mais moderna que faz
divisa com a Itália. Campeões na produção de limão e laranja estavam,
justamente nesse dia, promovendo a Festa Anual da Citricultura.
No desfile de
rua, os gigantescos carros alegóricos, tomam forma de animais enormes feitos
com laranja e limão: Pato Donald, Pluto, A Dama e o Vagabundo etc. Almoçamos e
tentamos ir à San Remo, já na Itália, mas enfrentamos um congestionamento
monstro e Robert resolveu voltar.
Eu não acreditei. Porém, a viagem não
acabaria ali e no dia seguinte chegamos até Monte Carlo e Mônaco.
Café da manhã e centro velho de Nice. Ficamos encantados com o porto da cidade,
o mercado, as mesinhas dos Cafés ao sol e muito, muito luxo e glamour. Já a
caminho de Monte Carlo e Mônaco, nas primeiras cidades italianas pelas quais
passamos, as mulheres eram uma atração à parte nos seus casacos de pele. Muita
pele e jóia, elegância que eu não vi nem em Londres.
Eram as primeiras mostras
do que veríamos em Monte Carlo: Cassinos cinematográficos e seus carrões
estacionados estrategicamente para serem admirados, turistas como nós, à
vontade, fazendo fotos diante deles. Chegamos a entrar num desses cassinos, mas
não pudemos passar do primeiro Salão, onde é permitida a entrada de simples
mortais. Os outros compartimentos são reservados aos nobres clientes. Antoine
conseguiu que adentrássemos ao primeiro Salão e só pudemos conhecê-lo
rapidamente, mas deu para tirar o fôlego.
Luxo inimaginável, lustres, tapeçarias,
pratarias, cristais, serviços em porcelana desde os cinzeiros... serviçais
elegantemente uniformizados...não, não dá para descrever. Afrescos famosos, as
mesas preparadas para o pôquer, ambientes e ambientes de jogos. E era só o
primeiro dos reservados. Contentamo-nos em jogar algumas moedas nas máquinas da
frente e saímos.
E
Mônaco? A Marina no centro da cidade, milhares de iates ancorados. Qual deles
seria de Nélson Piquet?
Visitamos o jardim do Palácio onde fotografamos uma cascata congelada, e as
esculturas de Rodin.
No
dia da volta visitamos Pellon, uma das mais belas cidades medievais da França,
almoçamos com os niçoises e ganhamos um litro de azeite de olivas do quintal da
casa deles.
Já
na estrada, novamente passamos palas cidades das mimosas, que nesse dia,
desfilavam seus carros alegóricos, todos decorados com suas flores amarelas.
Lindo...Uma grande atração turística.
Por que não fazemos o mesmo com nossas quaresmeiras em flor no caminho de
Ubatuba? Elas não ficariam devendo nada às mimosas. Fica aí uma sugestão aos
políticos e promotores de turismo da região.
À
bientot!
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Lambe-Lambe
Nas cascas ainda.
Acabe de abrir as conchas com cuidado, separando as, mas deixando o mexilhão ainda grudado em uma delas.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Carta da França
Silvinha Simões
Era o dia 18 de novembro de 1998. Eu acabara de chegar no mês de a gosto para morar na França. Meu tempo de licença, os três meses que temos para ficar num país estrangeiro, estava aspirando. Assim que, naquela manhã, estávamos na estrada rumo à Marseille para dar início ao processo da minha Carte de Sejour , uma carteira que nos habilita a permanecer até dez anos
Há tempos, pensávamos ir a Marceille. Ela é a segunda cidade mais importante da França, na disputa com Nantes, também no páreo pelo segundo lugar. Meu marido queria me mostrar o cais do porto e seus arredores de mercados, feiras, comidas típicas e todo o ambiente do comércio mais antigo do mundo.
Como sempre, faltou algum documento, e depois de enfrentar o característico mau humor dos atendentes franceses, eu saí do departamento de estrangeiros, apenas com uma carta provisória em mãos. Teríamos de voltar mais uma vez pelo documento. Mas, tínhamos quase o dia todo para explorar o lugar, sem contar a casa da tia Clemence e do tio Hopp os quais eu ainda não conhecia pessoalmente.
Andar pelos mercados de Marceille é como encontrar um pouquinho do Brasil. Lembra muito o Mercado Central de São Paulo, só que exposto nas ruas da cidade antiga. Quando algum brasileiro, radicado lá, pensa em fazer uma feijoada, é em Marceille que ele manda buscar os apetrechos. É só ali onde você encontra, por exemplo, a farinha de mandioca, a couve, a carne salgada, a pinga, etc. O mercado é uma mostra do que acontece no mundo, onde as raças exibem o que têm de mais típico.
No cais, em meio ao burburinho do movimento de navios mercantes, os barcos à vela, enormes e bem equipados, levam ao passeio nas “calangas de Cassis”. Calangas são aquelas entradas bruscas que o mar construiu rochedos adentro. E a atração da viagem é entrar de escuna em cada entrada dessas, admirando a altura das falésias à nossa volta, com a sensação exata da nossa pequenez diante da paisagem de altos rochedos parecendo nos esconder, engolir-nos na casquinha de nozes que a escuna representa entre a imensidão de rochas e o lago salgado, agitado, e de águas transparentes.
O fundo dos barcos é de vidro de onde podemos assistir o incrível balé dos peixes, algas e outros bichos do fundo do mar. E, cada entrada numa calanga é uma emoção diferente. Num passeio se visitam sete ou oito calangas. Nem precisa dizer que, após irmos ao mercado, fomos fazer esse trajeto de barco.
Hora do almoço, empapuçamo-nos com uma boa daquelas paellas que estão a cada esquina da cidade velha , ou sendo servidas nos restaurantes do lugar. Após um sorvete de café, rumamos os quatro, sim , porque meus cunhados Marie e Robert estavam conosco, à casa de tata Clemence na rue Paradise. Cumprimentos, cafezinho e visita à Igreja de “Notre Dame de la Garde”, ali pertinho da casa dela.
Construção de 1800, ela é um verdadeiro Forte usado nas Grandes Guerras. Fica no alto de um morro a 185 m acima do nível do mar, aos quais se sobe por uma escada infinita, e de onde, uma vez lá em cima, avista-se toda cidade e o mar. A imagem de Notre Dame de la Garde está plantada na torre mais alta da igreja, de onde pode ser vista por toda Marceille. Dourada com 4 folhas de ouro puro, sua luz resplandece abençoando a cidade.
Estendendo o olhar pelo oceano lá embaixo, avistamos a tão famosa, quanto pequena, uma ilha abrigando o “Chateau Diff” da história que deu origem ao filme Papilon. Amei o passeio.
À Bientot
Silvinha Simões
Cassis
Bem, meus queridos, na semana passada, eu lhes contei um pouco de Marseille e do passeio de barco pelas calangas da cidade de Cassis, vizinha de Marseille. Hoje, vou continuar descrevendo as calangas, de um outro ponto de vista, a vista de cima, pela estrada que acompanha, geograficamente, todos os contornos dos penhascos ou falésias.
Você pode, como nós fizemos uma das vezes em que lá estivemos, fazer o passeio de barco nas reentranças das calangas e, depois, contorná-las de carro por cima das falésias. Os belvederes se sucedem infinitamente. Todas as paradas durante o percurso são dignas de serem vistas. O difícil é escolher onde parar, já que, basta se aproximar de qualquer beira de precipício para você se deparar com visões de tirar o fôlego.
Os barcos, navios ou escunas, de onde se pode ter estado horas antes vendo tudo de baixo para cima, agora, viraram formiguinhas, casquinhas de nozes lá embaixo, no azul transparente do oceano que beija escandalosamente as rochas das falésias, num espetáculo de dar vertigens, tanto visto de baixo, quanto de cima.
É uma verdadeira sensação de se ver tudo de um avião em pleno vôo. Nesse dia, levamos um piquenique, prática comum na França. O francês sente fome, pára nas formidáveis instalações de “área de descanso” nas estradas, ou mesmo em qualquer paisagem escolhida, tira seu piquenique e come. Quase todos levam mesinha e banquinhos nos carros, só para isso.
Depois, resolvemos esticar o passeio até La Ciotat, uma cidade dona de um dos maiores estaleiros do país, construindo barcos e navios para toda Europa e o mundo.
Meu marido aproveitou para me contar sobre seu primeiro emprego num estaleiro naval em Tarascon, quando ele tinha apenas 14 anos. Trabalhar como aprendiz de marceneiro construindo barcos, durante 3 anos, rende-lhe hoje, uma aposentadoria proporcional, claro, ao tempo de serviço, a qual lhe é legalmente enviada pelo correio. A quantia faria rir a qualquer um, mas, a seriedade das leis é de tirar o chapéu, não é? Ele só deixou o emprego porque seu pai veio para o Brasil quando ele tinha dezessete anos. Embora sua vida profissional na Olivete tenha lhe mandado várias vezes de volta à Itália e à França, quando lhe perguntam se ele é francês, ele responde: “_Se ainda restou alguma coisa...”. Mas seus hábitos e tradições ainda estão lá, e afloram a cada momento, como se ele fosse ainda o garoto que fazia navios no estaleiro de Tarascon.
Agora, antes de terminar, que tal descobrirem o gosto de um aperitivo feito à base de creme da fruta cassis? Você não precisa conhecer as maravilhas das calangas para apreciar essa saborosa bebida: uma parte de creme de cassis e duas de vinho branco suave ou seco, depende de seu gosto. Pronto! Você já terá experimentado o famoso “Kir”. A pronúncia é Kirrrrr, e ele é servido freqüentemente na França como aperitivo antes do almoço.
Tin-tin, a bientot!
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
sábado, 16 de setembro de 2017
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
E o homem se fez verbo
Verbo
Que se fez verbo
Verbalizando a vida
Expressando o tempo
Verbo
Que te quero perfeito
Mais que perfeito
Do futuro e do pretérito
Verbo
Ações e paixões
Estados e quereres
Perpetuando emoções
Verbo
Imperativo amar
E que durante
O gerúndio
Futuro universal
Hoje condicional
De infinito sonha
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Ratatuia ( Ratatuille)
Ingredientes:
Modo de Preparo:
est delicieuse
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