terça-feira, 29 de dezembro de 2020


 

Tempo

Vá embora  2020

Quero ver  o tempo 

Comer  o sal da terra 

Até envelhecer 

De não mudar 

E de rotina 

Se abandonar 

Verei um dia 

A terra entediada

Se desintegrar 

E o tempo vencido 

Cambaleante e frágil

Na esquina do nada

Agonizar

Feliz 2021


terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Presépio

 Aqui da coluna

Telhados vermelhos

Mosaico de cores

Que eu quero pisar

Brincar de casinha

Descobrir segredos

 Amores furtivos

 Delitos talvez

 Cidade baixa

Telhados vermelhos

Parecem brinquedos

 Presépio a esperar

Por um Deus menino

Que sentindo saudade

Venha de mansinho

Nos fazer amar...

 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020


 

Sua Foto

 

Sua foto

Encantou-me

Um “tudo bem?”

Jogou-me

Num túnel

 

Corri até o final

Em busca de luz

A luz era você

 

Parei à sua frente

Tête-à-tête

Respiração

Com respiração

Seu rosto corado

Gotinhas de suor

Na testa salgada

Sol causticante

Céu azul demais

Seus olhos

Azuis demais

Que me fitavam

Ávidos de mim

 

Borboletas

Voltaram ao meu peito

Coração balançava

Descompassado

 

E eu ganhei o mar

No sal do seu suor

No azul dos seus olhos

Nas ondas do amor

Que iam e vinham

Num balé infinito

 

Nossos pés na areia morna

Era tão real

Que chorei a saudade

Mas você estava ali

Na foto

Minha paixão acordou

Mãos nas mãos

Apertavam-se

Com força

Estávamos

Corpo a corpo

Entorpecidos

Amantes no tempo

Que nos escapava

Real fugidio

 

O túnel me sugava

Eu te vi ficando

Cada vez mais longe

A foto amarelando-se

 

Mais uma vez

Tínhamos tudo que…

Poderia ter acontecido

Mas não aconteceu...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020


 Nas Espirais do Universo

Move o Universo

Que move moléculas

Movimento quântico

Ondas energéticas

Interferindo nas vidas

Sacudindo poeira cósmica

Meteoritos imprevisíveis

Como imprevisível é o poeta

Que hoje se contamina

Da imprescindível ciência


Nunca a fragilidade do ser

Foi tão cantada em versos

E prosas poéticas filosóficas

Por que o amor hoje

Não pode ser só o amor

Não pode se ater às rimas

Ricas ou pobres a, b, c ou d

Elas são aspirais de luzes

Para falar do valor da diferença

Onde não cabe mais violência

Temos de espantar nuvens pesadas

E atrair com mantras benditos

A paz dos monges poetas

A existência do Amor, da Flor

Da Energia Lilás e das Musas

Na constelação da Vitória Régia!


sexta-feira, 11 de dezembro de 2020


 Eu Infinito

Sou o cheiro da terra

Sou a flor amarela

Sou a brisa leve

E a música que encanta

O sorriso das crianças

A pera doce no pé

Sou a mata do índio

Sou as pedras do rio

Sou o barco do igarapé


Se enquanto gente

Não sou nada

No Universo sou o tudo

Repito-me nas coisas

Que se repetem no vazio

E na leveza deste ser

Alinhavo meu infinito


 

Primavera na França

Qualquer domingo de um mês de, abril, poderá ser, com certeza, um excelente dia para um passeio pelas redondezas no sul da França.
Em plena primavera, as flores invadem jardins públicos, rotatórias, campos, montanhetas, fontes, jardins das casas e as jardineiras das janelas. Para onde você olha, lá estarão elas colorindo tudo, verdadeiros lençóis de patche-work: 

Os vermelhos cocquelicots, (papoulas), os roxos, bordeaux, azuis, rosas e brancos iris, os amarelos e perfumados jeunés, os pequeninos e também amarelos bouttons d´or, as dálias, as rosas, os pensés (amores-perfeitos), os brancos narcisos...Mas são campos inteiros floridos...mares vermelhos de cocquelicots, brancos de narcisos, amarelos de jeunés e assim por diante. 

Foi durante o inverno, ainda em Londres, no High Parck, onde eu me deparei com as teimosas colchicas  pela primeira vez.

São flores pequeninas em branco e rosa, que rompem a neve no final do inverno e mostram seu caule de poucos centímetros, mas forte o suficiente para ostentar uma corola de pétalas frágeis, colorindo a fina camada de gelo, ou o gramado dos parques e prados, no início da primavera. Na Provence, elas enfeitam os sopés das montanhas dos Alpesnesta mesma época.

E é num ambiente assim florido que acontecem os dias de Páscoa. Diferentemente do Brasil, a segunda feira posterior ao Domingo da Ressurreição é o dia mais festivo da semana e também,o Dia Nacional do Piquenique.

Como tradição secular, principalmente na região da nossa Tarascon, os católicos se dirigem à Abadia de Frigolet, logo de manhã bem cedo. Assistem à missa e caminham até o campo do convento. Debaixo dos cedros perfumados, estão os carros demarcando os lugares escolhidos para o esperado piquenique. Cada família então, retira do porta-malas os apetrechos e comidas: queijos, salames, presuntos cru e cozido, patês, azeitonas, tomates, pepinos, ovos, pães, vinhos, doces e café.
Ao sol, arranjam-se as mesas e cadeiras com os quitutes.

Dali do bosque de cedros, ao som gostoso da brisa doce, podem ainda ser vistas a Igreja e a Abadia ao fundo. Medieval e austera, guardam o segredo do saboroso Licor de Frigolet feito e comercializado pelos freis. Dali, para o mundo todo, espalha-se a magia desse licor que mistura os mais requintados sabores e perfumes das ervas que crescem nas montanhetas ao redor do Convento, as famosas ervas de Provence.
Após o piquenique, tudo guardado e limpo, bem ao modo europeu, abandona-se o lugar e volta-se ao campo atrás da Igreja, onde acontecem as apresentações de diversas congregações folclóricas e religiosas. As Arlesianas são mulheres de todas as idades que comparecem em roupas do século XVIII e início do XIX.

Vestidos luxuosos, anquinhas, capinhas de renda branca sobre os ombros, sapatos de época, sombrinhas, cabelos penteados da mesma maneira, presos no alto da cabeça, e enfeitados com rendas brancas e engomadas, fazem o rico visual das damas. Seus cavalheiros também em fraques de época e alinhados completam a cena. Bandas de Pífanos, animam o ambiente tocando as farandolas medievais que são dançadas pelos grupos de artistas vindos de todo canto. Batalhas medievais entre cavaleiros em armaduras, dão um toque cinematográfico à festa...

Na volta para casa, reparamos no verde dos Platanus. Há bem poucos dias, eles estavam nus, e agora, já exibem as folhas de um verde “novinho em folha”. Daqui a duas semanas, estarão novamente cobrindo as estradas do sul da França, como um túnel infinito.
São assim, as passagens de estações na Europa, verdadeiras explosões de trocas de paisagens e acontecimentos. Cada fase da Natureza uma nova magia, uma nova força sacudindo o cotidiano.
Contam-nos, dois sobrinhos franceses que moram no Thaiti, Guy e Bernard, que, segundo estudos feitos por psicólogos daquela região, a mesmice entre as trocas das estações do ano em regiões tropicais, onde o sol, chuva e um pouco de frio intercalam-se indiferentemente durante todo o ano, é culpada pela depressão muito presente entre os nativos e moradores das ilhas daquele arquipélago. Os dois afirmam ser essa uma grande verdade e sonham com a força explosiva da Natureza européia revolvendo tudo.
Será assim também no nosso Nordeste?

terça-feira, 8 de dezembro de 2020


Quer ver mais livros de Silvinha Simões
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para comprar livros da escritora Silvinha Simões
Eu e o Universo
A estrela cadente passou
Me encandeceu de amor
A luz cintilante deixou
Rastro que nunca se apagou
Fecho os olhos e ainda a vejo
No veludo negro a seguir
Pedidos, preces e amores
Realizados em noite de lua
Que o sol foi s´embora
E toda as nuvens levou
Cachoeira despenca no lago
Eu nua me estremeço de frio
Águas batizam meu corpo
Dores de paixões me esqueço
Os Anjos de branco cantam
Borboletas azuis encantam
E me benzo, sorrio e agradeço
O coqueiro sacode as palhas
O mar beija meus pés
A estrela do mar se entrega
Na onda nadando ao léu
Contando que a nossa terra
Tem tudo de lindo que há no céu…
Assim me multiplico nas coisas
Cores, cheiros, melodias e amor
Sabores me trazem lembranças
De um pretérito que me marcou
Na infância, vida inteirinha
Um abraço, um beijo, um amor...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020


Eu e o Universo


A estrela cadente passou

Me encandeceu de amor

A luz cintilante deixou

Rastro que nunca se apagou

Fecho os olhos e ainda a vejo

No veludo negro a seguir

Pedidos, preces e amores

Realizados em noite de lua

Que o sol foi s´embora

E toda as nuvens levou

Cachoeira despenca no lago

Eu nua me estremeço de frio

Águas batizam meu corpo

Dores de paixões me esqueço

Os Anjos de branco cantam

Borboletas azuis encantam

E me benzo, sorrio e agradeço


O coqueiro sacode as palhas

O mar beija meus pés

A estrela do mar se entrega

Na onda nadando ao léu

Contando que a nossa terra

Tem tudo de lindo que há no céu…


Assim me multiplico nas coisas

Cores, cheiros, melodias e amor

Sabores me trazem lembranças

De um pretérito que me marcou

Na infância, vida inteirinha

Um abraço, um beijo, um amor...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020


                           Estrela Vespertina

                                     Esperança é bem verdinha

                                    E se busca sem cessar

                                   Flor que nasce na campina

                                   Lembre se de a bem regar

 

 

                                   Bem lá longe no horizonte

                                    Navega um barco a fugir

                                   Com a minha verde fonte

                                   De esperança a desistir…

 

 

                                   Espera vai não embora

                                   Ele fica na lembrança

                                   Esperança nunca chora

                                   Guarda sempre na memória

terça-feira, 1 de dezembro de 2020


 Musas quânticas


Sombrinhas de renda

Moçoilas na praça

Tornozelos cobertos

Paixão impossível

Tuberculose de amor

Desmaios e suspiros

Muitos ais e sais

Pobres românticos poetas

Presos a rimas

Trabalhando formas


Semana Moderna

Apelo à liberdade

Versos loucos e soltos

Musas modernas

Pernas de fora

Abandono da Arcádia

Poetas libertos

Rimas criativas

Vinham a cordas soltas


Hoje, século XXI

Inspiração quântica

Musas filosóficas

Diferenças se impõem

Poetas se engajam

Lutam pela Natureza

Antes, só cantada


O amor virou paixão

Passageira e volátil

Conta história

Descompromissada

Com amarras de rimas

Evoluindo como o Universo

Dizendo e crescendo

Procurando no poema

A cura