Após vários dias estudando o roteiro de viagem, partimos à
Portugal. 5:15 da manhã, estávamos os quatro dentro do carro, temerosos pela
chuva que caia a cântaros. Saímos com a esperança de ela seria passageira, mas
após clarear o dia, às 8:30 h, descobrimos que aquele alagamento em Montengac
poderia ser um prenúncio de mal tempo durante toda viagem. E foi. Aproveitamos
a parada para esperar a inundação abaixar e tomamos um café da manhã.
Estávamos
cortando o norte da França até Lourdes, direção oeste. Desceríamos a Portugal
pelo litoral, passando antes pelos países bascos da Espanha.
10 h, já
estávamos em Mirepoix, aquela cidade que eu já lhes descrevi, cujo mercado é
todo construído pelas madeiras envelhecidas de 70 anos, lembram-se? Bem,
comprei (pensés) amores-perfeitos, para oferecermos à Andrée e Claude, já que
passaríamos em frente à casa deles. Cumprimentos rápidos, e voltamos à estrada.
13 h, gasolina e almoço. 16h, Lourdes.
Chorei muito
ao me ver na fila de fiéis dentro de corredores demarcados com fitas de
isolamento, direcionando-nos à Gruta. Lá estava ela, cavada pelo tempo, dentro
de rochas escuras e brilhantes. Eu não me contive, e, a cada passo rumo às
pedras, a comoção aumentava. Chorei de soluçar quando me senti dentro daquele
espaço que um dia recebera a presença de Nossa Senhora de Lourdes. Logo na
entrada, do lado esquerdo, o lugar onde Bernadete, orientada por Nossa Senhora,
orava, jejuava, tomava da água que ainda jorra na gruta, alimentando-se da
relva que ali crescia, esperando as aparições. As pedras que serviram de altar
para a presença da Virgem, já estão gastas pelas imposições das mãos e testas
dos fiéis que não resistem e as tocam, enquanto passam por ali naquela fila
quase ininterrupta de orações, choros e crença.
Retomei a fila várias vezes, chorando e rezando, pedindo
pelas pessoas que eu amava aqui no Brasil, amigos, conhecidos, e estava sempre
com a sensação de que precisava voltar porque havia me esquecido de interceder
por alguém de quem eu havia me esquecido nas minhas preces.
Ao lado, a construção da Catedral subterrânea, atrai a
atenção dos visitantes pelo seu tamanho descomunal, capaz de abrigar missas e
procissões nos tempos de chuva ou neve. Após trocar algumas medalhas, santinhas
com água de Lourdes, pernoitamos num hotel simples, mas aconchegante de uma
coreana.
No outro dia de manhã, ainda em terras francesas, após
duas horas de viagem, já tínhamos, então, atravessado completamente a França,
desde o Mar Mediterrâneo, na nossa região, até Biarritz, onde paramos para
tomar um lanche num Café cuja vista panorâmica, punha-nos de frente com o
Oceano Atlântico. Só aí acreditei termos percorrido a França de ponta a ponta.
E só ali, reencontrei praias de areia fina e ondas lindas como as nossas. A
cidade me lembrou Monte Carlo, e as luxuosas mansões a caminho de Saint Jean de
Luz pareceram-me a região de Saint Tropez na Cote d´Azur.
Entramos nos Pays Basques às 10 h., sempre au bord de la
mer. Até Guetary, as casas são típicas com sacadas e enfeites em madeira, tudo
pintado com cores fortes, berrantes mesmo. E depois de Saint Jean de Luz,
chegamos à fronteira com a Espanha. Antoine comprou vinho.
Saint Sebastian... café em Tolosa... Burgo... almoço em
Vailladolid...e já às 4:h da tarde, na N 620, paramos num posto de gasolina sem
repararmos que a região era hostil a franceses. O garçon reparou a chapa do
nosso carro e nos tratou muito mal. Quando perguntamos porque ele não parava de
enxugar as mais de cem xícaras de cafezinho sobre o balcão para nos atender, e
para que tantas xícaras expostas, ele disse que ele mesmo iria tomar café em
todas elas e que esperássemos. Foi aí que meu cunhado, filho de espanhóis,
compreendeu pelo sotaque dele, a descendência basca e lembrou ser ali, uma
região perigosa para nós. Começou, então, a gritar como louco que gostaria que
ele chamasse o patrão. Mas, empregado é empregado em qualquer lugar. O garçon
tratou de abaixar o tom e repetiu várias vezes: Perdona me! Perdona me!
Depois de passarmos, sem parar, por Cigugñela, cidade dos
pais de Robert, chegamos em Zamora, onde paramos para fotografar os ninhos de
cegonhas nas torres das igrejas. Paisagens lindas nas estradas: muralhas
medievais, pontes, castelos... Já era noite quando alcançamos terras
portuguesas. Às 19 h, paramos em Bragança.
Bem, mas esse é um assunto para o próximo capítulo. Au
revoir!!!
Após vários dias estudando o roteiro de viagem, partimos à
Portugal. 5:15 da manhã, estávamos os quatro dentro do carro, temerosos pela
chuva que caia a cântaros. Saímos com a esperança de ela seria passageira, mas
após clarear o dia, às 8:30 h, descobrimos que aquele alagamento em Montengac
poderia ser um prenúncio de mal tempo durante toda viagem. E foi. Aproveitamos
a parada para esperar a inundação abaixar e tomamos um café da manhã.
Estávamos
cortando o norte da França até Lourdes, direção oeste. Desceríamos a Portugal
pelo litoral, passando antes pelos países bascos da Espanha.
10 h, já
estávamos em Mirepoix, aquela cidade que eu já lhes descrevi, cujo mercado é
todo construído pelas madeiras envelhecidas de 70 anos, lembram-se? Bem,
comprei (pensés) amores-perfeitos, para oferecermos à Andrée e Claude, já que
passaríamos em frente à casa deles. Cumprimentos rápidos, e voltamos à estrada.
13 h, gasolina e almoço. 16h, Lourdes.
Chorei muito
ao me ver na fila de fiéis dentro de corredores demarcados com fitas de
isolamento, direcionando-nos à Gruta. Lá estava ela, cavada pelo tempo, dentro
de rochas escuras e brilhantes. Eu não me contive, e, a cada passo rumo às
pedras, a comoção aumentava. Chorei de soluçar quando me senti dentro daquele
espaço que um dia recebera a presença de Nossa Senhora de Lourdes. Logo na
entrada, do lado esquerdo, o lugar onde Bernadete, orientada por Nossa Senhora,
orava, jejuava, tomava da água que ainda jorra na gruta, alimentando-se da
relva que ali crescia, esperando as aparições. As pedras que serviram de altar
para a presença da Virgem, já estão gastas pelas imposições das mãos e testas
dos fiéis que não resistem e as tocam, enquanto passam por ali naquela fila
quase ininterrupta de orações, choros e crença.
Retomei a fila várias vezes, chorando e rezando, pedindo
pelas pessoas que eu amava aqui no Brasil, amigos, conhecidos, e estava sempre
com a sensação de que precisava voltar porque havia me esquecido de interceder
por alguém de quem eu havia me esquecido nas minhas preces.
Ao lado, a construção da Catedral subterrânea, atrai a
atenção dos visitantes pelo seu tamanho descomunal, capaz de abrigar missas e
procissões nos tempos de chuva ou neve. Após trocar algumas medalhas, santinhas
com água de Lourdes, pernoitamos num hotel simples, mas aconchegante de uma
coreana.
No outro dia de manhã, ainda em terras francesas, após
duas horas de viagem, já tínhamos, então, atravessado completamente a França,
desde o Mar Mediterrâneo, na nossa região, até Biarritz, onde paramos para
tomar um lanche num Café cuja vista panorâmica, punha-nos de frente com o
Oceano Atlântico. Só aí acreditei termos percorrido a França de ponta a ponta.
E só ali, reencontrei praias de areia fina e ondas lindas como as nossas. A
cidade me lembrou Monte Carlo, e as luxuosas mansões a caminho de Saint Jean de
Luz pareceram-me a região de Saint Tropez na Cote d´Azur.
Entramos nos Pays Basques às 10 h., sempre au bord de la
mer. Até Guetary, as casas são típicas com sacadas e enfeites em madeira, tudo
pintado com cores fortes, berrantes mesmo. E depois de Saint Jean de Luz,
chegamos à fronteira com a Espanha. Antoine comprou vinho.
Saint Sebastian... café em Tolosa... Burgo... almoço em
Vailladolid...e já às 4:h da tarde, na N 620, paramos num posto de gasolina sem
repararmos que a região era hostil a franceses. O garçon reparou a chapa do
nosso carro e nos tratou muito mal. Quando perguntamos porque ele não parava de
enxugar as mais de cem xícaras de cafezinho sobre o balcão para nos atender, e
para que tantas xícaras expostas, ele disse que ele mesmo iria tomar café em
todas elas e que esperássemos. Foi aí que meu cunhado, filho de espanhóis,
compreendeu pelo sotaque dele, a descendência basca e lembrou ser ali, uma
região perigosa para nós. Começou, então, a gritar como louco que gostaria que
ele chamasse o patrão. Mas, empregado é empregado em qualquer lugar. O garçon
tratou de abaixar o tom e repetiu várias vezes: Perdona me! Perdona me!
Depois de passarmos, sem parar, por Cigugñela, cidade dos
pais de Robert, chegamos em Zamora, onde paramos para fotografar os ninhos de
cegonhas nas torres das igrejas. Paisagens lindas nas estradas: muralhas
medievais, pontes, castelos... Já era noite quando alcançamos terras
portuguesas. Às 19 h, paramos em Bragança.
Bem, mas esse é um assunto para o próximo capítulo. Au
revoir!!!