quarta-feira, 30 de setembro de 2020

IV

Portugal IV

         Onde é que estávamos, mesmo? Ah! Na cava do Vinho Do Porto Ramos Pinto, em Vila Nova de Gaia, na grande Porto.Eram muitas as cavas, mas escolhemos a Ramos Pinto, por ser uma das marcas mais famosas de Portugal.

         A guia que conduzia o grupo de turistas visitantes, falava cinco línguas e era muito simpática. Quando terminamos de percorrer as dependências da cava, e ouvir as explicações sobre as técnicas da feitura do vinho do porto, ela nos levou à uma grande e luxuosa sala de projeção, onde assistimos a um filme que detalhava desde o cultivo da uva até a fabricação da bebida.

         Vimos que, para o vinho do Porto, as vinhas de uvas especiais, são cultivadas em montanhas íngremes, naquela região onde o clima é apropriado. A doçura do vinho, também é controlada para mais ou para menos, em regiões determinantes para um caso, ou para outro, de acordo com o clima e solo, só encontrados naquelas condições das redondezas de Gaia.

         Uma vez plantadas nestas montanhas preparadas em degraus, a vinha lança, pedreira abaixo, mais de quinze, até mesmo dezoito metros de raízes, furando pedras, heroicamente, em busca da seiva. São os frutos deste sacrifício tão abnegado, a matéria prima responsável pelo delicioso vinho do Porto.

         Na sala vip, já na saída da cava, degustamos um desse néctar. Um cálice do claro e outro do escuro.

         Depois de comprarmos algumas garrafas, voltamos à Porto e almoçamos no Hotel, onde estávamos hospedados. Contas fechadas, seguimos na direção de Aveiro. Essa cidade estava no nosso roteiro, pela fama dos seus barcos escandalosamente coloridos. São, na verdade, grandes canoas. Elas estão nos canais dentro da cidade, nas praias, em alto-mar... Têm a proa que se lança em arabesco para cima, bem mais alta que a canoa, num desenho que lembra os barcos chineses. As casas, todas com fachadas revestidas em azulejos, igrejas riquíssimas. Não fizemos muitas fotos, chovia muito.

         Tocamos para Mira. Marie queria que víssemos os bois puxando as redes, a atração da cidade. Infelizmente, essa tradição havia sido abolida. Mas, nos barcos, ainda o colorido dos de Aveiro.

Enfim, estávamos a caminho de Cantanhede. Meu Deus! Chegar à cidade da Vó Maria, percorrer as ruas por onde ela passava, conhecer a Praça onde ela me contava ser paquerada em trovas pelos rapazes naquele final do século XIX, entrar na única igrejinha da cidade, palco das missas assistidas por ele, com o Tio João nos braços...Parecia que eu voltara no tempo. È assim, a Europa. As coisas se cristalizam e não se misturam com o novo. Ficam lá, testemunhando o tempo. Qualquer tempo no Passado pode ser alcançado em seus países de sonhos. Será sempre o “Velho Mundo”, seja qual for o futuro.

         O engraçado, foi acordar de manhã, e sair pelas ruas, em busca de alguém que fosse Simões. A bicicleta

ria, o açougue, uma casa de móveis, uma farmácia, em toda rua ou esquina daquela cidadezinha de Cantanhede, havia uma inscrição na fachada comercial; SIMÕES. E agora? Simões aqui, é mais comum que Silva no Brasil!!! Foi melhor, então, buscar pelo sobrenome da vovó: Sarraipo Barradas. Havia muitos também, mas agora, estavam mortos, segundo as informações da dona do Hotel, que, por sinal, tem uma irmã em São Paulo. Foi ela também quem me informou haver ainda um tio meu, que morava sozinho e estava muito doente. Fomos até sua casa, mas a enfermeira pediu que voltássemos depois do almoço. Aproveitei para ir ao cartório da cidade para levantar alguns dados sobre os parentes da vovó. Não me lembrava das datas exatas. Não puderam me ajudar. Se, pelo menos, eu soubesse, com antecedência, que passaria em Cantanhede um dia...Antoine não quis esperar para falar com meu tio. Preferiu seguir viagem, apesar do meu desaponto. Na praça, pedi para fazer uma foto com uma dessas portuguesas, comuns, por todo Portugal, as “eternas viúvas”, vestidas de preto, da cabeça aos pés, xale enrolando cabeça e ombros, saia até o meio das pernas, meias grossas e sapatos fechados. Era a minha avó Maria, aquela mulher que pousava para mim na frente da Igreja. Quando cheguei a Tarascon, no final da viagem, mandei o retrato para ela, como havia prometido. Acabara assim, minha aventura nas terras de meus avós. Mas não acabaria a minha viagem a Portugal. Contarei mais, no próximo capitulo. Coimbra nos espera.

 

sábado, 26 de setembro de 2020


 INGREDIENTES

-½ xícara (chá) de sagu
1 ½ xícara (chá) de vinho tinto (½ garrafa)
2 ½ xícaras (chá) de água filtrada
½ xícara (chá) de açúcar1 canela em rama
2 cravos-da-índia

Modo de Preparo

Numa tigela, coloque o sagu, cubra com 1 xícara (chá) da água filtrada e deixe descansar por 1 hora.
Faltando 15 minutos para completar o tempo, coloque numa panela média o restante da água, o vinho, a canela, os cravos e o açúcar.
Misture bem, até o açúcar dissolver.
Leve ao fogo alto e, quando ferver, junte o sagu (com o líquido que sobrar na tigela).
Abaixe o fogo e deixe cozinhar por 30 minutos ou até que as bolinhas estejam macias e quase transparentes.
Mexa de vez em quando para o sagu não grudar no fundo da panela. Desligue o fogo e descarte os cravos e a canela.
Transfira o sagu para uma tigela e deixe esfriar por 30 minutos em temperatura ambiente — nesse tempo as bolinhas terminam de cozinhar no próprio calor e a sobremesa atinge a consistência ideal. Assim que esfriar, cubra e leve à geladeira por, no mínimo, 30 minutos.
Sirva gelado com o creme inglês.
OBS: depois de esfriar, as bolinhas de sagu podem ficar concentradas no fundo da tigela. Se isso acontecer, retire da geladeira alguns minutos antes de servir e mexa bem com uma colher para redistribuir as bolinhas no caldo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020


 

Portugal III

         A caminho de Chagas, enjoei. Muitas curvas. Mas foi em Braga, a nossa parada turística. Queríamos ver as famosas escadarias da Igreja de Bom Jesus. Impossível fotografar, chovia a cântaros. Os mais de cem degraus divididos em lances que contavam a Via Sacra através de imagens sacras e inscrições, tiveram de ser trazidos em cartões postais. Percorremos tudo debaixo de incômodos guarda-chuvas (se é que algum guarda-chuva algum dia foi cômodo e prático).

         Antes de estar a caminho de Braga, a idéia de passar por Cantanhede, terra natal de meus avós paternos (Barradas, Sarraipo e Simões Patto), jamais me passara pela cabeça, não ousei aventar a possibilidade, propor aos demais participantes da viagem. Pensei em termos de Brasil continente, das grandes distâncias. Mas, eis que de repente, estacionados para tirar fotos de uns bois com chifres imensos, próprios daquele lugar, o pastor da manada nos contou estarmos atravessando Trás dos Montes, tantas vezes mencionado por minha vó Maria da Luz. Aí, eu disparei: “O senhor poderia nos dizer se Cantanhede fica muito fora da estrada para a cidade do Porto??” Ao que ele respondeu negativamente. Comecei a me animar. Na próxima parada num restaurante de estrada, ganhamos um mapa dos simpáticos donos e mais prestativas informações sobre Cantanhede. Diga-se de passagem, o humor dos portugueses, em nada lembra a austeridade dos outros europeus.

         Havia um enorme congestionamento na chegada a Porto. Madrid jogava com o time da cidade, o que explicava o caos do trânsito naquela noite.

         Pela manhã, fomos visitar a cidade. A chuva havia dado uma trégua, embora o céu permanecesse nublado. As estreitas ruelas, lembraram-me o Pelourinho, na Bahia. Roupas coloridas balançavam-se nos varais presos pelo lado de fora das janelas dos sobrados. Um ar de favela, familiar, com nomes hilários nas fachadas de botecos e pensões: “Buraco da Velha, Toca do Tatu, e tais”. Tudo nos lembrava do Brasil. Sorrisos nas bochechas vermelhas de bigodudas portuguesas vestidas de preto até os pés, homens bem humorados falando alto e fazendo piadas de tudo. Uma delícia quase brasileira estar entre eles. Mas não se assustem, estávamos percorrendo a cidade velha do Porto, que é, na verdade, a segunda cidade de Portugal, moderna e elegante. Meu avô Chico, que lá nascera, antes de ir para Catanhede ficar com a vovó, orgulhar-se-ia dela. As Igrejas? Lindas como as de Ouro Preto:Lapa, Gonçalo, Bom Jesus...

         As margens do Rio D´Ouro formam um espetáculo à parte com suas casas assobradadas refletindo nas águas mansas. Uma ponte gigantesca em ferro, corta o Rio na forma de um promissor arco-íris trazendo uma monumental inscrição onde se lê:” Porto Patrimônio do Mundo”.

         Atravessamos a ponte, e já em Vila Nova de Gaia, na Grande Porto, visitamos as cavas de vinho do porto “Ramos Pinto”

          Bem, mas aquilo que de interessante a guia nos contou sobre o cultivo das uvas desse tão famoso vinho... Ficará para um outro capitulo.

         Até breve!

 

 

Portugal III

         A caminho de Chagas, enjoei. Muitas curvas. Mas foi em Braga, a nossa parada turística. Queríamos ver as famosas escadarias da Igreja de Bom Jesus. Impossível fotografar, chovia a cântaros. Os mais de cem degraus divididos em lances que contavam a Via Sacra através de imagens sacras e inscrições, tiveram de ser trazidos em cartões postais. Percorremos tudo debaixo de incômodos guarda-chuvas (se é que algum guarda-chuva algum dia foi cômodo e prático).

         Antes de estar a caminho de Braga, a idéia de passar por Cantanhede, terra natal de meus avós paternos (Barradas, Sarraipo e Simões Patto), jamais me passara pela cabeça, não ousei aventar a possibilidade, propor aos demais participantes da viagem. Pensei em termos de Brasil continente, das grandes distâncias. Mas, eis que de repente, estacionados para tirar fotos de uns bois com chifres imensos, próprios daquele lugar, o pastor da manada nos contou estarmos atravessando Trás dos Montes, tantas vezes mencionado por minha vó Maria da Luz. Aí, eu disparei: “O senhor poderia nos dizer se Cantanhede fica muito fora da estrada para a cidade do Porto??” Ao que ele respondeu negativamente. Comecei a me animar. Na próxima parada num restaurante de estrada, ganhamos um mapa dos simpáticos donos e mais prestativas informações sobre Cantanhede. Diga-se de passagem, o humor dos portugueses, em nada lembra a austeridade dos outros europeus.

         Havia um enorme congestionamento na chegada a Porto. Madrid jogava com o time da cidade, o que explicava o caos do trânsito naquela noite.

         Pela manhã, fomos visitar a cidade. A chuva havia dado uma trégua, embora o céu permanecesse nublado. As estreitas ruelas, lembraram-me o Pelourinho, na Bahia. Roupas coloridas balançavam-se nos varais presos pelo lado de fora das janelas dos sobrados. Um ar de favela, familiar, com nomes hilários nas fachadas de botecos e pensões: “Buraco da Velha, Toca do Tatu, e tais”. Tudo nos lembrava do Brasil. Sorrisos nas bochechas vermelhas de bigodudas portuguesas vestidas de preto até os pés, homens bem humorados falando alto e fazendo piadas de tudo. Uma delícia quase brasileira estar entre eles. Mas não se assustem, estávamos percorrendo a cidade velha do Porto, que é, na verdade, a segunda cidade de Portugal, moderna e elegante. Meu avô Chico, que lá nascera, antes de ir para Catanhede ficar com a vovó, orgulhar-se-ia dela. As Igrejas? Lindas como as de Ouro Preto:Lapa, Gonçalo, Bom Jesus...

         As margens do Rio D´Ouro formam um espetáculo à parte com suas casas assobradadas refletindo nas águas mansas. Uma ponte gigantesca em ferro, corta o Rio na forma de um promissor arco-íris trazendo uma monumental inscrição onde se lê:” Porto Patrimônio do Mundo”.

         Atravessamos a ponte, e já em Vila Nova de Gaia, na Grande Porto, visitamos as cavas de vinho do porto “Ramos Pinto”

          Bem, mas aquilo que de interessante a guia nos contou sobre o cultivo das uvas desse tão famoso vinho... Ficará para um outro capitulo.

         Até breve!

 

 


 

O Trem e o Galo

 

         Numa família de origem muito simples, nasceu minha mãe, também Silvia: Silvia David. Morou, até se casar aos 16 anos, na Vila Progresso, uma vila operária, á que meus avós eram funcionários da Juta e da CTI.

         Vovó queria muito que mamãe estudasse e a matriculou no Bom Conselho, como aluna da Caixa, uma entidade que acolhia as meninas mais pobres. Mas, elas tinham certas tarefas para “agradecer” essa benesse: segurar o guarda-chuva da madre que saía pedindo doações, ajudar na cozinha, na limpeza...

         Talvez Freud explicasse, na psicologia, a peraltice da mamãe, sempre se destacando pela indisciplina, desobediência e atraso escolar.

         Fosse na escola, em casa ou com os colegas vizinhos, mamãe se adiantava e comandava as terríveis artes, uma moleca.

         Sim, preciso me apressar por contar onde entra o trem, a famosa Litorina na minha história.

A Vila Progresso, ficava às margens da Estrada de Ferro Central do Brasil. E, as crianças, sabendo o horário habitual de passagem da Litorina, usada por pessoas ricas e importantes, desciam o grande barranco que levavam à linha, e, com bolsas, cestas, aparavam frutas, restos de comidas embrulhadas, balas, doces...guloseimas que o pessoal da cozinha embalava e jogava pelas janelas do trem para as carentes crianças.

Com elas, disputavam as galinhas, criadas pelas famílias, às soltas pelos barrancos e dormentes.

         Mamãe, sempre, torcia para que um desses animais fosse atropelado pela Litorina. Sim, mamãe só queria ver isso. Não pensava em tragédia, ou malvadeza, não pensava, só desejava, ardentemente, que isso acontecesse. Meu Deus, pergunto-me como entender o que se passava na cabecinha dela.

Uma das tardes, quando voltava da escola, ouviu a Litorina que se aproximava. Ela estava subindo o barranco cortando o caminho que levava à sua casa quando procurou e viu o bando de galinhas e o galo ciscando a terra à beira da linha do trem. “É hoje”, pensou.

Escondeu-se atrás de um arbusto e... quando o trem estava muito próximo, sai ela, então, aos gritos, tocando os bichinhos pra baixo do trem.

O maquinista puxa a corda do apito, fazendo-o gemer muito alto, num grito de dor que de nada adiantou.

Foram voos nervosos, barulho de muitas asas se debatendo, penas pra todos os lados, mas... só o galo levou a pior, talvez no afã de salvar suas companheiras! Perdeu uma perninha e o seu sangue jorrou por todos os lados!

E a mamãe? O que será que se passou com ela?

Sempre que nos contava isso, fazia gestos, ria...parecia que fora como ela gostaria que fosse, mas não! No final da narrativa, ela fazia questão de desabafar sua culpa que levara por toda vida.

Segundos depois, ou mesmo, enquanto tudo acontecia, ela já se desesperara. Por que fizera aquilo? Não era para acontecer nada, só queria vê-los assustados e gostaria de ter rido muito... Contaria com orgulho sua peraltice.

Contou, mas levou umas cintadas da vovó e um discurso de desaprovação quase interminável.

Ah! O galo não virou o jantar. Amarraram-lhe na junta da perna e ele aprendeu a andar pulando com uma perninha só. Fora mais um castigo para mamãe que teve de se lembrar do seu mal feito durante um bom tempo.

  

 

 

 

sábado, 19 de setembro de 2020

Ingredientes

  • 4 ovos
  • 2 alheiras
  • ½ cebola
  • ½ xícara de chá de salsinha picada.
  • farinha de trigo a gosto
  • farinha de rosca a gosto
  • 1 litro de óleo para fritar por imersão
  • ½ xicara de café de azeite
  • mostarda a gosto (para servir como acompanhamento)

Modo de Preparo

  1. Pique a cebola em pedaços bem pequenos e a salsinha também bem picadinha
  2. Reserve a salsinha.
  3. Em uma frigideira coloque o azeite e leve ao fogo para aquecer, adicione a cebola e refogue por dois minutos.
  4. Tire a pele das alheiras e pique-as bem finas para que se desmanchem quando misturar.
  5. Junte as alheiras na frigideira e vá mexendo até ficarem douradas.
  6. Retire do fogo e junte a salsinha e reserve deixando esfriar.
  7. Enquanto isso, bata os ovos em um bowl, em outo coloque a farinha de trigo e em outro a farinha de rosca.
  8. Com as alheiras já frias, com uma colher de sobremesa, vá retirando as colheradas e molde os croquetes.
  9. Faça bolas médias ou pequenas com as mãos, passe os croquetes em farinha de trigo, mergulhe no ovo e passe na farinha de rosca e reserve na geladeira.
  10. Deixe os croquetes reservados na geladeira por 15 minutos e depois frite por imersão em óleo quente so para dourar.
  11. Sirva acompanhado de mostarda!

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020


 

Portugal II

         Bem, onde mesmo andávamos nós?? Ah! A caminho de Bragança, já em território Português. É uma pequena cidade muito charmosa, onde começamos a nos deparar com a cara do Brasil. Impressionante, como, ao pisar em solo português, você já se depara com fortes semelhanças com o nosso país. Semelhanças, essas, que não passam pela língua ali falada, já que temos muita dificuldade para entender um português sibilando e comendo as vogais das sílabas. Se você não presta atenção no contexto, nunca entenderá que “pru” possa ser aquela ave que matamos na véspera do Natal. Constatei, então, o que dizia o Prof Gílio nas aulas da Pós,” portugueses estão vindo ao Brasil reaprender a pronúncia de um português falado num país onde, devido às interferências da colonização e a grande distância do país de origem, desenvolveu-se mais devagar, e por isso mesmo, é muito mais bonito e compreensível que o português de Portugal que continuou sua evolução em disparada, sem interferências e galopando, guturalmente comendo as palavras”.

         Bragança, estávamos em Bragança e eu escrevi tanto que só poderei lhes descrever a pequena pensão onde pernoitamos: pequena, simples, cortininhas de chita estampada no lugar das portas, cômodos mal divididos , escuros apesar de muitos limpos e cuidados com flores perfumadas em velhos vasos... mas um BACALHAU ai Jesus!!!!!!! O nome do prato? Bacalhau à Narcisa. No jantar, depois de provarmos um vinho dos deuses, azeitonas ali mesmo do quintal, esquecemo-nos de que havíamos rido muito do nome da pensão: “Internacional”, quando arregalamos os olhos na enorme travessa que o garçon depositara sobre a mesa. Os nacos de bacalhau nadavam em mais de dois litros de puro azeite de oliva, e sobre o mesmo, uma farta camada de cebolas caramelizadas, dava água na boca.

          Ficamos, os quatro no mesmo quarto, com o banheiro no corredor e fui eu quem descobriu que para aquecer a água, tínhamos de puxar uma cordinha encardida que descia do teto. Mas dormimos como anjos, sublimados por aquele jantar celestial

         Depois de visitar o castelo onde as flores, que conhecemos como sapecas, avermelhavam os jardins, tomamos o café da manhã com “bolas “, os nossos sonhos com creme aqui do Brasil, e tomamos o carro rumo a Chaves. Ainda chovia, como choveu durante toda viagem... mas... isso é assunto para outro capitulo.

 Beijos e a bientot.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020


 

Vovô e o Cacareco

 Mamãe foi filha única e eu, a neta primogênita.

Vovô Bibo (Silvio David) fazia-me quase todos os gostos, desde me levar ao mercado para o pastel, à Sorveteria Belo para o frapê de coco, aos circos quando chegavam à cidade...fazia, ele mesmo os bolinhos caipiras os quais me levava na bacia , estupidamente ariada e limpa, só para eu não comer os da feira quando eu ia com ele : “São amassados na bacia de lavar os pés”. Não sei de onde o vovô tirava isso, mas eu acreditava.

Uma manhã, ele me chamou para irmos até a estação de trem. Era surpresa. Sentei-me no porta-bagagem de sua bicicleta e fomos. Eu o ouvia de vez em quando: “cuidado com os pezinhos na corrente”!

De longe, vi pessoas paradas, a cancela fechada e um trem parado.

Dentro de um dos vagões, um animal monstruoso, um hipopótamo enorme. Vovô me disse: “É o Cacareco, Silvinha, um candidato a deputado!”

Eu não sabia o que era um deputado, mas sabia que um bicho como aquele não poderia ser aquilo, um deputado.

Um homem se aproximou, subiu em uma escada e ergueu uma lata de querosene vazia, enorme, cheia de água. O hipopótamo abriu sua bocarra e o homem despejou o líquido goela abaixo do monstro, sem parar, até acabar.

Todos gritavam enquanto o trem partia: Viva o Cacareco! Viva o Cacareco!!!!

O pior é que ele ganharia as eleições, se os milhares de votos que ele recebeu não fossem anulados. Nunca me esqueço do dia em que conheci meu primeiro hipopótamo, o Cacareco!

 

        

 

 

 

 

sábado, 12 de setembro de 2020


 INGREDIENTES

8 gemas de ovos

200 g de açúcar refinado

essência de baunilha

1 litro de creme de leite fresco

açúcar cristal para a cobertura de caramelo

Modo de Preparo

Misture as gemas, o açúcar refinado, a baunilha e acrescente o creme de leite à mistura e misture até obter um creme homogêneo.

Leve o creme ao fogo em banho maria e mexa até que o creme forme uma fina camada na colher.

Distribua o creme em seis tigelinhas, você pode usar uma peneira para tirar possíveis bolinhas que podem ter se formado.Deixe o creme na geladeira por pelo menos 5 horas.

Coloque açúcar cristal sobre cada tigela e aqueça para formar o caramelo, o ideal é usar um maçarico culinário para dar a consistência ideal do crème brûlée.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020


 

Rumo a Portugal I

Após vários dias estudando o roteiro de viagem, partimos à Portugal. 5:15 da manhã, estávamos os quatro dentro do carro, temerosos pela chuva que caia a cântaros. Saímos com a esperança de ela seria passageira, mas após clarear o dia, às 8:30 h, descobrimos que aquele alagamento em Montengac poderia ser um prenúncio de mal tempo durante toda viagem. E foi. Aproveitamos a parada para esperar a inundação abaixar e tomamos um café da manhã.

         Estávamos cortando o norte da França até Lourdes, direção oeste. Desceríamos a Portugal pelo litoral, passando antes pelos países bascos da Espanha.

         10 h, já estávamos em Mirepoix, aquela cidade que eu já lhes descrevi, cujo mercado é todo construído pelas madeiras envelhecidas de 70 anos, lembram-se? Bem, comprei (pensés) amores-perfeitos, para oferecermos à Andrée e Claude, já que passaríamos em frente à casa deles. Cumprimentos rápidos, e voltamos à estrada. 13 h, gasolina e almoço. 16h, Lourdes.

         Chorei muito ao me ver na fila de fiéis dentro de corredores demarcados com fitas de isolamento, direcionando-nos à Gruta. Lá estava ela, cavada pelo tempo, dentro de rochas escuras e brilhantes. Eu não me contive, e, a cada passo rumo às pedras, a comoção aumentava. Chorei de soluçar quando me senti dentro daquele espaço que um dia recebera a presença de Nossa Senhora de Lourdes. Logo na entrada, do lado esquerdo, o lugar onde Bernadete, orientada por Nossa Senhora, orava, jejuava, tomava da água que ainda jorra na gruta, alimentando-se da relva que ali crescia, esperando as aparições. As pedras que serviram de altar para a presença da Virgem, já estão gastas pelas imposições das mãos e testas dos fiéis que não resistem e as tocam, enquanto passam por ali naquela fila quase ininterrupta de orações, choros e crença.

Retomei a fila várias vezes, chorando e rezando, pedindo pelas pessoas que eu amava aqui no Brasil, amigos, conhecidos, e estava sempre com a sensação de que precisava voltar porque havia me esquecido de interceder por alguém de quem eu havia me esquecido nas minhas preces.

Ao lado, a construção da Catedral subterrânea, atrai a atenção dos visitantes pelo seu tamanho descomunal, capaz de abrigar missas e procissões nos tempos de chuva ou neve. Após trocar algumas medalhas, santinhas com água de Lourdes, pernoitamos num hotel simples, mas aconchegante de uma coreana.

No outro dia de manhã, ainda em terras francesas, após duas horas de viagem, já tínhamos, então, atravessado completamente a França, desde o Mar Mediterrâneo, na nossa região, até Biarritz, onde paramos para tomar um lanche num Café cuja vista panorâmica, punha-nos de frente com o Oceano Atlântico. Só aí acreditei termos percorrido a França de ponta a ponta. E só ali, reencontrei praias de areia fina e ondas lindas como as nossas. A cidade me lembrou Monte Carlo, e as luxuosas mansões a caminho de Saint Jean de Luz pareceram-me a região de Saint Tropez na Cote d´Azur.

Entramos nos Pays Basques às 10 h., sempre au bord de la mer. Até Guetary, as casas são típicas com sacadas e enfeites em madeira, tudo pintado com cores fortes, berrantes mesmo. E depois de Saint Jean de Luz, chegamos à fronteira com a Espanha. Antoine comprou vinho.

Saint Sebastian... café em Tolosa... Burgo... almoço em Vailladolid...e já às 4:h da tarde, na N 620, paramos num posto de gasolina sem repararmos que a região era hostil a franceses. O garçon reparou a chapa do nosso carro e nos tratou muito mal. Quando perguntamos porque ele não parava de enxugar as mais de cem xícaras de cafezinho sobre o balcão para nos atender, e para que tantas xícaras expostas, ele disse que ele mesmo iria tomar café em todas elas e que esperássemos. Foi aí que meu cunhado, filho de espanhóis, compreendeu pelo sotaque dele, a descendência basca e lembrou ser ali, uma região perigosa para nós. Começou, então, a gritar como louco que gostaria que ele chamasse o patrão. Mas, empregado é empregado em qualquer lugar. O garçon tratou de abaixar o tom e repetiu várias vezes: Perdona me! Perdona me!

Depois de passarmos, sem parar, por Cigugñela, cidade dos pais de Robert, chegamos em Zamora, onde paramos para fotografar os ninhos de cegonhas nas torres das igrejas. Paisagens lindas nas estradas: muralhas medievais, pontes, castelos... Já era noite quando alcançamos terras portuguesas. Às 19 h, paramos em Bragança.

Bem, mas esse é um assunto para o próximo capítulo. Au revoir!!!

Rumo a Portugal I

Após vários dias estudando o roteiro de viagem, partimos à Portugal. 5:15 da manhã, estávamos os quatro dentro do carro, temerosos pela chuva que caia a cântaros. Saímos com a esperança de ela seria passageira, mas após clarear o dia, às 8:30 h, descobrimos que aquele alagamento em Montengac poderia ser um prenúncio de mal tempo durante toda viagem. E foi. Aproveitamos a parada para esperar a inundação abaixar e tomamos um café da manhã.

         Estávamos cortando o norte da França até Lourdes, direção oeste. Desceríamos a Portugal pelo litoral, passando antes pelos países bascos da Espanha.

         10 h, já estávamos em Mirepoix, aquela cidade que eu já lhes descrevi, cujo mercado é todo construído pelas madeiras envelhecidas de 70 anos, lembram-se? Bem, comprei (pensés) amores-perfeitos, para oferecermos à Andrée e Claude, já que passaríamos em frente à casa deles. Cumprimentos rápidos, e voltamos à estrada. 13 h, gasolina e almoço. 16h, Lourdes.

         Chorei muito ao me ver na fila de fiéis dentro de corredores demarcados com fitas de isolamento, direcionando-nos à Gruta. Lá estava ela, cavada pelo tempo, dentro de rochas escuras e brilhantes. Eu não me contive, e, a cada passo rumo às pedras, a comoção aumentava. Chorei de soluçar quando me senti dentro daquele espaço que um dia recebera a presença de Nossa Senhora de Lourdes. Logo na entrada, do lado esquerdo, o lugar onde Bernadete, orientada por Nossa Senhora, orava, jejuava, tomava da água que ainda jorra na gruta, alimentando-se da relva que ali crescia, esperando as aparições. As pedras que serviram de altar para a presença da Virgem, já estão gastas pelas imposições das mãos e testas dos fiéis que não resistem e as tocam, enquanto passam por ali naquela fila quase ininterrupta de orações, choros e crença.

Retomei a fila várias vezes, chorando e rezando, pedindo pelas pessoas que eu amava aqui no Brasil, amigos, conhecidos, e estava sempre com a sensação de que precisava voltar porque havia me esquecido de interceder por alguém de quem eu havia me esquecido nas minhas preces.

Ao lado, a construção da Catedral subterrânea, atrai a atenção dos visitantes pelo seu tamanho descomunal, capaz de abrigar missas e procissões nos tempos de chuva ou neve. Após trocar algumas medalhas, santinhas com água de Lourdes, pernoitamos num hotel simples, mas aconchegante de uma coreana.

No outro dia de manhã, ainda em terras francesas, após duas horas de viagem, já tínhamos, então, atravessado completamente a França, desde o Mar Mediterrâneo, na nossa região, até Biarritz, onde paramos para tomar um lanche num Café cuja vista panorâmica, punha-nos de frente com o Oceano Atlântico. Só aí acreditei termos percorrido a França de ponta a ponta. E só ali, reencontrei praias de areia fina e ondas lindas como as nossas. A cidade me lembrou Monte Carlo, e as luxuosas mansões a caminho de Saint Jean de Luz pareceram-me a região de Saint Tropez na Cote d´Azur.

Entramos nos Pays Basques às 10 h., sempre au bord de la mer. Até Guetary, as casas são típicas com sacadas e enfeites em madeira, tudo pintado com cores fortes, berrantes mesmo. E depois de Saint Jean de Luz, chegamos à fronteira com a Espanha. Antoine comprou vinho.

Saint Sebastian... café em Tolosa... Burgo... almoço em Vailladolid...e já às 4:h da tarde, na N 620, paramos num posto de gasolina sem repararmos que a região era hostil a franceses. O garçon reparou a chapa do nosso carro e nos tratou muito mal. Quando perguntamos porque ele não parava de enxugar as mais de cem xícaras de cafezinho sobre o balcão para nos atender, e para que tantas xícaras expostas, ele disse que ele mesmo iria tomar café em todas elas e que esperássemos. Foi aí que meu cunhado, filho de espanhóis, compreendeu pelo sotaque dele, a descendência basca e lembrou ser ali, uma região perigosa para nós. Começou, então, a gritar como louco que gostaria que ele chamasse o patrão. Mas, empregado é empregado em qualquer lugar. O garçon tratou de abaixar o tom e repetiu várias vezes: Perdona me! Perdona me!

Depois de passarmos, sem parar, por Cigugñela, cidade dos pais de Robert, chegamos em Zamora, onde paramos para fotografar os ninhos de cegonhas nas torres das igrejas. Paisagens lindas nas estradas: muralhas medievais, pontes, castelos... Já era noite quando alcançamos terras portuguesas. Às 19 h, paramos em Bragança.

Bem, mas esse é um assunto para o próximo capítulo. Au revoir!!!

terça-feira, 8 de setembro de 2020


  O Trem

Chem Chem Chem...Piiuuuiiiiiiuuuuuuu
Que figura bucólica, poética e nostálgica!
Esse é o som que atrai, apela aos sentidos
Antecede a cena da fumaça na chaminé!

Na curva, seu aparecimento é estreia
O coração acelera: “Lá vem ela!”
A Maria Fumaça da nossa infância
Resfolegando na ladeira florida

Trilhos previsíveis, infinitos e toscos
Pedras justapostas e dormentes gastos
Levam a Maria por estradinhas belas
Entre arbustos, pontes e margaridas amarelas

Chem, Chem, Chem... Piiiiiuuuuiiiiuuuuuuu
Alerta aos desavisados... Estou chegando
Trago amores, levo sonhos, levo verdade
De que tudo chega onde tem de chegar
Esperança para alguns, fim da linha para outros
É assim... por isso gostamos tanto dela
Da Maria Fumaça que parece viva, um ser doce
De um balanço que acalanta passageiros
Mas que um dia, como a vida, indubitavelmente
Há de chegar ao seu destino final 

quinta-feira, 3 de setembro de 2020


 Antoine sua Tarascon, Provence

Hoje, transcrevo para meus leitores, uma carta do meu marido. Eu vou traduzi-la para o português.
“Sou francês, mas pouco conheço a arte vinícola. Para mim, um vinho é bom, quando a gente se identifica com ele. Não existe vinho bom ou ruim. Experimenta-se, gosta-se ou não. É assim que eu costumo determinar a qualidade dessa bebida.
Entretanto, tenho algumas lembranças, da minha juventude, as quais, hoje, reconheço como básicas a quem pretende ser um apreciador da bebida de Baco. Não me tornei um enólogo, como já disse, mas um “conesseur”. 
Vamos às lembranças. Tarascon, minha cidade natal, fica na Provence, Sul da França, onde podemos encontrar uma profusão de castelos de todas as épocas e estilos, desde as ruínas romanas, passando pelos medievais até os mais recentes da época renascentista.
Corta essa região, o Rio Rhône, citado diversas vêzes por minha mulher nesta coluna. Segundo rio em importância na Europa, ele levou suas águas para desaguar em Genebra, terra dos Grandes Bancos, da liberdade soberana, da riqueza e da tecnologia.
E é lá em Tarascon, em uma das margens do Rio Rhône, onde fica o Château du Roi René. Início de construção, 74 D.C. Várias reformas para, na época medieval, ter sua construção acabada em todo seu esplendor no reinado de René que o usava nas estações de veraneio. Um dos castelos mais visitados na França, ele deve sua reputação por ser também um dos mais conservados do país. Seguramente, é verdade, pois, o filme “Prise de la Bastille”, sobre a Revolução Francesa, usou esse castelo como local de filmagem e o povo de Tarascon como figurantes.
Os castelos renascentistas são mais luxuosos, conservam a autenticidade das mobílias, jardins suntuosos, e são mais comuns na região que vai de Paris à Vallé de Loire, como os famosos de Chantilly e Versailles.
Mais recentemente na linha do tempo, surgem nas regiões dos grandes vinhos franceses, castelos de construções estilosas e ricas pertencentes aos seus renomados produtores. São chamados “domaine”, o castelo e a vinha a perder de vista ao seu redor. Assim, nasceram as grandes marcas, mundialmente conhecidas, inclusive o champanhe que tem suas raízes monásticas atribuídas a um monge que teria acidentalmente encontrado a receita desse “pecado de prazer”.
É, pois, numa paisagem como essa onde eu me vejo, aos dez anos de idade, levado pelo meu pai para trabalhar com ele, engajados na “vendímia”, colheita de uvas. Os trabalhadores eram administrados por um italiano que terceirizava a colheita. A convivência com ele e seus conterrâneos, também trazidos da Itália, valeu-me a primeira e estreita relação com a cultura italiana. Nos almoços, aprendi a degustar um espaguete ao sugo de cogumelos colhidos ali mesmo, debaixo dos pés de uvas, ou um belo assado de lebres ali mesmo tocaiadas e laçadas pelos trabalhadores.
Meu pai trabalhava como um dos transportadores das uvas colhidas por nós das “souches” (parreiras). Cada colhedor levava seu balde cheio e o esvaziava nas metades de tonéis com alças que os transportadores, como meu pai, levavam sobre a cabeça protegida por uma rodilha de pano, até uma caçamba que ficava a uns 300m do local, e que era puxada por cavalos. Dali, as uvas colhidas eram levadas à “cave” onde seriam despejadas no “pressoir”, primeira etapa na fabricação do vinho.
A nossa atividade de colhedores não era fácil, parece simples arrancar manualmente os cachos de uvas, mas esses oferecem uma resistência nada fraca. Além do cansaço desse movimento, amiúde deparávamos com vespeiros formados entre os galhos, sendo quase impossível não sermos picados no rosto ou nas mãos.
  O ritmo e a qualidade do trabalho eram controlados por fiscais, a fim de manter a uniformidade no avanço da turma. Ninguém podia ficar para trás e nem deixar frutas desperdiçadas no campo. Esse cuidado todo era porque o serviço tinha datas de início e término bem definidas. O contrato era feito à base de “forfait” (empreitada) e se ganhava por produção. Os italianos tinham pressa de ganhar dinheiro nesses serviços temporários, queriam voltar logo para a Itália. Até hoje, eu não sei como conseguia, com apenas dez anos, acompanhar o ritmo daquela frente de trabalho. Só muito mais tarde, eu compreendi a ajuda silenciosa que meu pai me prestava quando, ao vir buscar seu tonel com uvas, ele “adiantava” comigo minha fileira de “souches” a ser colhida. As parreiras de uvas na França, são enfileiradas e baixas, não passam de nossa cintura, sustentadas por estacas e arames, mal comparando, como uma plantação de tomates. Já em Portugal, elas correm por cima, em caramanchões, como nós as conhecemos aqui no Brasil.
Mas, não foram só de espinhos, aquele tempo. A boa cozinha italiana, os primeiros muitos copos de vinho permitidos por meu pai, as precoces idas com as namoradinhas italianas, à noite, nas vinhas perfumadas, valeram-me uma sensação que ficaria para sempre, de que a felicidade tem o sabor e a cor de uma boa taça de vinho tinto, encorpado e seco, ou mesmo de um moscatel doce e gelado tomado depois de tudo acontecer.”
Tim-tim!!!
À bientot!



terça-feira, 1 de setembro de 2020





 

Preto  e Branco

A vida  em  preto e branco

É como  a calçada  longa

Debaixo  das amendoeiras

Que se deixam  em fila

 Sombreando a noite

Que se desfolha ao vento

Sob meus pés  cansados ...

 

Caminho desfilando a vida

Coração único  latejando

... Cão  vadio errante

Nesta noite  morta

De verão  azedo...