quinta-feira, 28 de maio de 2020

Ex Marido

Não quero mais você

...mas quero sua presença

Não quero me me olhe

...Mas me arrumo pra você

Não quero que você venha

...mas o espero acada segundo

Não quero ouvi-lo mais

...mas a qualquer ruído penso em você

Você não virá pro lanche

...mas faço o que você gosta

Você foi embora

Também...eu não o queria mais…

Só que não estou vivendo sem você…

terça-feira, 26 de maio de 2020

Pressentimento

Eu não o conhecia
Mas já sabia
Que você viria
E já o esperava
E me preparava
Pra sua chegada
De todas, diferente
Numa manhã poente
Minha estrela cadente
Desafiando espaços
Tempo sem compasso
De um eterno chegar

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Compulsório e filosófico

Com o regador em mãos, saio na calçada para regar minhas duas mudas de dama da noite. Olho
para o céu. Nem sinal de chuva. Um maio seco e ameaçador. Há um mês não rego minhas pequenas
árvores, uma numa ponta, outra em outra ponta da calçada. Não saio do portão para fora faz dois meses.
Dois dias após a morte da mamãe. Olho para um lado, para o outro, nada. Puxo o portão, e , como
personagem de um filme de ficção, mascarada, desafio a mim mesma e atravesso a rua...estranho, espaços
se mostram nos detalhes, já que tudo o que vejo é físico e matéria. Pedriscos da calçada, florezinhas
campesinas azuis, vermelhas, amarelas, margaridinhas brancas, minúsculas teimam, agora, seu viço
colorido sem a ameaça dos pés que as esmagavam. O asfalto negro arreganha suas rachaduras, antes,
quase imperceptíveis. Desço a rua, a minha rua... Agora, tenho medo, acho que não devia... Senti
saudade do percurso quando passeava com meu cachorro Zac que também se foi. O coração acelera... nó
na garganta. Continuo andando. Ruído algum. As casas vizinhas fechadas, com um ar de abandonadas.
Nem sinal de vida, nenhum.

Olho para frente, passos robóticos, estou no automático e, pensamentos do que vi na TV todos
esses dias, neste momento era mais que real. Sem as barreiras das paredes de casa, senti-me nua,
vulnerável e frágil.

É como se só pudesse constatar a verdade das notícias as quais, além de esfregar em nossos
sentidos a leveza do nosso ser, escancaram também, na telinha, a onda que invadiu nosso planeta. Onda
enorme cujo barulho de chegada só grita, cada vez mais perto: olhem uns pelos outros, chega da
arrogância egoísta, aprendam a humildade da obediência, saúde não se compra, valorizem os cientistas,
aqueçam sua fé, solidarizem-se uns com os outros....
Então, pensei, nada vem em vão. O mundo está aprendendo a dividir, ajudar, ouvir, criar, amar,
sentir falta... Ah! Um abraço bem apertado... como é bom... hoje sabemos o quanto. Nunca um
momento nos escancarou com tanta resolução de imagem, nossos irmãos de ruas, das favelas, nossos
índios e sua ingenuidade... Antes os adivinhávamos, hoje, os conhecemos, ouvimos seus nomes,
assistimos suas lágrimas, vemos seus rostos, seus endereços, são mais presentes que nunca...

Não pedimos que fosse desse jeito. Claro que não. Mas uma micropartícula mudou o planeta.
Sim, ela sacudiu consciências e fez tremer poderes, cutucou sentimentos ímpares onde estava morno e
estagnado, focado na vitória da matéria, longe do que é essencial e bom para o espírito, edificante para a
Terra mãe e sua natureza.

Minha rua ainda nem terminara e, em meio a um turbilhão de pensamentos que só fazem
amadurecer nossa alma, encontrei alguns seres como eu: mascarados, receosos e pensativos, paisagem
bizarra por onde vacilam seres destinados à sorte.

Então, um arrepio e um som me chamaram a atenção, como me tirando daquela estranheza, o
canto de um pássaro conseguiu ultrapassar a barreira do meu torpor. E eu sorri, senti vontade de
responder como sempre faço com os bem-te-vi. Não estava tão sozinha. Havia pássaros!...
Lembrei-me das mensagens dos meus filhos que me chegam em vídeo, das atitudes voluntárias dos
grupos sociais e anônimos, das promessas científicas na sua corrida louca à evolução, o uso de máscaras,
comportamentos de higiene, delivery mandando vir produtos dos vizinhos, dos bairros e das lojas que se

reinventam, tantos progressos humanos, solidários, espirituais e de fé, tudo isso e muito mais, mudar-nos-
á para sempre,

Então, um arrepio e um som me chamaram a atenção, como que me tirando daquela estranheza, e
da viagem pra dentro de mim mesma: o canto de um pássaro conseguiu ultrapassar a barreira do meu
torpor. E eu sorri, senti vontade de responder como sempre faço com os bem-te-vi. Não estava tão sozinha
na minha rua! Havia pássaros!... O céu estava mais azul... Outros momentos planetários como este já
vieram e se foram deixando legados de impulso para uma nova maneira de se aprender o mudo!

Uma vez em casa, tirei a máscara, voltei a mim mesma, e sem esquecer o momento, mas
esperançosa, continuei regando minhas plantinhas do jardim e do quintal. Vai passar, tudo vai passar.

quinta-feira, 21 de maio de 2020


Convite

se eu pudesse
te ensinar a vida
um caminhar descalço
por caminho incertos
despojar-se do esperado
e arriscar-se no improviso
do deixar acontecer
poderia ser
que meu mundo te encantasse
você meu amante se tornasse

num eterno entardecer

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Esperar

O telefone não toca

Sua voz não ecoa

Seus olhos não surgem

No escuro de estar só

...Suas mãos se negam

Seus passos não chegam

Perdem-se no caminho do longe

Labirinto proposital

De se debater em vão

...e você não é nem está

O que foi não existe

Acho que só foi um sonho

Muito mal sonhado…

terça-feira, 19 de maio de 2020

Me deparei com este poema escrito em 1869, reimpresso durante a pandemia de 1919.

Isso é atemporal...

Foi escrito em 1869 por Kathleen O’Mara:

E as pessoas ficaram em casa
E leram livros
E ouviram música
E elas descansaram
E fizeram exercícios
E produziram arte e jogos
E aprenderam novas maneiras de ser
E pararam e escutaram
Mais profundamente
Alguém meditou, alguém orou
Alguém encontrou sua sombra
E as pessoas começaram a pensar de forma diferente
E pessoas foram curadas.
E na ausência de pessoas que
Viveram de maneiras ignorantes
Perigosas, sem sentido e sem coração,
A terra também começou a se curar
E quando o perigo terminou e
As pessoas se viram
Elas sofriam pelos mortos
E fizeram novas escolhas
E sonharam com novas visões
E criaram novas formas de viver
E curaram completamente a terra
Assim como elas foram curadas.

Reimpresso durante a gripe espanhola na
pandemia de1919
Foto tirada durante a gripe espanhola
Na Varanda

Noite sem lua
Chuva fria
Alma vazia
Espera tanta
Cadeira vazia
Varanda nua
Da presença de você

quinta-feira, 14 de maio de 2020


Compulsório e filosófico

           
            Com o regador em mãos, saio na calçada para regar minhas duas mudas de dama da noite. Olho para o céu. Nem sinal de chuva. Um maio seco e ameaçador. Há um mês não rego minhas pequenas árvores, uma numa ponta, outra em outra ponta da calçada. Não saio do portão para fora faz dois meses. Dois dias após a morte da mamãe. Olho para um lado, para o outro, nada. Puxo o portão, e , como personagem de um filme de ficção, mascarada, desafio a mim mesma e atravesso a rua...estranho, espaços se mostram nos detalhes, já que tudo o que vejo é físico e matéria. Pedriscos da calçada, florezinhas campesinas azuis, vermelhas, amarelas, margaridinhas brancas, minúsculas teimam, agora, seu viço colorido sem a ameaça dos pés que as esmagavam. O asfalto negro arreganha suas rachaduras, antes, quase imperceptíveis. Desço a rua, a minha rua… Agora, tenho medo, acho que não devia… Senti saudade do percurso quando passeava com meu cachorro Zac que também se foi. O coração acelera… nó na garganta. Continuo andando. Ruído algum. As casas vizinhas fechadas, com um ar de abandonadas. Nem sinal de vida, nenhum.
            Olho para frente, passos robóticos, estou no automático e, pensamentos do que vi na TV todos esses dias, neste momento era mais que real. Sem as barreiras das paredes de casa, senti-me nua, vulnerável e frágil.
            É  como se só pudesse constatar a verdade das notícias as quais,  além de esfregar em nossos sentidos a leveza do nosso ser, escancaram também, na telinha, a onda que invadiu nosso planeta. Onda enorme cujo barulho de chegada só grita, cada vez mais perto: olhem uns pelos outros, chega da arrogância egoísta, aprendam a humildade da obediência, saúde não se compra, valorizem os cientistas, aqueçam sua fé, solidarizem-se uns com os outros….
            Então, pensei, nada vem em vão. O mundo está aprendendo a dividir, ajudar, ouvir, criar, amar, sentir falta… Ah! Um abraço bem apertado… como é bom… hoje sabemos o quanto. Nunca um momento nos escancarou com tanta resolução de imagem, nossos irmãos de ruas, das favelas, nossos índios e sua ingenuidade… Antes os adivinhávamos, hoje, os conhecemos, ouvimos seus nomes, assistimos suas lágrimas, vemos seus rostos, seus endereços, são mais presentes que nunca...
            Não pedimos que fosse desse jeito. Claro que não. Mas uma micropartícula mudou o planeta. Sim, ela sacudiu consciências e fez tremer poderes, cutucou sentimentos ímpares onde  estava morno e estagnado, focado na vitória da matéria, longe do que é essencial e bom para o espírito, edificante para a Terra mãe e sua natureza.
            Minha rua ainda nem terminara e, em meio a um turbilhão de pensamentos que só fazem amadurecer nossa alma, encontrei alguns seres como eu: mascarados, receosos e pensativos, paisagem bizarra por onde vacilam seres destinados à sorte.
            Então, um arrepio e um som me chamaram a atenção, como me tirando daquela estranheza, o canto de um pássaro conseguiu ultrapassar a barreira do meu torpor. E eu sorri, senti vontade de responder como sempre faço com os bem-te-vi. Não estava tão sozinha. Havia pássaros!…         Lembrei-me das mensagens dos meus filhos que me chegam em vídeo, das atitudes voluntárias dos grupos sociais e anônimos, das promessas científicas na sua corrida louca à evolução, o uso de máscaras, comportamentos de higiene, delivery mandando vir produtos dos vizinhos, dos bairros e das lojas que se reinventam, tantos progressos humanos, solidários, espirituais e de fé, tudo isso e muito mais, mudar-nos-á para sempre,
            Então, um arrepio e um som me chamaram a atenção, como que me tirando daquela estranheza, e da viagem pra dentro de mim mesma: o canto de um pássaro conseguiu ultrapassar a barreira do meu torpor. E eu sorri, senti vontade de responder como sempre faço com os bem-te-vi. Não estava tão sozinha na minha rua! Havia pássaros!… O céu estava mais azul… Outros momentos planetários como este já vieram e se foram deixando legados de impulso para uma nova maneira de se aprender o mudo!
            Uma vez em casa, tirei a máscara, voltei a mim mesma, e sem esquecer o momento, mas esperançosa, continuei regando minhas plantinhas do jardim e do quintal. Vai passar, tudo vai passar.
           






terça-feira, 12 de maio de 2020

Tristeza

o vento não veio
o mar ficou feio
o champagne azedou
na areia mofada
cores molhadas
bêbados amores
líquidos temores
ensopando a noite
que nunca chegou

segunda-feira, 11 de maio de 2020

www.instagram.com/silvinhasilmoes
Blog: www.silvinhaletraseartes.blogspot.com

Poesia é um fenômeno misterioso. Julgá-la boa ou ruim é uma atitude pretensiosa. Convencionou-se ver o poeta como cantor da penumbra e da amargura. O desencanto é a sua tônica. Mas uma coisa é inegável: a arte provoca choque, Ao me deparar-me com este conjunto, senti o inesgotável da poesia, a quebra do convencional.
O que senti envergonhou-me a princípio: redescobri o otimismo. Coisa estranha, como choca! A poesia do dia, do sol, da energia yang: “...e a noite escura só será bem vinda/ se com ela resplandecer a lua ladra de luz/ esperança eterna do nascer do rei...”
Os afoitos irão bradar o corriqueiro do tema para justificar suas superficialidades. Pobres falaciosos! Até que teria algum sentido, estamos, hoje, envolvidos numa onda de mudanças que aterroriza o mundo.
Mas a arte não é mero reflexo. Nas mãos e nos íntimos dos artistas, ela antecipa. Vivemos uma economia desestruturada de corrupção, violência, espíritos em frangalhos, arte do abismo, caos.
Na contra mão,a Sílvia, a sua poesia, a sua luz, o seu otimismo. Sempre cantando “Pra lua nua” que se apaixonou pelo “viajor desgarrado” e “Inventaram o dia”.
Aqueles que exigem pouco da poesia se transportam para ela e estacionam na sua superfície, não levam as suas almas, não enxergam a alma do poeta.
Que pena! Há brilhantes fabulosos!
Brilha, Sílvia!
www.instagram.com/silvinhasilmoes
Blog: www.silvinhaletraseartes.blogspot.com

A menina da Vila das Graças, poderia ser qualquer menina nascida numa vila operária entre as décadas de 50, 60...
Época do êxodo do homem do campo para a cidade, os contos com início, meio e fim, de capítulo em capítulo, vão desdobrando as peripécias da menina ao mesmo tempo que, de pano de fundo, sutilmente, abordam os costumes, locais, registros reais da vida de uma população dependente das indústrias e da segurança da carteira assinada que lhes faltava na lavoura de café ou na pecuária.
O pároco, o barbeiro, a quitanda dos japoneses, o armazém do italiano compõem o cenário por onde a menina corria, sonhava, fantasiava, vivia os faz-de-conta, sempre balançando as tranças e deixando parecer sua covinha linda naquele sorriso que encantava e a popularizava.
Menina da Vila das Graças faz lembranças reviverem, histórias revelarem a sensibilidade de um tempo puro, famílias imigrantes e brasileiras num encontro de amor, carinho e sorrisos frouxos... Vila das Graças e a menina que sonhava...
www.instagram.com/silvinhasilmoes
Blog: www.silvinhaletraseartes.blogspot.com

La petite fille de Vila das Gracas pourrait être n'importe quelle petite fille née dans un village ouvrier entre les années 50 et 60 ... Époque de l'exode du paysan vers la ville, les contes avec le début, milieu et fin, de chapitre en chapitre, vont déroulant les aventures de la petite fille en même temps que, en arrière-plan, ils abordent subtilement les coutumes locales, de véritables enregistrements de la vie d'une population dépendante des industries et de la sécurité de la carte de travail signée, qui leur manquait dans les plantations de café ou dans l'élevage du bétail.
Le curé, le barbier, l'épicerie du japonais, l'entrepôt de l'italien composent la scène où la jeune fille a couru, rêvé, vivant à faire semblant, balançant toujours ses tresses et laissant les familles immigrées et brésiliennes dans une rencontre d'amour, d' affection et de sourires lâches ... ressemblent à votre belle fossette dans ce sourire qui l'a enchantée et popularisée.
La petite fille de Vila das Graças fait revivre des souvenirs, les histoires révèlent la sensibilité d'un temps pur, des familles immigrées et brésiliennes dans une rencontre d'amour, d'affection et d'un sourire lâche ... Vila das Graças et la fille qui rêvait .

segunda-feira, 4 de maio de 2020

www.instagram.com/silvinhasilmoes
Blog: www.silvinhaletraseartes.blogspot.com

https://www.amazon.com/-/pt/dp/B087L8SMY3

A menina da Vila das Graças, poderia ser qualquer menina nascida numa vila operária entre as décadas de 50, 60...Época do êxodo do homem do campo para a cidade, os contos com início, meio e fim, de capítulo em capítulo, vão desdobrando as peripécias da menina ao mesmo tempo que, de pano de fundo, sutilmente, abordam os costumes, locais, registros reais da vida de uma população dependente das indústrias e da segurança da carteira assinada que lhes faltava na lavoura de café ou na pecuária. O pároco, o barbeiro, a quitanda dos japoneses, o armazém do italiano compõem o cenário por onde a menina corria, sonhava, fantasiava, vivia os faz-de-conta, sempre balançando as tranças e deixando parecer sua covinha linda naquele sorriso que encantava e a popularizava. Menina da Vila das Graças faz lembranças reviverem, histórias revelarem a sensibilidade de um tempo puro, famílias imigrantes e brasileiras num encontro de amor, carinho e sorrisos frouxos... Vila das Graças e a menina que sonhava..