Vá embora 2020
Quero ver o tempo
Comer o sal da terra
Até envelhecer
De não mudar
E de rotina
Se abandonar
Verei um dia
A terra entediada
Se desintegrar
E o tempo vencido
Cambaleante e frágil
Na esquina do nada
Agonizar
Feliz 2021
Sua Foto
Sua
foto
Encantou-me
Um
“tudo bem?”
Jogou-me
Num
túnel
Corri
até o final
Em
busca de luz
A
luz era você
Parei
à sua frente
Tête-à-tête
Respiração
Com
respiração
Seu
rosto corado
Gotinhas
de suor
Na
testa salgada
Sol
causticante
Céu
azul demais
Seus
olhos
Azuis
demais
Que
me fitavam
Ávidos
de mim
Borboletas
Voltaram
ao meu peito
Coração
balançava
Descompassado
E
eu ganhei o mar
No
sal do seu suor
No
azul dos seus olhos
Nas
ondas do amor
Que
iam e vinham
Num
balé infinito
Nossos
pés na areia morna
Era
tão real
Que
chorei a saudade
Mas
você estava ali
Na
foto
Minha
paixão acordou
Mãos
nas mãos
Apertavam-se
Com
força
Estávamos
Corpo
a corpo
Entorpecidos
Amantes
no tempo
Que
nos escapava
Real
fugidio
O
túnel me sugava
Eu
te vi ficando
Cada
vez mais longe
A
foto amarelando-se
Mais
uma vez
Tínhamos
tudo que…
Poderia
ter acontecido
Mas
não aconteceu...
Move o Universo
Que move moléculas
Movimento quântico
Ondas energéticas
Interferindo nas vidas
Sacudindo poeira cósmica
Meteoritos imprevisíveis
Como imprevisível é o poeta
Que hoje se contamina
Da imprescindível ciência
Nunca a fragilidade do ser
Foi tão cantada em versos
E prosas poéticas filosóficas
Por que o amor hoje
Não pode ser só o amor
Não pode se ater às rimas
Ricas ou pobres a, b, c ou d
Elas são aspirais de luzes
Para falar do valor da diferença
Onde não cabe mais violência
Temos de espantar nuvens pesadas
E atrair com mantras benditos
A paz dos monges poetas
A existência do Amor, da Flor
Da Energia Lilás e das Musas
Na constelação da Vitória Régia!
Sou o cheiro da terra
Sou a flor amarela
Sou a brisa leve
E a música que encanta
O sorriso das crianças
A pera doce no pé
Sou a mata do índio
Sou as pedras do rio
Sou o barco do igarapé
Se enquanto gente
Não sou nada
No Universo sou o tudo
Repito-me nas coisas
Que se repetem no vazio
E na leveza deste ser
Alinhavo meu infinito
Qualquer domingo de um mês de, abril, poderá ser, com certeza, um
excelente dia para um passeio pelas redondezas no sul da França.
Em plena primavera, as flores invadem jardins públicos, rotatórias, campos,
montanhetas, fontes, jardins das casas e as jardineiras das janelas. Para onde
você olha, lá estarão elas colorindo tudo, verdadeiros lençóis de
patche-work:
Os vermelhos cocquelicots, (papoulas), os roxos, bordeaux, azuis, rosas e
brancos iris, os amarelos e perfumados jeunés, os pequeninos e também amarelos
bouttons d´or, as dálias, as rosas, os pensés (amores-perfeitos), os brancos
narcisos...Mas são campos inteiros floridos...mares vermelhos de cocquelicots,
brancos de narcisos, amarelos de jeunés e assim por diante.
Foi durante o inverno, ainda em Londres, no High Parck, onde eu me
deparei com as teimosas colchicas pela
primeira vez.
São flores pequeninas em branco e rosa, que rompem a neve no final do
inverno e mostram seu caule de poucos centímetros, mas forte o suficiente para
ostentar uma corola de pétalas frágeis, colorindo a fina camada de gelo, ou o
gramado dos parques e prados, no início da primavera. Na Provence, elas
enfeitam os sopés das montanhas dos Alpesnesta mesma época.
E é num ambiente assim florido que acontecem os dias de Páscoa.
Diferentemente do Brasil, a segunda feira posterior ao Domingo da Ressurreição
é o dia mais festivo da semana e também,o Dia Nacional do Piquenique.
Como tradição secular, principalmente na região da nossa Tarascon, os
católicos se dirigem à Abadia de Frigolet, logo de manhã bem cedo. Assistem à
missa e caminham até o campo do convento. Debaixo dos cedros perfumados, estão
os carros demarcando os lugares escolhidos para o esperado piquenique. Cada
família então, retira do porta-malas os apetrechos e comidas: queijos, salames,
presuntos cru e cozido, patês, azeitonas, tomates, pepinos, ovos, pães, vinhos,
doces e café.
Ao sol, arranjam-se as mesas e cadeiras com os quitutes.
Dali do bosque de cedros, ao som gostoso da brisa doce, podem ainda ser
vistas a Igreja e a Abadia ao fundo. Medieval e austera, guardam o segredo do
saboroso Licor de Frigolet feito e comercializado pelos freis. Dali, para o
mundo todo, espalha-se a magia desse licor que mistura os mais requintados
sabores e perfumes das ervas que crescem nas montanhetas ao redor do Convento,
as famosas ervas de Provence.
Após o piquenique, tudo guardado e limpo, bem ao modo europeu, abandona-se o
lugar e volta-se ao campo atrás da Igreja, onde acontecem as apresentações de
diversas congregações folclóricas e religiosas. As Arlesianas são mulheres de
todas as idades que comparecem em roupas do século XVIII e início do XIX.
Vestidos luxuosos, anquinhas, capinhas de renda branca sobre os ombros,
sapatos de época, sombrinhas, cabelos penteados da mesma maneira, presos no
alto da cabeça, e enfeitados com rendas brancas e engomadas, fazem o rico
visual das damas. Seus cavalheiros também em fraques de época e alinhados
completam a cena. Bandas de Pífanos, animam o ambiente tocando as farandolas
medievais que são dançadas pelos grupos de artistas vindos de todo canto.
Batalhas medievais entre cavaleiros em armaduras, dão um toque cinematográfico
à festa...
Na volta para casa, reparamos no verde dos Platanus. Há bem poucos dias,
eles estavam nus, e agora, já exibem as folhas de um verde “novinho em folha”.
Daqui a duas semanas, estarão novamente cobrindo as estradas do sul da França,
como um túnel infinito.
São assim, as passagens de estações na Europa, verdadeiras explosões de trocas
de paisagens e acontecimentos. Cada fase da Natureza uma nova magia, uma nova
força sacudindo o cotidiano.
Contam-nos, dois sobrinhos franceses que moram no Thaiti, Guy e Bernard, que,
segundo estudos feitos por psicólogos daquela região, a mesmice entre as trocas
das estações do ano em regiões tropicais, onde o sol, chuva e um pouco de frio
intercalam-se indiferentemente durante todo o ano, é culpada pela depressão muito
presente entre os nativos e moradores das ilhas daquele arquipélago. Os dois
afirmam ser essa uma grande verdade e sonham com a força explosiva da Natureza
européia revolvendo tudo.
Será assim também no nosso Nordeste?
Eu e o Universo
A estrela cadente passou
Me encandeceu de amor
A luz cintilante deixou
Rastro que nunca se apagou
Fecho os olhos e ainda a vejo
No veludo negro a seguir
Pedidos, preces e amores
Realizados em noite de lua
Que o sol foi s´embora
E toda as nuvens levou
Cachoeira despenca no lago
Eu nua me estremeço de frio
Águas batizam meu corpo
Dores de paixões me esqueço
Os Anjos de branco cantam
Borboletas azuis encantam
E me benzo, sorrio e agradeço
O coqueiro sacode as palhas
O mar beija meus pés
A estrela do mar se entrega
Na onda nadando ao léu
Contando que a nossa terra
Tem tudo de lindo que há no céu…
Assim me multiplico nas coisas
Cores, cheiros, melodias e amor
Sabores me trazem lembranças
De um pretérito que me marcou
Na infância, vida inteirinha
Um abraço, um beijo, um amor...
Esperança é bem verdinha
E se busca sem cessar
Flor
que nasce na campina
Lembre
se de a bem regar
Bem
lá longe no horizonte
Navega um barco a fugir
Com
a minha verde fonte
De
esperança a desistir…
Espera
vai não embora
Ele
fica na lembrança
Esperança
nunca chora
Guarda
sempre na memória
Sombrinhas de renda
Moçoilas na praça
Tornozelos cobertos
Paixão impossível
Tuberculose de amor
Desmaios e suspiros
Muitos ais e sais
Pobres românticos poetas
Presos a rimas
Trabalhando formas
Semana Moderna
Apelo à liberdade
Versos loucos e soltos
Musas modernas
Pernas de fora
Abandono da Arcádia
Poetas libertos
Rimas criativas
Vinham a cordas soltas
Hoje, século XXI
Inspiração quântica
Musas filosóficas
Diferenças se impõem
Poetas se engajam
Lutam pela Natureza
Antes, só cantada
O amor virou paixão
Passageira e volátil
Conta história
Descompromissada
Com amarras de rimas
Evoluindo como o Universo
Dizendo e crescendo
Procurando no poema
A cura
Decidida a data de partirmos rumo à
Espanha, além das malas, óbvio, mapas e estratégias foram planejados de maneira
tal, que pudéssemos visitar um casal amigo que Antoine não via há muitos anos.
Para isso, teríamos de atravessar os Pirineus, uma cadeia de montanhas muito
famosa já perto da fronteira com aquele país.
A primeira parada foi em
Carcassone, uma linda cidade medieval, em si mesma, uma grande fortaleza com
ponte levadiça na entrada, sobre o fosso e telhados das casas e castelo, todos
em pedra ardósia, reluzentes ao sol. De longe, a visão do conjunto, dava-nos a
impressão de estarmos num livro de conto de fadas.
A seguir, depois do lanche,
rodamos até Mirepoix. De repente, encontramo-nos em meio a uma praça circular,
como um pátio entre casas comerciais cuja curiosidade era o madeiramento dos
prédios e ranchos que abrigavam as barracas dos expositores.Todos os troncos
roliços e enormes e todas as tábuas trabalhadas passaram antes por 70 longos
anos debaixo das águas dos rios locais, mergulhadas num sono profundo. Só
depois, prestaram-se à construção do mercado da cidade, que assim, viu-se
coberto por madeiras resistentes a todo e qualquer tipo de cupins ou vermes de
madeiras. Até as casas foram assim construídas.
Depois de Foix, uma cidade
que abriga um castelo muito charmoso como sua Villa, chegamos a Marcus às 17 h,
o lugar onde habita Claude e sua mulher André. Passada a emoção do reencontro,
almoçamos endives au four e bifes. À tarde, enquanto André foi à massage,
Claude nos levou para visitar uma caverna subterrânea, cujo trajeto se faz de
barco, e o remador nos adverte a toda hora para termos cuidado com as cabeças
que quase tocam o teto da caverna, tão apertado o leito do rio que singra o
seio da terra. O ar, quase irrespirável, tem uma umidade de 90%. Passei mal,
como a maioria das pessoas, mas nada que tirasse o encanto daquele lugar de
escuridão eterna, mas resplandecente aos jogos de luzes artificiais refletidos
nas rochas ricamente trabalhadas pela natureza.
Ah, num dos passeios pelas
redondezas, descobrimos uma Tarascon sur Ariege (nome da região) e maior
coincidência ainda, uma cidade vizinha com o nome de Beaucaire, como as nossas
cidades na região de Bouche du Rhone. No mesmo passeio, visitamos um castelo
cuja história nos leva de volta ao tempo da inquisição da igreja. Dizem que
nele foram queimadas vivas, muitas pessoas que cultuavam o espiritualismo.
(Catari). Nos jardins, os iris floresciam, alheios à tragédia ocorrida no
lugar. O nome do castelo? Montségur, no alto de um rochedo.
Por onde fôssemos, a paisagem dos Pirineus nos acompanhava, linda, com
suas montanhas cobertas de pinheiros e cerejeiras selvagens, brancas de uma
florada digna de um calendário europeu. Uma “fontaine” intermitente chama a
atenção dos turistas à margem da estrada. Paramos. As águas da fonte, param de
jorrar num intervalo de 35 a 35 segundos. Um fenômeno natural. Uma barraca
aproveita a parada turística e vende” les orrilletes” com chocolate quente.
São, como se fossem, tirinhas de massa bem fininha de pastel, fritas e depois
salpicadas com açúcar e canela.
No dia seguinte, 1 de maio,
feriado universal, as pessoas trocam bouquets de miguês, uma tradição na França.
Foi nesse dia que deixamos Marcus, após uma chorosa despedida de Claude e
André. Andrée é um nome usado tanto para homens como para mulheres na França. A
caminho da Espanha, quanto mais subíamos os Pirineus, mais nos deparávamos com
a neve que deixava a paisagem cada vez mais branca. Paramos em Pas de la Case,
fizemos umas comprinhas e fomos para Andorra onde almoçamos. Na mesma tarde,
chegamos a Barcelona. Mas isso é um assunto para o próximo artigo
À
bientot!
Viemos sem parar até Zaragoza.
Sem Ter planejado isso, numa dessas Cristocidências, nunca eu poderia imaginar estar testemunhando ao vivo e a cores, marcas de um passado santo e longínquo, quando Maria, mãe de Deus, Marta, irmã de lázaro, Maria Madalena, e outros conhecidos discípulos de Cristo, atravessaram o Mar mediterrâneo, em frágeis barquinhos, para trazer as boas novas da Palavra do Salvador.
Ao chegarmos à Zaragoza, à noite, ficamos impressionados com a cidade. Linda. Todos os monumento e catedrais ricamente iluminados. Depois de nos acomodarmos no Hotel Holgado, ali mesmo jantamos. Marie e Robert pediram garbansos com orejas (grão de bico com orelha de porco). Eu e o Antoine, pollo com pisto. O flan da sobremesa estava um “tijolo” e fomos digeri-lo passeando pela cidade. A praça das ruínas romanas, o mercado, a Catedral de Nossa Senhora do Pilar, nos deixaram encantados.
Às sete horas da manhã, estávamos entrando na Catedral para conhecê-la. Já tínhamos tomado café, e após a visita à igreja, retomaríamos o caminho de volta à França.
Mal sabia eu que depararia com o mais autêntico testemunho vivo do Evangelho. Contam os guias turísticos, que, alguns anos após a Ressurreição de Cristo, Maria, Maria Madalena, Lázaro, e outros, como citei na carta sobre a história de Tarascon, pisaram em terras próximas do litoral mediterrâneo para pregar a Palavra. Assim, Maria, mãe de Deus, presenteou a Vila de Zaragoza com um Pilar de pedra, para edificarem a Igreja do Senhor, naquela praça onde hoje, está edificada a Catedral. Lá dentro, atrás do altar, ainda se pode ver o Santo Pilar. Aos seus pés, um degrau de rocha, rústico, ainda resiste aos milênios, gasto que está pelo uso de tantos e tantos fiéis que por ali passam, ajoelhando sobre ele, rezando e beijando o Pilar doado pela mãe de Deus. No lugar onde os peregrinos passam a mão no pilar e o beijam, também os desgastes na pedra se fazem presentes.
Foi aí que descobri a origem do nome dado à Nossa Senhora do Pilar. E olha que temos uma igreja dela, histórica e linda, bem aqui no centro de Taubaté.
Bem, retomamos emocionados, a viagem para Lérida, já a caminho da França.
Desta vez, pudemos apreciar toda a Costa Brava nitidamente. As rochas beiram todo o caminho, emparedando as barrancas, confrontando-se estrondosamente com as ondas colossais que estouram sobre elas, oferecendo, durante toda a travessia da costa marítima, paisagens de nos fazer suspender o fôlego. Mirantes estratégicos oferecem fotos espetaculares. O tempo estava aberto na nossa volta, por isso nos deliciamos com a Costa Brava, diferentemente da nossa ida.
Ainda na costa, paramos em Lloret del Mar. Comemos uma deliciosa Paella. Já em Pertus, compramos doces para as crianças marroquinas que moravam em cima de nosso estúdio. Chegamos a Tarascon, às dez horas da noite, dando graças a Deus pelo carro ter conseguido nos trazer, após apresentar um forte barulho, pelas alturas de Nimes, sãos e salvos.
Allors, a bientot et c´ est fini la voyage a Portugal...
OBS: História de Nossa Senhora do Pilar
O apóstolo Tiago encontrava-se em Cesaraugusta, nas margens do rio Ebro, junto a um pequeno grupo de convertidos que tinham escutado e acreditado na sua pregação. Ainda assim, os restantes cesaraugustanos não acreditavam no apóstolo, pelo que este começou a perder forças e a questionar-se sobre se teria sentido continuar a espalhar a mensagem de Jesus nesta terra. Quando a sua fraqueza pelo desânimo lhe fez perder o seu valor, viu Maria, a mãe de Jesus, rodeada de anjos que vinham desde Jerusalém para confortá-lo e renovar os seus ânimos. A Santíssima Virgem entregou a Santiago o Pilar, a Coluna de jaspe que hoje sustenta a sua imagem, como símbolo da força que devia ter a sua fé. Este episódio sucedeu-se na madrugada do dia 2 de Janeiro do ano 40 do século I. Maria conversou com Santiago e encarregou-o de levantar um templo sobre a Coluna ou Pilar que trouxe, convertendo-se assim no primeiro santuário Mariano da cristandade.
Como a chuva
não nos dava trégua, comemos um lanche rápido, dentro do carro e, nos
assustamos com a violência do mar, já no litoral da Roca. Chegamos a presenciar
o resgate de um pescador que caíra ao mar. Helicópteros, e muito movimento de
policiais, fazia a manhã ainda mais assustadora.
Cabo da Roca
é o ponto extremo da Europa. O lugar mios visitado desse lugar, é a Boca do
Inferno. Pelo nome, você pode imaginar. A fúria do mar contra as rochas,
através dos tempos, desenhou-a de maneira fantasmagórica, formando cavernas
impressionantes, crateras sem fim, e o rochedo deformado, escuro, contrastando
com as explosões brancas das espumas, mais o barulho ensurdecedor dos estrondos
das ondas entrando e saindo por entre as rochas indefesas, são o retrato
perfeito do insuperável poder de Deus. Você sente as pernas tremerem, talvez
por nos depararmos com a leveza, com a fragilidade do Homem diante de tão
potente demonstração da Natureza.
Cascais é
uma cidade muito charmosa, pertinho dali, mas tudo muito caro, como Sintra.
Rumamos, então, para Estoril. Acomodamo-nos numa pensão: “Casa das Olaias”. A
dona, uma senhora paralítica e muito doente, comanda tudo de sua própria cama.
Os empregados a respeitam como se ela estivesse no meio deles o tempo todo. Sua
cachorrinha “Rita” não a abandona nunca.
À noite,
visitamos o Cassino de Estoril, magnífico: elegância, luxo, exposições,
lojas...
Agora,
Lisboa será nossa última cidade em Portugal. Pegamos um enorme congestionamento
na entrada da cidade, até a Torre de Belém à margem do Rio Tejo. Lá estava ela,
branca, linda, enorme, mas construída com tal zelo e delicadeza, que, mais lembra uma
caixinha de música.
O Monumento
às Descobertas, parte do complexo da Torre, tem uma inscrição, que eu cheguei a
copiar e agora não sei onde guardei, que é um verdadeiro ufanismo épico dos
portugueses, uma exaltação linda aos tempos áureos de suas descobertas “d´além
mar”.
Bom, foi comer
um pastel de Belém, bem ali, ao lado da Torre, e de onde se pode ver, ao longe,
a Ponte 25 de Abril e o Cristo.
Tomamos, a
pé, uma via subterrânea, onde se atravessa a grande avenida, para visitarmos a
Igreja de Santa Maria, mas estava fechada por ser uma Segunda-feira.
Almoçamos no
centro da cidade e visitamos o bairro alto da Alfama. Para tal, tivemos de
vencer imensas escadarias. As ruas estreitas, o Castelo de São Jorge, a vista
da cidade baixa, aos nossos pés, e a paisagem do Rio Tejo, que mais se parece
ao mar, tão imenso espetacularmente grande, vale pelo cansaço da subida.
Descemos,
compramos algumas coisas, e comemos castanhas assadas nas brasas. Já no carro,
atravessamos a Ponte Vasco da Gama com a sensação de “adeus, Portugal”. E
pasmem! Não estava chovendo.
Em Évora,
almoçamos e às dez horas da noite, estávamos em Badajoz, Espanha, no Hotel
Cervantes. De manhã, pedimos, dentre outras coisas, café com leite ao garçom do
refeitório, e o Antoine pediu um puro (preto). O rapaz, então, apresenta, aos
nossos olhares de espanto, uma caixa de charutos, que por lá, é chamado de
“puro”.
A paisagem
muda em direção a Mérida, vilarejos murados e casinhas muito brancas, caiadas,
lembra a paisagem do México. Toledo é uma beleza à parte, com suas casas,
igrejas, rampeares, muros e prédios comerciais em tijolos e pedras vermelhas.
Chovia à cântaros. Perdemos o lugar onde havíamos estacionado o carro, e,
molhados como pintos, rimos quando Antoine, cansado de “gastar” seu espanhol
com todos que encontrava, perguntando sobre o estacionamento, parou uma senhora
e lhe disse, simplesmente, no que conseguiu apenas um leve sotaque espanhol: “
Senhora,...estamos perdidos. “Era trágico e cômico ao mesmo tempo.
À noite,
Zaragoza se apresentou deslumbrante à nossa frente. Todos seus monumentos
iluminados, e a Igreja da Nossa Senhora do Pilar cujo nome se deve ao fato de ....
Bem, mas
isso, é assunto para o segundo capítulo da “volta de Portuga.
À
Bientot!!!!