sexta-feira, 30 de outubro de 2020


As flores estão Voltando 
 
Flor

Beija-flor
Borboleta
Joaninha
Lagarta
Multicor
Perereca
Bem verdinha
O incêndio
Não começa
Todo já
Prontinho
Cuide, cuide,
minha gente
O sapinho
Já vem já
Comer todos
Mosquitinhos
E na Bromélia
Mergulhar
Chuva molha
Quintaizinhos
Suculentas vão brotar
E você seu sabidinho
Que medida
Vai tomar?
Salve florestas
Apague foguinho
E as FLORES
Vão voltar!

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Caminhos sombrios, céu escuro, prenúncio de depressão?

         Não, é para chuva.

         Incêndio provocado, interesses escusos?

         Não, a terra brotará.

         Nuvem de areia e cinza, fim do Pantanal?

         Não, já passou, foi s´embora;

         Calor 46, 48º, planeta aquecendo?

         Não, é provocação para uma atitude do Homem.

         Pandemia descontrolada?

         Não, é a ciência se desenvolvendo.

         E o fogo que arde tudo, é o inferno?

         Não, apelo ao amor pela mata e bichos.

         Política corrupta e narcisista?

         Não, jovens já se manifestam.

         Deus nos abandonou?

         Não, Ele quer mudanças,

         Que já estão acontecendo na humanidade

         E perceba que podemos ver

         O solo se refazendo, vacinas acontecendo

         Amores solidários curando fome

         Famílias se reestruturando

         O amor sendo valorizado

         A vida ganhando outros sentidos

 

         E FLORES VOLTANDO ao coração do Homem!

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2020


 @escritoresdetaubate


Vê, estão voltando as flores (1) Crônica

2020. Pandemia, murmúrios, dores, hospitais lotados…

Uma doença terrível se abate sobre o Planeta assustado!

Ninguém encontra soluções, alternativas são adivinhadas, tentativas vãs…

Médicos trabalham com o inusitado, pessoas aprendem o “novo normal”.

Máscaras, álcool em gel, higiene frequente das mãos, não às aglomerações…

Avós não vêm os netos, famílias entocadas e confinadas cada núcleo no seu mundo.

Lives, vídeos, áudios, mídias confortam as famílias conscientes do perigo de contaminação.

Os incautos passam longe das informações científicas, até políticos e letrados entram no transe da negação. E o número de contaminados e mortos só aumentam!

Ainda bem que existem os mais sábios que protegem os outros e a si mesmos, cumprindo os protocolos dos infectologistas, seja no trabalho, ou em casa. Escolas fecharam as aulas presenciais contando com a dedicação dos professores.

Esse mais precavidos não vão à praia, nem a bares e baladas, ou eventos a pleno céu aberto com centenas de jovens enlouquecidos pela bebida que os entorpece fazendo-os se esquecerem do vírus que os cercam.

Esses mais conscientes sabem que, a única certeza é a de que, além desse túnel escuro pelo qual caminhamos agora, frio e ameaçador, bem lá no final dele, pode e vai ficar claro, vidas se salvarão se se protegerem até dar tempo aos cientistas descobrirem as vacinas já em processo final e promissor.

O céu azul não desapareceu, há chuva e o arco-íris aparece apesar de tudo…

Há FLORES brotando na terra queimada e causticada .

No tempo de Deus, BOTÕES estarão DESABROCHANDO, perigo passando e um JARDIM esperando por nós.

Silvinha

 

terça-feira, 20 de outubro de 2020


 Portugal V

Uma vez em Coimbra, não podíamos deixar de visitar o suntuoso prédio da Universidade (cantina, departamentos, cloitres). As igrejas Sé nova e Sé Velha, são um espetáculo à parte. A cidade Velha, os Parques, as fontes, os azulejos nas paredes, as escadarias dando acesso aos becos, o Jardim da Manga, onde almoçamos num restaurante super charmoso...Tudo nos deixou saudade. Ah! aquele bacalhau fervido com legumes e regado fartamente com azeite! Tão bom, que chamamos o garçom para perguntarmos a procedência do azeite. Ao que ele respondeu: “É azeite Galo!” Rimos muito.

A caminho de Leiria, passamos por Pombal e visitamos o castelo do Marquês do mesmo nome. Andei pelas ruínas, lembrando-me dele, personagem que foi de uma página negra da nossa História. Mais um castelo em Leiria, e continuamos até Fátima. Durante todo caminho até aqui, não fora diferente. Pudemos observar a couve sendo cultivada em quase todo jardim ou quintal de Portugal. Coisa que você não vê em nenhum outro lugar da Europa.

Fátima é uma cidade muito bonita e lembra muito a cidade de Aparecida do Norte. As ruas tomadas por lojas vendendo imagens, medalhas, terços, rosários, estampas, um mercado super desenvolvido. No lugar onde a Virgem apareceu às três crianças, há hoje, uma moderna estrutura de vidro isolando o lugar que está dentro, praticamente, da enorme Basílica.

Batalha não estava nos planos, mas não resistimos e paramos, ao nos depararmos com a monstruosidade de construção daquele monastério. Monastério da Introdução, para ser mais precisa, túmulos de D. João I, Dona Felipa de Lancaster, de seus filhos, genros e noras.

Nazaré é imperdível. Os homens da cidade passam horas e horas à beira do mar, recolhendo objetos valiosos perdidos pelos turistas. Conforme a hora e a maré, as ondas os desenterram e os jogam aos seus pés. Pensamos ser tradição, um “atrai turistas”, mas testemunhamos a veracidade do fato! As mulheres do local, ostentam várias saias coloridas, umas debaixo das outras, bem curtas, acima dos joelhos, não importando a idade de quem as usa. A maioria delas, passa o dia ao lado de “quaradouros” cheios de peixes salgados secando ao sol. Elas cuidam deles, vendem e preparam os que os maridos trazem nos barcos. Até a um casamento, nós assistimos, cuja noiva usava um modelito sofisticado, é verdade, mas que seguia a mesma tradição das saias curtas acima dos joelhos e umas sobre as outras.

      Óbidos! Cidade inesquecível. Parece toda ela pertencer a uma grande tela a óleo. Fachadas coloridas, de um metro, mais ou menos, barram a parte debaixo dos muros, das frentes das casas, dos comércios, fazendo com que esse acabamento padronize a paisagem dos casarios, das ruas, das igrejas, numa interminável e larga pintura de rodapé. Às vezes amarela, outras azuis, vermelhas, vão trocando de cores a gosto dos moradores, contrastando com os tons das paredes e das primaveras floridas, presença quase obrigatória nos jardins e quintais. As ruazinhas convergem para um castelo, lá em cima, com suas muralhas trabalhadas como rendas, de tão perfuradas, recortadas e enfeitadas. A Torre de Vedras também é muito bonita, mas não tínhamos condição para fotos. Ventava e chovia muito.

      Chegamos tarde, a Sintra. Hotéis caríssimos. Pela manhã, visitamos os palácios “da Pena” e da Serra”. Era Domingo, e, para nossa sorte, as visitas são gratuitas nesse dia. O Palácio da Pena fica na cidade e tem como curiosidade, dois grandes chaminés que podem ser vistos de longe. De dentro da grande cozinha, eles podem ser vistos de baixo para cima, como um binóculo gigantesco mirando os céus. Já o Palácio da Serra exibe salas curiosas, como duas delas. Uma, tem o forro todo desenhado com cisnes, a outra, com corvos, e todas as aves têm em comum, raminhos no bico escrevendo as inscrições onde se leem: “Por bem”. Dizem que o rei, foi pego agarrando sua dama de companhia. Para provar à esposa a boa intenção do gesto, mandou pintar tais inscrições, estampando o forro das referidas salas. O que impressiona, nessas visitas, são as mobílias ainda perfeitas, intactas nos museus e palácios.

      Próxima parada, Cabo da Roca.

      Estou com sono. 01:45 h da madrugada. Conto o restante no nosso próximo encontro.

sábado, 17 de outubro de 2020


 

            Noite escura, poucas estrelas.

            Eu e meu primeiro marido morávamos em Ubatuba, e, vínhamos à Taubaté fazer prova na UNITAU. Eu só fazia companhia, porque meu marido saía muito tarde da faculdade e, até chegar em Ubatuba, a madrugada já ia alta, a família fiava preocupada dele dormir dirigindo. Tínhamos um fusquinha velho na época, e a estrada ainda não havia sido asfaltada. Estávamos em 1970, vejam vocês, daqui a Ubatuba, levávamos horas.

            Assim, como eu falo muito, e, quem me conhece, sabe disso, conversávamos sem parar, nem reparamos estarmos, já, no Bairro do Barro Branco, logo após a subida da Serra, antiga estrada velha  Taubaté-Ubatuba,

            Romântica compulsiva, eu falava, que falava, mas com os olhos pregados no céu escuro, em busca da Lua, sempre espiando pela janelinha do fusquinha. Meu marido já havia rido de mim: _Procurando a Lua numa noite tão escura?

            Mas, não convencida, de repente, vi a Lua enorme, cintilante e clara, cheia de luz incrível

como um balão dos contos de fada.,

            _Olhe lá a Lua, que linda! Disse eu.

            O meu marido estava numa fase de ler só obras sobre discos voadores. Amava!

            _Bem, observe, não é a sua Lua, não vê que “ele” está pairando bem abaixo do topo das montanhas da serra? É um disco voador, e, hoje, eu vou até eles.

            Realmente, “ele” estava , mesmo, muito perto de nós e pairando bem baixo. Decididamente, Lua não era.

            Meu marido falou e cumpriu. Desligou o carro.

            Fiquei apavorada. E, se eles viessem até nós? Olhei para a paisagem escura, firmei os olhos e pude adivinhar um brejo de taboas ali do meu lado direito. Vou me esconder entre as taboas se eles se aproximassem mais. Eu tremia e tentei abrir a porta do fusquinha. Ah, não!!!!!. Ela estava sem maçanetas, eu tinha, sempre que entrar do lado do motorista e pular para o lugar do passageiro. E agora?

            Quando procurei meu marido, ele havia saído do volante e já estava sumindo na escuridão da noite, em direção ao “disco”. Gritei em vão por ele.

            Aquela bola estupidamente brilhante, envolta numa neblina densa, mas insuficiente para apagar sua escandalosa e estranha presença, apavorava-me. Fiquei um tempão controlando o movimento daquela “coisa” que se aproximava de mim. Não sei quanto tempo fiquei ali, dentro do fusquinha, escuridão plena, entre o brejo de taboas e as corujas nos tocos das árvores.

            E meu marido, indagaria meu leitor. Até ali, só vira um raio de luz saindo “daquilo”, até o chão. Atônita, após não sei quanto tempo, a nave, disco, coisa, não sei o que era, num piscar dos meus olhos, desapareceu rumo às estrelas, como se, o navegador acionasse o botão de outra dimensão como vemos nos filmes de ficção.

            Então, e meu marido? Pensava eu olhando a escuridão. E lá vinha ele sorrindo e eufórico.

            _Eles me levaram com eles. São pessoas lindas, silhuetas perfeitas  , vê-se através deles como se fossem transparentes. Levaram-me para conhecer o mundo deles! Arquitetura indizível, indecifrável, inexplicável… Ruas suspensas conetam blocos de construções em magníficas que pairam no espaço como colônias de extras terrestres avançadíssimas. Elevadores e carros conduziam pessoas de lá pra cá, de cá pra lá como um show saído do filme dos Jetsons. Entendiam o que eu perguntavam e respondiam na nossa língua. Estão a milhares de anos à nossa frente. Uma verdadeira viagem no tempo. Eu fui para o futuro!

            Eu, ainda abobalhada com o que ele contava, só queria saber se meu marido estava bem, se não lhe impuseram experimentos científicos, enfim, queria saber se ele estava bem.

            Quando pensamos em rumarmos à faculdade, afinal, ele não podia perder a prova, nosso fusquinha não “pegava”. Depois de várias tentativas, reparamos que estávamos numa descida do caminho, por sorte. Tivemos de fazê-lo “pegar no tranco”.

            Nunca contamos isso a ninguém com receio de zombarias dos incrédulos

            Nem naquela noite, nem mesmo na noite seguinte quando se tornou público, no Jornal Nacional, o fato de várias pessoas terem testemunhado a presença de um disco voador na Baixada Santista, Litoral Norte e \Serra do Mar e região.

            Às vezes, arriscamos contar nossa visão a alguns amigos confidentes que nos sugerem procurar um Órgão  São Paulo que registra testemunhos de aparição de Ufos.

            Nunca o fizemos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020


Portal Da Minhoca


 Matrícula feita. Lá fui eu para a primeira aula no Curso de Física Quântica.


Desde cedo, aprendi a pesquisar sobre o Universo e seus movimentos constantes e sua evolução mutante: nascendo corpos celestes, formando novas estrelas bebês ou explodindo outros Big Bangs. Enfim, todos esses fenômenos me fascinaram sobremaneira, sempre.


Caminho de Minhoca é imaginar que seremos capazes de abrirmos portais que se conetam como o caminho subterrâneo desse verme, “emendando” o Tempo, “costurando”, “alinhavando”, encurtando a viagem em quantos anos luzes se fizerem necessários para ultrapassarmos a barreira do Cronos, podendo, num piscar de olhos, chegarmos em lugares inimagináveis, muito distantes, ou pularmos para o futuro ou para o passado no buraco da minhoca estelar.


No meu curso, aprofundei muito esses conhecimentos, mas não o completei, pois quebrei o pé esquerdo.


Pena! Mas, sonho enquanto durmo que viajo numa nave que pode acionar o portal da “minhoca” e, como num segundo, num zum, lá estou eu aportando num planetinha só meu, como o Pequeno Príncipe de Saint Exupery.


Não seria ótimo?

terça-feira, 13 de outubro de 2020



Saudade?

 É florada do manacá

Jabuticabas no c pé

Goiabas no caminho

O amarelo maracujá

 É brisa de praia longe

Pedras surradas de maré

Pés descalços na areia gelada

Sol causticante molhado de sal

É o verde arroxeado da quaresma

Na serra que nos leva ao mar

Montanhas entre vilas e queios

Sabores, sertão, mel e café

 Belvederes céu azul

Amplidão e liberdade

Gotejo de sereno no arco-íris

Primeira chuva perfumando a terra

 Por favor, onde escrevi queio, leiam coqueiros

quinta-feira, 8 de outubro de 2020


   Saudade, privilégio da Língua Portuguesa


         Já nos primeiros grunhidos da fala dos nossos ancestrais das cavernas, proferidos, então, por um ensaio ainda do homem como o conhecemos hoje, e, tendo sua origem naquela que se evoluiu como espécie humana Portuguesa, podemos imaginar gemidos enlouquecidos dessa criatura ao perder alguém do grupo na luta desenfreada pela subsistência, e, na vontade de expressar essa falta, balbuciar, sons suaves e tristes, parindo os primeiros fonemas do que seria hoje, evoluída, a palavra Saudade. 


Nenhuma outra língua exprimiu a dor da falta de alguém, ou de um perfume que traz a infância, nem o que nos faz suspirar docemente na lembrança de momentos felizes... numa única palavra de 7 letras.


         Desde os autos de Gil Vicente, Os Lusíadas de Camões, Casimiro de Abreu, Heterônimos de Pessoa, Castro Alves, Saramago, Drummond, e mais uma constelação de poetas, profetas, cronistas da Língua Portuguesa têm empregado infinitamente e com propriedade essa palavra: Saudade.


         “I miss you”, diz o inglês, “Tu me manques”, o francês. “Mi manchi”, reclama o italiano, “Vermisse dish so sehr”, chora o alemão... e outras tantas muitas palavras não citadas, agora, barradas pela minha limitação no conhecimento das línguas faladas de outros recantos tantos...


         Também nós, lusófonos, podemos usar o verbo faltar nas expressões de perdidas presenças...


         Não precisamos. Temos um substantivo cheio, completo, intransitivo, que jorra o que sentimos: SAUDADE!


         Que saudade! Não é ação, é sentir! Nunca será verbo, nem declinável.


         Sentimento abstrato, bagagem de uma palavra aquinhoada há milhões de anos enquanto nossa língua evoluía.


         Foi nos entregue já pronta e bela.


         Use-a. Chore com ela, sorria também, possibilidades mil para lembranças infinitas de uma vida!

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Viúva do Sono

 

Noite escura assanhada

De ventos mórbidos

Viúva do sono

Carpideira de mim

Lamento meu refúgio

Apartheid de e solidão

Vírus que dançam

Voo cego de morcego

Que aprisiona

Na caverna vazia

De pedras poeirentas

E flores quase murchas

Silêncio que dói

Vida que falta

Nem café existe

No mundo de pressionado

Do nada pode

Ficar é preciso

Máscara é precisa

Desinfetar imprescindível

Mas não certo

Nas cavernas personalizadas

De que tudo

Terá fim ou cura

Noite escura

 Galhos ressequidos

Nos manguezais

Mal alagados

Cheirando a morte

Das vidas do mar

Restinga é preciso

Água que apaga

O fogo do assassino

É precisa

Nuvem preta é precisa

Vacina é precisa

Viúva do sono eu sou

Dormir é preciso

Viver nunca é preciso

Sem bússola

Sem leme

Sem vela

Com medo

Mascarados pelo destino

De nascer nesse tempo

Não preciso

Fique

Pare

Não viva

E quem sabe

A ciência acenderá a luz

Na cabeça humana

Acordará um dia

Para casar de novo

Com o sono

O Sol

A flor

O amor

Mas a máscara?

Ficará

Lembrando ao homem

Que seu rosto envergonhado

Nunca mais

Poderá mostrar