Abertura FLIP Taubaté 2017
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Lambe-Lambe
Nas cascas ainda.
Acabe de abrir as conchas com cuidado, separando as, mas deixando o mexilhão ainda grudado em uma delas.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Carta da França
Silvinha Simões
Era o dia 18 de novembro de 1998. Eu acabara de chegar no mês de a gosto para morar na França. Meu tempo de licença, os três meses que temos para ficar num país estrangeiro, estava aspirando. Assim que, naquela manhã, estávamos na estrada rumo à Marseille para dar início ao processo da minha Carte de Sejour , uma carteira que nos habilita a permanecer até dez anos
Há tempos, pensávamos ir a Marceille. Ela é a segunda cidade mais importante da França, na disputa com Nantes, também no páreo pelo segundo lugar. Meu marido queria me mostrar o cais do porto e seus arredores de mercados, feiras, comidas típicas e todo o ambiente do comércio mais antigo do mundo.
Como sempre, faltou algum documento, e depois de enfrentar o característico mau humor dos atendentes franceses, eu saí do departamento de estrangeiros, apenas com uma carta provisória em mãos. Teríamos de voltar mais uma vez pelo documento. Mas, tínhamos quase o dia todo para explorar o lugar, sem contar a casa da tia Clemence e do tio Hopp os quais eu ainda não conhecia pessoalmente.
Andar pelos mercados de Marceille é como encontrar um pouquinho do Brasil. Lembra muito o Mercado Central de São Paulo, só que exposto nas ruas da cidade antiga. Quando algum brasileiro, radicado lá, pensa em fazer uma feijoada, é em Marceille que ele manda buscar os apetrechos. É só ali onde você encontra, por exemplo, a farinha de mandioca, a couve, a carne salgada, a pinga, etc. O mercado é uma mostra do que acontece no mundo, onde as raças exibem o que têm de mais típico.
No cais, em meio ao burburinho do movimento de navios mercantes, os barcos à vela, enormes e bem equipados, levam ao passeio nas “calangas de Cassis”. Calangas são aquelas entradas bruscas que o mar construiu rochedos adentro. E a atração da viagem é entrar de escuna em cada entrada dessas, admirando a altura das falésias à nossa volta, com a sensação exata da nossa pequenez diante da paisagem de altos rochedos parecendo nos esconder, engolir-nos na casquinha de nozes que a escuna representa entre a imensidão de rochas e o lago salgado, agitado, e de águas transparentes.
O fundo dos barcos é de vidro de onde podemos assistir o incrível balé dos peixes, algas e outros bichos do fundo do mar. E, cada entrada numa calanga é uma emoção diferente. Num passeio se visitam sete ou oito calangas. Nem precisa dizer que, após irmos ao mercado, fomos fazer esse trajeto de barco.
Hora do almoço, empapuçamo-nos com uma boa daquelas paellas que estão a cada esquina da cidade velha , ou sendo servidas nos restaurantes do lugar. Após um sorvete de café, rumamos os quatro, sim , porque meus cunhados Marie e Robert estavam conosco, à casa de tata Clemence na rue Paradise. Cumprimentos, cafezinho e visita à Igreja de “Notre Dame de la Garde”, ali pertinho da casa dela.
Construção de 1800, ela é um verdadeiro Forte usado nas Grandes Guerras. Fica no alto de um morro a 185 m acima do nível do mar, aos quais se sobe por uma escada infinita, e de onde, uma vez lá em cima, avista-se toda cidade e o mar. A imagem de Notre Dame de la Garde está plantada na torre mais alta da igreja, de onde pode ser vista por toda Marceille. Dourada com 4 folhas de ouro puro, sua luz resplandece abençoando a cidade.
Estendendo o olhar pelo oceano lá embaixo, avistamos a tão famosa, quanto pequena, uma ilha abrigando o “Chateau Diff” da história que deu origem ao filme Papilon. Amei o passeio.
À Bientot
Silvinha Simões
Cassis
Bem, meus queridos, na semana passada, eu lhes contei um pouco de Marseille e do passeio de barco pelas calangas da cidade de Cassis, vizinha de Marseille. Hoje, vou continuar descrevendo as calangas, de um outro ponto de vista, a vista de cima, pela estrada que acompanha, geograficamente, todos os contornos dos penhascos ou falésias.
Você pode, como nós fizemos uma das vezes em que lá estivemos, fazer o passeio de barco nas reentranças das calangas e, depois, contorná-las de carro por cima das falésias. Os belvederes se sucedem infinitamente. Todas as paradas durante o percurso são dignas de serem vistas. O difícil é escolher onde parar, já que, basta se aproximar de qualquer beira de precipício para você se deparar com visões de tirar o fôlego.
Os barcos, navios ou escunas, de onde se pode ter estado horas antes vendo tudo de baixo para cima, agora, viraram formiguinhas, casquinhas de nozes lá embaixo, no azul transparente do oceano que beija escandalosamente as rochas das falésias, num espetáculo de dar vertigens, tanto visto de baixo, quanto de cima.
É uma verdadeira sensação de se ver tudo de um avião em pleno vôo. Nesse dia, levamos um piquenique, prática comum na França. O francês sente fome, pára nas formidáveis instalações de “área de descanso” nas estradas, ou mesmo em qualquer paisagem escolhida, tira seu piquenique e come. Quase todos levam mesinha e banquinhos nos carros, só para isso.
Depois, resolvemos esticar o passeio até La Ciotat, uma cidade dona de um dos maiores estaleiros do país, construindo barcos e navios para toda Europa e o mundo.
Meu marido aproveitou para me contar sobre seu primeiro emprego num estaleiro naval em Tarascon, quando ele tinha apenas 14 anos. Trabalhar como aprendiz de marceneiro construindo barcos, durante 3 anos, rende-lhe hoje, uma aposentadoria proporcional, claro, ao tempo de serviço, a qual lhe é legalmente enviada pelo correio. A quantia faria rir a qualquer um, mas, a seriedade das leis é de tirar o chapéu, não é? Ele só deixou o emprego porque seu pai veio para o Brasil quando ele tinha dezessete anos. Embora sua vida profissional na Olivete tenha lhe mandado várias vezes de volta à Itália e à França, quando lhe perguntam se ele é francês, ele responde: “_Se ainda restou alguma coisa...”. Mas seus hábitos e tradições ainda estão lá, e afloram a cada momento, como se ele fosse ainda o garoto que fazia navios no estaleiro de Tarascon.
Agora, antes de terminar, que tal descobrirem o gosto de um aperitivo feito à base de creme da fruta cassis? Você não precisa conhecer as maravilhas das calangas para apreciar essa saborosa bebida: uma parte de creme de cassis e duas de vinho branco suave ou seco, depende de seu gosto. Pronto! Você já terá experimentado o famoso “Kir”. A pronúncia é Kirrrrr, e ele é servido freqüentemente na França como aperitivo antes do almoço.
Tin-tin, a bientot!
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
sábado, 16 de setembro de 2017
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
E o homem se fez verbo
Verbo
Que se fez verbo
Verbalizando a vida
Expressando o tempo
Verbo
Que te quero perfeito
Mais que perfeito
Do futuro e do pretérito
Verbo
Ações e paixões
Estados e quereres
Perpetuando emoções
Verbo
Imperativo amar
E que durante
O gerúndio
Futuro universal
Hoje condicional
De infinito sonha
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Ratatuia ( Ratatuille)
Ingredientes:
Modo de Preparo:
est delicieuse
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
“BLUE”
A Chuva veio regar
O meu dia cinzento
Talvez para que eu sinta
Mais verde o verde
Dos prados beirando
O cimento do negro asfalto
Nunca me vi feliz
Num dia de chuva...
Não sei se antes dela
Fico triste e choro
Prenunciando o dia
Cinza, chuvoso, nostálgico
Ou se choro porque
Ela veio num dia de sol...
Sei apenas que a chuva
É uma amiga triste
Que se vem me fazer blue
Ou se vem minha dor
Eu não sei...
Só sei que não vou sorrir
Enquanto ela não for embora...
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
Carta da França
Tarascon e a tarasca
Hoje estou com vontade de
escrever para vocês a História de Tarascon.
Antes de pisar essa cidade, eu já ouvira meu marido contar,
entre uma baforada e outra de cachimbo, a origem do nome de sua cidade natal.
Tarascon, que não raramente eu erro sua grafia, por pura
“brasileirice,” colocando um ”r” a mais, transcrevendo quase foneticamente sua
pronúncia:”Tarrascon”, era uma pequena província, muito Antes de Cristo,
localizada entre alagados, rios e lagoas.
Quase uma ilha, ela teve sua geografia modificada através
dos tempos, e hoje, de suas antigas águas, restaram o Rio Rhône que corta a
região e um pouco mais longe, nos arredores de suas vizinhas Arles, Santa Marie
de la Mer e adjacências, o famoso “pantanal” francês, a “La Camarga”, região de
criação de touros e plantação de arroz.
Mas voltemos àquela
pequena Província perdida no mapa antigo da França, numa época em que o mundo
estava passando pelo nascimento do Cristianismo, e mal tinha ouvido falar na
chegada de um Salvador.
O povo desse lugar andava muito assustado com um monstro
horripilante, de tremenda bocarra e que usava da calda para golpear e matar,
para depois devorar sem piedade suas vítimas. Não respeitava ninguém. Mulheres,
crianças, pescadores, quase toda família do lugar, já havia se enlutado por
conta do monstro assassino.
Chamavam-no”Tarasca”(tarrasca),uma
palavra do patuá local.Ninguém mais queria passar perto do rio. A cidade era só
luto e desespero.Alguns heróis tentaram livrar a cidade desse meio dragão, meio
serpente, mas nada!
O tempo foi
passando e o povoado recebeu uma visitante que lá fixou sua morada. Chamava-se
Marta. Ela mesma, nada menos que a irmã de Lázaro, ressuscitado por Jesus
Cristo.
Era o ano 30
DC, um pouco mais, um pouco menos, e os discípulos e apóstolos Dele,
espalharam-se pelo Velho Mundo, pregando a Palavra e levando os fundamentos
cristãos. Por isso vamos encontrar Marta à beira do Rio Rhône, onde hoje é o
castelo do Roi René, falando ao povo e tentando acalma-los em relação ao
monstro assassino. AS rochas, que hoje servem de alicerce para o castelo,
escondia a caverna da “Tarasca”.
Marta, numa
demonstração de fé diante do povo aflito, benze o animal que dela se aproximava
ameaçadoramente. Como que por milagre, o animal se acalma e como hipnotizado,
permite que os homens se aproximem e o matem, livrando o vilarejo do terror em
que viviam.
Hoje, então,
Santa Marta para os católicos ou simplesmente Marta para os evangélicos está
enterrada no sub-solo da Igreja de Santa Marta, centro de Tarascon que deve seu
nome à Tarasca, monstro que por muito tempo aterrorizou seus moradores no
passado. Turistas do mundo todo, ao visitar o castelo, aproveitam para ver o
túmulo da Santa.
Desde a era
medieval, um dia do ano é consagrado às lembranças do ato heróico de Santa
Marta e à figura da Tarasca, que, feita em papel maché, e arrastada pela cidade
pelas mãos dos tarasconeses. É uma grande festa e as crianças, principalmente,
divertem-se ao persegui-la pelas ruas. Ela é verde, tem um rabo de dragão e uma
cabeça redonda e cheia de “serras” pontudas como um dinossauro. A barriga enorme
e redonda, completa a figura do monstro descomunal.
As pessoas
foram atrás de uma explicação plausível para essa história e descobriram
tratar-se, essa fera, de um crocodilo que, nativo de terras orientais, possa
ter vindo parar em Tarascon, não se sabe o porquê Como o povo ocidental da
época, nunca ouvira falar nem tivera conhecimento da existência de algo tão
pré-histórico e feroz, pensaram tratar-se de um monstro apocalíptico.
É...mas para o fato da Santa Marta ter paralisado o monstro
a fim de que os homens pudessem matá-lo, permanece ainda em mistério...
À bientot! À toute l´heure!!!!
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