terça-feira, 27 de junho de 2017
segunda-feira, 26 de junho de 2017
sexta-feira, 23 de junho de 2017
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Escargots ao molho de amêndoas
(Caramujos comestíveis ao molho de amêndoas)
1 panela média cheia de escargots comestíveis recém catados no mato após uma chuva de outono.
(Prenda os escargots numa gaiola para não fugirem. Alimente-os com ervas aromáticas durante 8 a 15 dias para se limparem por dentro nesse tempo de confinamento.)
Depois desse tempo, sem retirá-los das casinhas, lave-os vigorosamente em água corrente, numa bacia bem grande.
Escorra, banhe-os com vinagre e vá mexendo os caramujos com as duas mãos para que babem bastante, fica como se estivessem mergulhados em claras de ovos. Repita umas três vezes essa operação.
(Lembrem se de que eles devem permanecer dentro das casquinhas.) Reserve -os.
Leve um grande caldeirão com água no fogo, onde você colocou muitas ervas aromáticas: erva-doce, hortelã, tomilho, salsa, cebola, aipo, orégano, etc. Quando ferver, coloque os escargots com ainda dentro das casquinhas para cozinharem. Enquanto isso, prepare o molho.
Molho de amêndoas para os escargo
Prepare um molho de tomate bem condimentado e concentrado, porém, não muito espesso, em quantidade bastante para cobrir os escargots depois de macios. Nesse molho preparado do seu gosto, despeje um prato de farinha de amêndoa . Ferva bem, mas controle a espessura do molho de maneira que ele possa envolver e entrar nas casinhas dos caramujos.
Sirva em pratos fundos. Acompanhe com pães torradinhos, um bom vinho tinto seco e palitos de mesa.
Como comê-los:
Pegue cada escargot com uma das mãos, e, com a outra, segure um palito com o qual deve puxá-lo da casca até que enxergue a cor mais escura da carne dele. Aí , um pouco antes da parte escura, deve corta-lo e levar a parte clarinha à boca. Despreze a parte escura. Pode chupar as casquinhas emprenhadas do molho.
Essa receita, bem como a descrição de como se comer escargots, é fiel à região da Provence, sul da França, onde vivi e preparei várias vezes esses caramujos. Bastava uma chuvinha e lá estávamos nós catando os escargots no campo e nas montanhetas ao redor de Tarascon.
Cuidado: Os caramujos de Ubatuba , aqueles escuros e grandes, que infestaram a nossa região, foras trazidos da África para serem comercializados, mas se infectaram. Não servem para a alimentação. Há que se conhecer escargots criados para consumo.
segunda-feira, 19 de junho de 2017
Cartas da França.
Londres IV
Pensei em
mudar de assunto, mas minha paixão por Londres é tanta, e somando-a ao
incentivo dos amigos e de desconhecidos que me param nas ruas para comentar
também seu interesse, volto a lhes passar algumas impressões sobre as paisagens
saxônicas.
Navegar o
Rio Tâmisa num passeio turístico que nos leva a observar a cidade de um outro
ângulo, é programa obrigatório para quem está em Londres.Ao ritmo lento do
barco, vamos apreciando as pontes artisticamente construídas, das quais a mais
bela, a Tower Bridge parece uma caixinha de música sobre uma penteadeira.
Passar por debaixo dela é indescritível.Do seu lado, o castelo da Torre, onde estão guardadas as jóias da Rainha e o tesouro da realeza. Em uma das margens, a visão do Parlamento e do Big- Ben também passa por nós como em câmera lenta, inesquecível.
Passar por debaixo dela é indescritível.Do seu lado, o castelo da Torre, onde estão guardadas as jóias da Rainha e o tesouro da realeza. Em uma das margens, a visão do Parlamento e do Big- Ben também passa por nós como em câmera lenta, inesquecível.
Windsor
também impressiona pela pompa, elegância, austeridade, parques floridos,
evidenciando o porquê de abrigar o Castelo de Windsor, o mais popular da
Inglaterra e o preferido da Rainha que passa a temporada de verão dentro de
suas ricas dependências Bem danificado por um incêndio, o prédio passou por uma
grande reforma que respeitou sua arquitetura, na íntegra, deixando-o ainda mais
imponente.Na volta, pode-se visitar o bairro de Candentaw, lugar bem estranho, com feiras hippies e uma gente estranha de dar medo.
Cambridge
não é muito longe e a Universidade que leva seu nome, está espalhada em blocos
pela cidade, de modo que não temos idéia de quão grande ela possa ser. Construção medieval, como quase tudo na
Europa, andar por suas ruelas é ter a impressão de que um personagem de
Shackspeare ou um dos mosqueteiros, como
Dartaghan nos surpreenderá, a qualquer minuto, com sua capa esvoaçando, num
salto vindo do irreal, e esbarrará conosco num gesto quixotesco para
desaparecer num beco escuro de escadaria íngreme.Os estudantes da Universidade,
apregoam os passeios de barco. Ganham a vida levando os turistas passear pelos
canais.
Descrever
as estradas para Walles(País de Gales) não será fácil. Montanhas cobertas por
ciprestes rasteiros e floridos, dão à paisagem, um bucolismo lilás arroxeado,
tom das flores que contrastam com a terra arenosa e branca do lugar. Ovelhas e
pastores completam a cena de um céu escuro de nuvens rápidas lembrando o quão
perto estávamos do céu. Os bread-breakfast se sucedem num serviço doméstico e
acolhedor, quando os próprios donos de grandes casarões medievais, compartilham
com os turistas o seu modo de vida a preços convidativos, o que lhes permite manter
as dispendiosas propriedades. Ficamos num desses, perto de uma igreja em ruínas
(Church Streaton).


Em se
tomando a linha azul Picadilly, e descendo na estação de Knight Bridge,
sairemos em frente à Harold ´s , cujo nome diz tudo, não é? Os vendedores de
seus cinco andares que tomam quase todo quarteirão, costumam se gabar dizendo:
“ Peça um elefante e iremos buscar”. Referindo-se à complexidade e variedade de
produtos ali encontrados à venda.
Greenwich,
o marco zero do mundo. Para se chegar ali, atravessamos, a pé, um túnel de 500
metros sob o Rio Tâmisa.Lá está ele, em meio a um jardim, bem demarcado com
faixas escuras, num muro não muito alto, pano de fundo para fotos de turistas
que registram a linha divisória do mundo, dividindo-o como duas metades de uma
mesma laranja.As bibliotecas estão por toda parte num país onde se lê em qualquer situação: no metro, nos jardins, nas ruas, nos ônibus, nos cafés...Nada de conversa numa viagem de metrô, apenas livros abertos sendo devorados pelos passageiros. Jornais e revistas lidas, são deixadas nos lugares, a fim de outras pessoas possam lê-los. Ninguém os levam, podem servir a outros que chegam depois.
Nem um
cobrador nos metrôs ou em outros coletivos. Mesmo assim, ninguém os tomam sem
comprar seu bilhete, porque, se alguém for pego, em alguma esporádica “batida”
surpresa, é retirado da condução no mesmo momento e levado à delegacia. Eu e o
Antoine presenciamos uma jovem sendo retirada do trem em Leiscester.
Banheiros
públicos não faltam. Os deficientes físicos são lembrados e têm preferência e
livre acesso em todos os lugares
Civilização, beleza, glamour, tudo nos enche a
alma em Londres, até comer um “sanduba “ nas escadarias da Catedral onde Diana
se casou.
Na travessia do canal da
Mancha, de Dove a Calé, já na França, foi esse só, meu pensamento:voltar,
voltar, e voltar.
terça-feira, 13 de junho de 2017
Carta da FrançaAH!...Le vin...
Hoje, transcrevo para meus leitores, uma carta do meu marido. Eu vou
traduzi-la para o português.
“Sou francês, mas pouco conheço a arte vinícola. Para mim, um
vinho é bom, quando a gente se identifica com ele.Não existe vinho bom
ou ruim. Experimenta-se, gosta-se ou não.É assim que eu costumo
determinar a qualidade dessa bebida.
Entretanto, tenho algumas lembranças, da minha juventude, as
quais, hoje, reconheço como básicas a quem pretende ser um apreciador
da bebida de Baco. Não me tornei um enólogo, como já disse, mas um
“conesseur”
Vamos às lembranças. Tarascon, minha cidade natal, fica na
Provence, Sul da França, onde podemos encontrar uma profusão de
castelos de todas as épocas e estilos, desde as ruínas romanas, passando
pelos medievais até os mais recentes da época renascentista.
Corta essa região, o Rio Rhône, citado diversas vêzes por minha
mulher nesta coluna.Segundo rio em importância na Europa, ele levou
suas águas para desaguar em Genebra, terra dos Grandes Bancos, da
liberdade soberana, da riqueza e da tecnologia.
E é lá em Tarascon, em uma das margens do Rio Rhône, onde fica
o Château du Roi René, início de construção em 74 D.C., várias reformas
para, na época medieval, ter sua construção acabada em todo seu
esplendor no reinado de René que o usava nas estações de veraneio. Um
dos castelos mais visitados na França, ele deve sua reputação por ser
também um dos mais conservados do país.Seguramente é verdade, pois o
filme “Prise de la Bastille”, sobre a Revolução Francesa, usou esse castelo
como local de filmagem e o povo de Tarascon como figurantes.
Os castelos renascentistas são mais luxuosos, conservam a
autenticidade das mobílias, jardins suntuosos, e são mais comuns na
região que vai de Paris à Vallé de Loire, como os famosos de Chantilly e
Versailles.
Mais recentemente na linha do tempo, surgem nas regiões dos
grandes vinhos franceses, castelos de construções estilosas e ricas
pertencentes aos seus renomados produtores. São chamados “domaine”, o
castelo e a vinha a perder de vista ao seu redor. Assim, nasceram as
grandes marcas, mundialmente conhecidas, inclusive o champanhe que
tem suas raízes monásticas atribuídas a um monge que teria
acidentalmente encontrado a receita desse “pecado de prazer”.
É pois, numa paisagem como essa onde eu me vejo, aos dez anos de
idade, levado pelo meu pai para trabalhar com ele , engajados na
“vendímia”, colheita de uvas.Os trabalhadores eram administrados por
um italiano que tercerizava a colheita. A convivência com ele e seus
conterrâneos, também trazidos da Itália, valeu-me a primeira e estreita
relação com a cultura italiana. Nos almoços, aprendi a degustar um
espagueti ao sugo de cogumelos colhidos ali mesmo, debaixo dos pés de
uvas, ou um belo assado de lebres ali mesmo entocaiadas e laçadas pelos
trabalhadores.
Meu pai trabalhava como um dos transportadores das uvas
colhidas por nós das “souches”( parreiras). Cada colhedor levava seu
balde cheio e o esvaziava nas metades de tonéis com alças que os
transportadores, como meu pai, levavam sobre a cabeça protegida por
uma rodilha de pano, até uma caçamba que ficava a uns 300m do local, e
que era puxada por cavalos. Dali, as uvas colhidas eram levadas à “cave”
onde seriam despejadas no “pressoir”, primeira etapa na fabricação do
vinho.
A nossa atividade de colhedores não era fácil, parece simples
arrancar manualmente os cachos de uvas, mas esses oferecem uma
resistência nada fraca. Além do cansaço desse movimento, amiúde
deparávamos com vespeiros formados entre os galhos, sendo quase
impossível não sermos picados no rosto ou nas mãos.
O ritmo e a qualidade do trabalho eram controlados por fiscais, a
fim de manter a uniformidade no avanço da turma. Ninguém podia ficar
para trás e nem deixar frutas desperdiçadas no campo. Esse cuidado todo
era porque o serviço tinha datas de início e término bem definidas. O
contrato era feito à base de “forfait”( empreitada ) e se ganhava por
produção Os italianos tinham pressa de ganhar dinheiro nesses serviços
temporários, queriam voltar logo para a Itália. Até hoje, eu não sei como
conseguia, com apenas dez anos, acompanhar o ritmo daquela frente de
trabalho. Só muito mais tarde, eu compreendi a ajuda silenciosa que
meu pai me prestava quando, ao vir buscar seu tonel com uvas, ele
“adiantava” comigo minha fileira de “souches” a ser colhida.As parreiras
de uvas na França, são enfileiradas e baixas, não passam de nossa cintura,
sustentadas por estacas e arames, mal comparando, como uma plantação
de tomates. Já em Portugal, elas correm por cima, em caramanchões,
como nós as conhecemos aqui no Brasil.
Mas , não foram só de espinhos, aquele tempo. A boa cozinha
italiana, os primeiros muitos copos de vinho permitidos por meu pai, as
precoces idas com as namoradinhas italianas, à noite, nas vinhas
perfumadas, valeram-me uma sensação que ficaria para sempre, de que a
felicidade tem o sabor e a cor de uma boa taça de vinho tinto, encorpado e
seco, ou mesmo de um moscatel doce e gelado tomado depois de tudo
acontecer.”
Tim-tim!!!
À bientot!
segunda-feira, 12 de junho de 2017
quarta-feira, 7 de junho de 2017
segunda-feira, 5 de junho de 2017
sábado, 3 de junho de 2017
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