segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Vôo azul
 Abro a janela
Pra noite que me espera.
É madrugada e no entanto
As estrelas cintilam
No céu quase escuro
De um azul neon
Quase aurora
Respiro o ar gelado menta
De um vento junino.
Procuro a lua que resplandece
Quero ficar aqui
Debruçada e esquecida
Na janela da vida
Que prendesse esse tempo
Cristalizando esta imagem
Recusando o dia
Janelando dimensões
Restringindo o belo
No quadrado limite
Como se fosse demasiado
Salpicado de luz
Sugerindo o místico
Integrando meu sonho
Que esquece o real
Aqui neste quarto
Divagando o mistério
Na prisão das paredes
Querendo voar no azul deste dia que teima
Em amanhecer.



sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Silvinha Simões
Primavera na França
Frente de cada provençal

Qualquer domingo de um mês de |Abril, poderá ser, com certeza, um excelente dia para um passeio pelas redondezas no sul da França.
Em plena primavera, as flores invadem jardins públicos, rotatórias, campos, montanhetas, fontes, jardins das casas e as jardineiras das janelas. Para onde você olha, lá estarão elas colorindo tudo, verdadeiros lençóis de patche-work: 


 Cocquelicots

os vermelhos cocquelicots, (papoulas), os roxos, bordeaux, azuis, rosas e brancos iris, os amarelos e perfumados jeunés, os pequeninos e também amarelos bouttons d´or, as dálias, as rosas, os pensés (amores-perfeitos), os brancos narcisos...Mas são campos inteiros floridos...mares vermelhos de cocquelicots, brancos de narcisos, amarelos de jeunés e assim por diante. 




Os blués (como violetas), beirando as estradas...Lindo!
Foi durante o inverno, ainda em Londres, no High Parck, onde eu me deparei com as teimosas colchicas pela primeira vez.


Abricots em flor

São flores pequeninas em branco e rosa, que rompem a neve no final do inverno e mostram seu caule de poucos centímetros, mas forte o suficiente para ostentar uma corola de pétalas frágeis, colorindo a fina camada de gelo, ou o gramado dos parques e prados, no início da primavera. Na Provence, elas enfeitam os sopés das montanhas dos Alpesnesta mesma época.
E é num ambiente assim florido que acontecem os dias de Páscoa. Diferentemente do Brasil, a segunda feira posterior ao Domingo da Ressurreição é o dia mais festivo da semana e também,o Dia Nacional do Piquenique.


Até às as crianças fazem piqueniques

Como tradição secular, principalmente na região da nossa Tarascon, os católicos se dirigem à Abadia de Frigolet, logo de manhã bem cedo. Assistem à missa e caminham até o campo do convento. Debaixo dos cedros perfumados, estão os carros demarcando os lugares escolhidos para o esperado piquenique. Cada família então, retira do porta-malas os apetrechos e comidas: queijos, salames, presuntos cru e cozido, patês, azeitonas, tomates, pepinos, ovos, pães, vinhos, doces e café.
Ao sol, arranjam-se as mesas e cadeiras com os quitutes.



Dali do bosque de cedros, ao som gostoso da brisa doce, podem ainda ser vistas a Igreja e a Abadia ao fundo. Medieval e austera, guardam o segredo do saboroso Licor de Frigolet feito e comercializado pelos freis. Dali, para o mundo todo, espalha-se a magia desse licor que mistura os mais requintados sabores e perfumes das ervas que crescem nas montanhetas ao redor do Convento, as famosas ervas de Provence.
Após o piquenique, tudo guardado e limpo, bem ao modo europeu, abandona-se o lugar e volta-se ao campo atrás da Igreja, onde acontecem as apresentações de diversas congregações folclóricas e religiosas. As Arlesianas são mulheres de todas as idades que comparecem em roupas do século XVIII e início do XIX.






Vestidos luxuosos, anquinhas, capinhas de renda branca sobre os ombros, sapatos de época, sombrinhas, cabelos penteados da mesma maneira, presos no alto da cabeça, e enfeitados com rendas brancas e engomadas, fazem o rico visual das damas. Seus cavalheiros também em fraques de época e alinhados completam a cena. Bandas de Pífanos, animam o ambiente tocando as farandolas medievais que são dançadas pelos grupos de artistas vindos de todo canto. Batalhas medievais entre cavaleiros em armaduras, dão um toque cinematográfico à festa...

Na volta para casa, reparamos no verde dos Platanus. Há bem poucos dias, eles estavam nus, e agora, já exibem as folhas de um verde “novinho em folha”. Daqui a duas semanas, estarão novamente cobrindo as estradas do sul da França, como um túnel infinito.
São assim, as passagens de estações na Europa, verdadeiras explosões de trocas de paisagens e acontecimentos. Cada fase da Natureza uma nova magia, uma nova força sacudindo o cotidiano.
Contam-nos, dois sobrinhos franceses que moram no Thaiti, Guy e Bernard, que, segundo estudos feitos por psicólogos daquela região, a mesmice entre as trocas das estações do ano em regiões tropicais, onde o sol, chuva e um pouco de frio intercalam-se indiferentemente durante todo o ano, é culpada pela depressão muito presente entre os nativos e moradores das ilhas daquele arquipélago. Os dois afirmam ser essa uma grande verdade e sonham com a força explosiva da Natureza européia revolvendo tudo.
Será assim também no nosso Nordeste?
A bientot!

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Carta da França

Hábitos à mesa.


Estávamos quase terminando de preparar o almoço. Robert , meu cunhado, e Antoine, meu marido, preparavam a mesinha de aperitivo. Batem ao portão.
         _ Quem será? Diz Marie, minha cunhada, enxugando as mãos. Abre a porta. “ C´est pas possible, Fifine notre cousine!”
         Beijos, que o francês adora, três, às vêzes quatro, Ça va? E abraços, uma profusão de interjeições. Mas, eu que após apresentações, estava ainda no impacto do feliz momento, não acreditei que falassem seriamente, quando a prima Fifine (Josephine) , desculpando-se por chegar `aquela hora, pergunta sobre um bom restaurante em Tarascon. E mais espantada ainda fiquei, duvidando até do meu francês, quando Marie, com a cara mais natural do mundo, indicou-lhes o restaurante da praça. A prima e o marido deixaram a mala, despediram-se, e prometeram que voltariam para o cafezinho, se não fosse incômodo.
         Na minha “brasileirice”, fiquei perplexa: _ Por que eles não ficam para o almoço, se vieram de Lyon, e se a intenção é de ficarem uns dias aqui? Perguntei à minha cunhada que é mestra em desfolhar as regras da cultura francesa aos olhos abobalhados dos brasileiros. Quando ela ergue a cabeça, imposta a voz, e o assunto permite botar a França na roda, parece que ouvimos de fundo, a “Marseillese”.
         _Como? Nós não os esperávamos senão à noite Ela é que deve estar envergonhada de chegar sem avisar.Ela come no restaurante e depois toma o digestivo conosco.É natural.
         _Ela não vai ficar zangada?
         Marie nem entendeu porque alguém pudesse imaginar que um francês estranhasse o fato de não comer na casa de alguém, sem aviso prévio.Para eles, é assim que funciona. Com o tempo, eu fui entendendo.A refeição deles tem normalmente, podendo aumentar com a importância da ocasião, cinco ou mais cursos:

a)       Aperitivo: pastis (anis),kir, vinho branco, granadine, martine, susy  etc...e os canapés.

b)       Entrada, pratos frios :salmon defumado, presunto cru, patês “maison”, saladas, legumes em conserva, azeitonas temperadas e em pasta (tapenade), legumes recheados, alcachofra, crustáceos, anchois etc, etc,...Vinho branco ou tinto (secos) e água, nunca, nunca refrigerante ou suco.Pão. Servido pelo dono da casa, sempre. É ele quem corta e oferece, e ai de algum desavisado que tentar fazer isso, ele já vai ouvir...
 Verão, mesas ao ar livre...Comunidade festeja o sol.

c)        Prato quente. Esses são infinitamente variados e as sugestões não chegam perto da realidade.Vou citar alguns, só para dar água na boca: massas, carnes e caças ao vinho (daube, civet) assados, gratin de legumes, béchamelle (molho branco) muito usado nos pratos quentes , peixes, moluscos e crustáceos etc...Vinhos tinto, rosé ou branco (seco) e água. Pão.



d)       Queijos Um caso à parte.Essencial. Tipos mil. Cabra, vaca, búfalo, cremoso, curado, curtido, temperado, forte, suave, embolorado, com bicho, sem bicho...Vinho branco ou rose (seco). Pão. Muito pão. Diferente do pão, no caso do queijo, cada um se serve. Uma vez, eu ouvi um “ Sílvia, serve!”Eu pensei que fosse para eu ajudar a servir o queijo e comecei a cortá-lo e servir aos outros.Foi discussão para meia hora sobre hábitos à mesa depois de se ouvir um sonoro “HO!!!!!!”Era para eu me servir e passar o prato...

e)        Dessert:frutas, doces, cremes, sorvetes, tortas, hum! Vinho branco ou rosé, suave ou doce, espumantes e cidras. O champagne, conforme o status da família, poderá ser servido do início ao final da refeição. Quanto às frutas, nunca pique um bago de uva como eu fiz uma vez. Você irá ouvir um OH!... E a explicação que no lugar de onde você retirou a uva, vai juntar mosquinhas, que vai ficar feio, mas tudo isso, com o pessoal muito bravo, e a impressão da Marseillese ao fundo e os passos da tropa alemã  marchando sobre as tampas dos bueiros das ruas, como o Antoine me contou que ouvia quando criança. O certo é se retirar o bago com seu cabinho que liga a uva ao cacho.



Reparem a parede de pedras do Studio onde moravam os eu e Antoine. Datam de mais de 300 anos


f)         Café e licores digestivos : Cafezinho, licores (vervene, tieul, são os mais consumidos) e a grapa. O chocolate de menta não pode faltar nessa etapa da refeição.

Agora, que se esclareça, que a dona da casa prepara tudo isso contando exatamente uma porção por pessoa. Um dia, meu enteado Almir , à volta do fogão, enquanto Marie preparava o almoço de boas- vindas para ele e a mulher Ivelise, “roubou” uma fatia de presunto que ela estava enrolando com melão. Ela não disse nada, mas na hora de servir, faltou uma entrada para ela. O Almir :”Você não gosta de presunto, tatá?” A que ela respondeu, de novo parecendo ouvir a Marceillese:”Você comeu a fatia que eu iria fazer para mim.”
 Viu, por que não podemos chegar à casa do francês, sem avisar? Eles não sabem receber de outra maneira e não estocam as coisas , não abarrotam o armário de compra. Não têm inflação, gostam de ir todos os dias ao supermercado e adoram compartilhar horas a mesa com suas visitas, para quem fazem questão de contar o esmero do preparo, onde encontraram os melhores ingredientes, as histórias dos vinhos, quanto pagaram por cada iguaria etc, etc etc. Á cada curso, os pratos são trocados, ou, se íntimos, os convidados limpam os pratos com miolo do pão servido todo tempo.E a presença da dona da casa, é indispensável, cabendo aos convidados esperarem por ela sempre que ela precisar sair da mesa para servir um novo prato, sem tocar a comida.
Salvaguardando as proporções da sofisticação, tanto as refeições especiais, quanto as do dia-a-dia, seguem os mesmos hábitos.
C´est ça. À bientot.





ERRATA: no artigo sobre as calangas deCassis, onde está “Papillon”, que se leia Conde de monte Cristo.











terça-feira, 22 de agosto de 2017

 Carta da França.Silvinha Simões



Le Pont du Gard

Não muito longe de Tarascon, a uns quinze Km para ser mais preciso, fica um dos monumentos mais visitados da Provence.
         Construído sobre o Rio Gardon, na Região du Gard, esse monumento é o mais puro exemplo de soberania e poder do povo romano que dominava o velho mundo daquela época.
         Milenar, ele ainda está lá, quase intacto, imune à ação do tempo.
Logo que você se aproxima do estacionamento recém construído e pagante, com capacidade de receber mais de 3000 veículos, você já começa a ter uma idéia da grandiosidade do Pont du Gard ao entrevê-lo e adivinhá-lo ao fundo, por trás de árvores e rochas da paisagem local.


No caminho que se faz a pé, depois que se deixa o carro, as surpresas se apresentam, uma a uma: 
a) Quiosques e lojas vendendo souvenirs e artesanatos, 
b) Cavernas pré-históricas encravadas nas rochas do lado esquerdo do caminho (das quais só se pode ler, da estrada, as placas informativas) 
c) Uma subida íngreme, sombreada, em meio à mata e rochas, onde fica uma escadaria rústica de pedras que dá acesso ao segundo andar da ponte, 
d) Do lado direito, seguindo todo o trajeto, um jardim artificial acompanha a margem do rio: caramanchões, bancos, gramados, cimentados, banheiros, árvores replantadas e um sistema de rega a vaporizador d´água sob o qual até os turistas se esbaldam no alto verão. Salvos os quiosques e as lojas, toda a infra –estrutura é muito nova e cara. Meses atrás, eu cheguei a visitar esse lugar, e não se cobrava estacionamento, que não tinha lugar próprio. Parava-se ali mesmo perto das oliveiras (três) com mais de mil anos, trazidas do Oriente para presentear a França.Apenas uma cerca barrava o lugar.



 O Antoine contou que em 70, 80, podia-se passar de carro e bicicleta por todo local e mesmo no primeiro andar da ponte. E a escadaria que começa lá no caminho de acesso, levava os mais corajosos até a vala que transportava a água, lá em cima, no topo do aqueduto, no topo do terceiro andar.
Depois que você já andou um bom pedaço, você já pode se deslumbrar com frações do todo gigantesco da construção, que  aos poucos, vai se descortinando ao fundo da paisagem entre árvores, sombras e rochas. Aí, você prende a respiração ao vê- lo por inteiro, majestoso e milenar, intacto à ação do tempo.
Mas por que eles, os romanos, iriam construir uma ponte assim tão monumental, que pelo seu porte incomum, tornou-se através dos tempos, um dos lugares mais visitados do mundo inteiro?
O próprio Rio Gardon não justificaria, visto

quinta-feira, 17 de agosto de 2017


 Posse da Nova Diretoria da ATL - Biênio-2017-2019,
Irmandade de Misericórdia de Taubaté,
Premiação dos vencedores dos Concursos interno e externo.
Participação da Camerata Zajdenbaum da Escola de Artes Maestro Fêgo Camargo.


O muito e o pouco


Lá fora,
o muito que devora
aqui dentro, o pouco
vivo o mundo do de fora
não reconheço o pouco
que grita à noite
quando o escuro do quarto
me cobra impiedoso:
È você? Você existe?
mas não quero pensar
prefiro a engrenagem do dia
um mundo invencível
engolindo o simples
invadindo canteiros
ressequidos e mal cuidados
e brotar flores no pouco
onde vicejam plebeinhas flores...
o jardineiro foi embora

Só a roda do faça, vá
empurrada pelo dia-a-dia
que se disfarça no muito:
fazer, ir, adquirir, pagar


Mas sozinha no escuro
engrenagens desligadas
ruídos já emudecidos
o meu pouco se revela:
ouço-me, amo, lembro, choro
e às vezes, oro

O que sou desperta o grito
que vem do pouco que reclama
E que se cala abafado pelo muito
que vem e se anuncia
ao amanhecer

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Estou cansada

A agenda me engole
o tempo me vence
chega sempre no antes
a todas as chegadas
Sinto-me atrasada
corro tanto e não chego
chego sempre mal chegada
cumprindo, comparecendo
esquecendo, atropelando
cabeça rodando as datas
que chegam antes
muito antes do eu real
vivo em dois mundos:
entre aquele que corre
nas ruas, jardins, escola
e caminhos dos que amo
e o meu mundo pretensioso
que pensa que consegue
correndo em busca
do tudo que chega antes
veloz, sem me prevenir
apenas chegando aos  tropeções
como se fosse normal
o vendaval de horas afunilando
um túnel abstrato e sem fundo
Quero pois que o mundo pare
na velocidade atemporal
e volte para as ancas de um cavalo
em marcha miúda a dançar
ou que ele venha chegando 
puxando charretes enfeitadas
rosas margaridas e violetas
colhidas no caminho estelar
Quem sabe assim 
eu cavalgasse o tempo
de trote lento e permissivo
gentil cavaleiro esperando
minha vida respirar
vida arrumada e tempo pra tudo
Até para amar

sexta-feira, 11 de agosto de 2017





Que tal hoje fazermos um prato ITALIANÍSSIMO de nome estranho e que mamãe e sua família faziam sempre? Já fiz muito e adoro.
Et voi lá.
      Bugatini ao Contadino

Prepare: para cada 100g de Espaguete, coloque em uma panela grande, 1l d´água. Você vai usar 2 pacotes macarrão espaguete.
Água medida, leve ao fogo e espere ferver para pôr o sal, assim, ele se espalha melhor e não fica no fundo. Não coloque óleo.
Enquanto isso, amasse ao murro, 4 dentes de alho ( ao murro: como vc vê os chefes fazerem, colocando o cabo das suas facas sobre o dente de alho e dar um “murro” em cima para esmagá-los).
Aqueça 100g de manteiga e frite o alho amassado , já numa panela que grande  para o molho e o macarrão que deverão se juntar na mesma panela do molho antes de se lavar à mesa. Dourados os dentes de alho,  coloque mais 4 colheres de azeite e 2 latas de tomates pelados.  Vá  colocando, na sequência, um  ingrediente de cada vez, enquanto os tomates se desmancham : orégano a gosto, 1 vidro de alcachofrasalsa picadinha a gosto, 12 alcaparras,2 folhas de louro, 12 azeitonas sem caroços, sal a gosto, 1 berinjela em cubos refogada na manteiga, 1 abobrinha pequena em cubos, refogada na manteiga (abobrinha e berinjela separadamente refogadas) e, por último, 12 folhas de basilic fresco (manjericão). Acerte o sal e coloque mais um fio de azeite.
            O espaguete cozido ao dente e escorrido vai direto para a panela do molho. Por isso é importante se escolher uma panela  suficiente para o molho e o macarrão que deverão ser preparados ao mesmo tempo. Misture com cuidado macarrão e molho. Desligue o fogo e sirva, imediatamente, na mesma panela onde preparou.
            Seus convidados deverão esperar o serviço já à mesa.
            Sirva, separadamente, o queijo parmezão ralado.
Bom apetit !!!! Buono apetito.
Em tempo: macarrão ao dente: leve o fio de macarrão cozido na alturas de suas orelhas e estique-o até ouvir um “clic”. Se ouvir, está ao dente.