Carta da
França
Côte d´Azur
11 de fevereiro.
Aniversário de minha cunhada
Marie. Mas hoje não teremos tempo para comemorar. Escolhemos esse dia para
sairmos em visita a uns amigos niçoises. Estabelecemos uma rota pela Côte
d´Azur até Nice. Algumas cidades seriam paradas obrigatórias, mas estávamos
dispostos a ceder a outros atrativos com os quais pudéssemos nos deparar pelo
caminho. Saímos às seis horas de uma manhã muito fria, como todas em fevereiro,
mas de um céu azul marinho só visto na Provence. Já contei que é lá o lugar de
maior luminosidade do mundo?
Havia muita neve pelo caminho, quando passamos pelo Vale das Mimosas
(pronuncia-se mimosás ), apesar do sol brilhar forte àquela hora da manhã.
As
Mimosás merecem um parágrafo à parte, senão um capítulo, tal a beleza que
elas nos oferecem. Por todo o vale por onde ela cresce e floresce, as matas se
resplandecem num amarelo incomparável. Tanto, que não encontro substantivo
capaz de fazê-los visualizar comigo aquele tom, nem gema, nem ouro, nem
girassol... Nada que possa se transformar em adjetivo à altura daquele amarelo.
Amarelo e pronto. As flores? Tomam conta de suas árvores não muito altas, quase
arbustos. São pequenas esponjinhas, bolinhas de meio cm de circunferência, que
se prendem em cachos grandes nas pontas dos ramos, de modo que só vemos aquele
oceano amarelo tremulando ao vento nas paisagens das estradas. Nós também as
temos aqui e eu até já as fotografei e enviei as fotos aos amigos franceses.
Agora mesmo, elas estão em florada magnífica, mas são um pouco maiores,
brancas, e podem ser vistas no trecho que vai da Fazenda Fortaleza, Bairro do
Registro, até o Trevo da Redenção na estrada Oswaldo Cruz.
Nesse mesmo vale florido, paramos numa cidade medieval, linda, com mimosás
pesadas de neve por todo os jardins, tomamos café com chocolate de menta,
escrevemos na neve dos vidros dos carros estacionados, pousamos para fotos como
todo bom brasileiro, claro, e continuamos. Próxima parada, Eze e Pêlle, cidades
inesquecíveis, ruelas, becos, pedras, escadinhas, arcadas...
A
neve já havia ficado para trás, estávamos na hora do almoço, muito chão
percorrido e uma paisagem tropical nos acompanhava de há muito. Quase em Saint
Tropez e por lá, o clima é bem mais quente, verdadeiro oásis com palmeiras, vários
tipos de cactos, eu já estava me sentindo em casa. De repente, nessa paisagem
quase brasileira, surge à nossa frente, vindo em sentido contrário, um carro
todo coberto de neve, naquele clima super tropical. E logo surge outro, e mais
outro...
_O que é isso? Pergunta Marie. Não é comum nevar
nessa região.
Na
entrada de Saint Tropez, uma parada para foto na placa com o nome da cidade
coberta de neve, no melhor estilo: “Fotografou? Não? Dançou!”. Chegamos a
enviar fotos de cactos brancos de neve aos amigos de João Pessoa. Diferente,
não é? No restaurante, o garçon interpelado nos contou que há anos não nevava
por lá, e nós acabamos por perder o fenômeno de alguns minutos antes.
Continuamos até Canne, rodamos um pouco, visitamos o local do festival de
cinema e rumamos à Nice onde chegamos à tardinha na casa de Francis e Fernande
que nos esperavam com ansiedade.O casal mora em Drap,ao lado de Trindad, a uns
dez Km de Nice.
Esses nossos amigos já moraram no Brasil alguns anos e nos receberam muito bem.
Na manhã seguinte, fomos conhecer Menton, uma cidade mais moderna que faz
divisa com a Itália. Campeões na produção de limão e laranja estavam,
justamente nesse dia, promovendo a Festa Anual da Citricultura.
No desfile de
rua, os gigantescos carros alegóricos, tomam forma de animais enormes feitos
com laranja e limão: Pato Donald, Pluto, A Dama e o Vagabundo etc. Almoçamos e
tentamos ir à San Remo, já na Itália, mas enfrentamos um congestionamento
monstro e Robert resolveu voltar.
Eu não acreditei. Porém, a viagem não
acabaria ali e no dia seguinte chegamos até Monte Carlo e Mônaco.
Café da manhã e centro velho de Nice. Ficamos encantados com o porto da cidade,
o mercado, as mesinhas dos Cafés ao sol e muito, muito luxo e glamour. Já a
caminho de Monte Carlo e Mônaco, nas primeiras cidades italianas pelas quais
passamos, as mulheres eram uma atração à parte nos seus casacos de pele. Muita
pele e jóia, elegância que eu não vi nem em Londres.
Eram as primeiras mostras
do que veríamos em Monte Carlo: Cassinos cinematográficos e seus carrões
estacionados estrategicamente para serem admirados, turistas como nós, à
vontade, fazendo fotos diante deles. Chegamos a entrar num desses cassinos, mas
não pudemos passar do primeiro Salão, onde é permitida a entrada de simples
mortais. Os outros compartimentos são reservados aos nobres clientes. Antoine
conseguiu que adentrássemos ao primeiro Salão e só pudemos conhecê-lo
rapidamente, mas deu para tirar o fôlego.
Luxo inimaginável, lustres, tapeçarias,
pratarias, cristais, serviços em porcelana desde os cinzeiros... serviçais
elegantemente uniformizados...não, não dá para descrever. Afrescos famosos, as
mesas preparadas para o pôquer, ambientes e ambientes de jogos. E era só o
primeiro dos reservados. Contentamo-nos em jogar algumas moedas nas máquinas da
frente e saímos.
E
Mônaco? A Marina no centro da cidade, milhares de iates ancorados. Qual deles
seria de Nélson Piquet?
Visitamos o jardim do Palácio onde fotografamos uma cascata congelada, e as
esculturas de Rodin.
No
dia da volta visitamos Pellon, uma das mais belas cidades medievais da França,
almoçamos com os niçoises e ganhamos um litro de azeite de olivas do quintal da
casa deles.
Já
na estrada, novamente passamos palas cidades das mimosas, que nesse dia,
desfilavam seus carros alegóricos, todos decorados com suas flores amarelas.
Lindo...Uma grande atração turística.
Por que não fazemos o mesmo com nossas quaresmeiras em flor no caminho de
Ubatuba? Elas não ficariam devendo nada às mimosas. Fica aí uma sugestão aos
políticos e promotores de turismo da região.
À
bientot!











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