Ai... de mim ...
Neste mundo comum
De espaços tão banais
Pessoas reais demais
Desfilando ações
cruéis
Automatizando
sensações
Egoístas em série
Brinquedos à corda
Conduzidos para que
fim?
Ai ... de mim ...
Que vejo a flor
Que amo a lua
Que gosto da chuva
Molhando a terra
E me esqueço para sempre
Num sorriso de
criança
Ai ... de mim
Que sonho melodias
Me apaixono por
palavras
Leio histórias
de Avalon
E quando chega o
verão
Nado à noite com
Iemanjá.
Ai... de mim...
Que amo reles objetos
O cheiro do cobertor
No meu travesseiro , seu suor
E sonho com o ipê que desfolha
O agosto da primavera
Ai ... de mim ... enfim...
Que cato conchas na
praia
Crio asas de repente
E num bando de
gaivotas
Vou me debruçar no
sol poente

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