terça-feira, 16 de outubro de 2018




Ai... de mim ...


Neste  mundo comum
De espaços  tão  banais
Pessoas reais  demais
Desfilando ações  cruéis
Automatizando  sensações
Egoístas  em série
Brinquedos  à  corda
Conduzidos  para que fim?

Ai ... de mim ...
Que vejo a flor
Que amo a lua
Que  gosto da chuva
Molhando  a terra
E me esqueço para sempre
Num sorriso  de criança

Ai ... de mim
Que sonho melodias
Me apaixono  por palavras
 Leio  histórias  de Avalon
E quando  chega o verão
Nado à noite  com Iemanjá.

Ai... de mim...
Que amo reles objetos
O cheiro  do cobertor
No meu travesseiro , seu suor
E sonho com o ipê que desfolha
O agosto  da primavera

Ai ... de mim ... enfim...
 Que cato conchas na praia
Crio asas de repente
E num bando  de gaivotas
Vou me debruçar  no sol poente



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