segunda-feira, 19 de junho de 2017

Cartas da França.

Londres IV

         Pensei em mudar de assunto, mas minha paixão por Londres é tanta, e somando-a ao incentivo dos amigos e de desconhecidos que me param nas ruas para comentar também seu interesse, volto a lhes passar algumas impressões sobre as paisagens saxônicas.
         Navegar o Rio Tâmisa num passeio turístico que nos leva a observar a cidade de um outro ângulo, é programa obrigatório para quem está em Londres.Ao ritmo lento do barco, vamos apreciando as pontes artisticamente construídas, das quais a mais bela, a Tower Bridge parece uma caixinha de música sobre uma penteadeira.

 Passar por debaixo dela é indescritível.Do seu lado, o castelo da Torre, onde estão guardadas as jóias da Rainha e o tesouro da realeza. Em uma das margens, a visão do Parlamento e do Big- Ben também passa por nós como em câmera lenta, inesquecível.


         Windsor também impressiona pela pompa, elegância, austeridade, parques floridos, evidenciando o porquê de abrigar o Castelo de Windsor, o mais popular da Inglaterra e o preferido da Rainha que passa a temporada de verão dentro de suas ricas dependências Bem danificado por um incêndio, o prédio passou por uma grande reforma que respeitou sua arquitetura, na íntegra, deixando-o ainda mais imponente.


 Na volta, pode-se visitar o bairro de Candentaw, lugar bem estranho, com feiras hippies e uma gente estranha de dar medo.

         Cambridge não é muito longe e a Universidade que leva seu nome, está espalhada em blocos pela cidade, de modo que não temos idéia de quão grande ela possa ser.  Construção medieval, como quase tudo na Europa, andar por suas ruelas é ter a impressão de que um personagem de Shackspeare  ou um dos mosqueteiros, como Dartaghan nos surpreenderá, a qualquer minuto, com sua capa esvoaçando, num salto vindo do irreal, e esbarrará conosco num gesto quixotesco para desaparecer num beco escuro de escadaria íngreme.Os estudantes da Universidade, apregoam os passeios de barco. Ganham a vida levando os turistas passear pelos canais.



         Descrever as estradas para Walles(País de Gales) não será fácil. Montanhas cobertas por ciprestes rasteiros e floridos, dão à paisagem, um bucolismo lilás arroxeado, tom das flores que contrastam com a terra arenosa e branca do lugar. Ovelhas e pastores completam a cena de um céu escuro de nuvens rápidas lembrando o quão perto estávamos do céu. Os bread-breakfast se sucedem num serviço doméstico e acolhedor, quando os próprios donos de grandes casarões medievais, compartilham com os turistas o seu modo de vida a preços convidativos, o que lhes permite manter as dispendiosas propriedades. Ficamos num desses, perto de uma igreja em ruínas (Church Streaton).




         Em se tomando a linha azul Picadilly, e descendo na estação de Knight Bridge, sairemos em frente à Harold ´s , cujo nome diz tudo, não é? Os vendedores de seus cinco andares que tomam quase todo quarteirão, costumam se gabar dizendo: “ Peça um elefante e iremos buscar”. Referindo-se à complexidade e variedade de produtos ali encontrados à venda.
         Greenwich, o marco zero do mundo. Para se chegar ali, atravessamos, a pé, um túnel de 500 metros sob o Rio Tâmisa.Lá está ele, em meio a um jardim, bem demarcado com faixas escuras, num muro não muito alto, pano de fundo para fotos de turistas que registram a linha divisória do mundo, dividindo-o como duas metades de uma mesma laranja.

         As bibliotecas estão por toda parte num país onde se lê em qualquer situação: no metro, nos jardins, nas ruas, nos ônibus, nos cafés...Nada de conversa numa viagem de metrô, apenas livros abertos sendo devorados pelos passageiros. Jornais e revistas lidas, são deixadas nos lugares, a fim de outras pessoas possam lê-los. Ninguém os levam, podem servir a outros que chegam depois.
         Nem um cobrador nos metrôs ou em outros coletivos. Mesmo assim, ninguém os tomam sem comprar seu bilhete, porque, se alguém for pego, em alguma esporádica “batida” surpresa, é retirado da condução no mesmo momento e levado à delegacia. Eu e o Antoine presenciamos uma jovem sendo retirada do trem em Leiscester.

         Banheiros públicos não faltam. Os deficientes físicos são lembrados e têm preferência e livre acesso em todos os lugares
 Civilização, beleza, glamour, tudo nos enche a alma em Londres, até comer um “sanduba “ nas escadarias da Catedral onde Diana se casou.
Na travessia do canal da Mancha, de Dove a Calé, já na França, foi esse só, meu pensamento:voltar, voltar, e voltar.

        


         

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