segunda-feira, 22 de junho de 2020


Paisagem Urbana

Flutuo acima  dos telhados
Que esconde  a doidera do  mundo
E adivinho abaixo  do que não vejo
A vida  que fervilha  indiferente
 Ao que sinto  na sacada  fria
 Em solitário  sentimento de existir

... Só... No mundo de telhado cinza
E pombos barulhentos de cio e fome
Atropelados entre pés confusos
De gente que segue o rumo do nada
 embaixo ... pequenos demais
Como brinquedos à corda
Fazem parte da paisagem de cimento
E igreja que anuncia inútil
Uma fé fingida num sino rouco 
Que se envergonha de soar no infinito
De nadas e vazios mofados ...

E eu não sei o que faço na serra
Que teima seu entardecer amarelo
No azul grande demais aqui de cima
Onde   meu coração se acelera de vida
 E quer buscar no colorido do horizonte
O esquecimento desse incógnitos telhados
E tentar compartilhar um dia
Do aconchegante sentimento do acreditar

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