Paisagem Urbana
Flutuo acima dos
telhados
Que esconde a doidera
do mundo
E adivinho abaixo do
que não vejo
A vida que
fervilha indiferente
Ao que sinto na sacada
fria
Em solitário sentimento de existir
... Só... No mundo de telhado cinza
E pombos barulhentos de cio e fome
Atropelados entre pés confusos
De gente que segue o rumo do nada
Lá embaixo ...
pequenos demais
Como brinquedos à corda
Fazem parte da paisagem de cimento
E igreja que anuncia inútil
Uma fé fingida num sino rouco
Que se envergonha de soar no infinito
De nadas e vazios mofados ...
E eu não sei o que faço na serra
Que teima seu entardecer amarelo
No azul grande demais aqui de cima
Onde meu coração se acelera
de vida
E quer buscar no colorido
do horizonte
O esquecimento desse incógnitos telhados
E tentar compartilhar um dia
Do aconchegante sentimento do acreditar

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