Marseille
Eu acabara de chegar no mês de a gosto para morar na França. Meu tempo de licença, os três meses que temos para ficar num país estrangeiro, estava aspirando, assim que naquela manhã, estávamos na estrada rumo à Marseille para dar início ao processo da minha Carte de Sejour, uma carteira que nos habilita a permanecer até dez anosHá tempos, pensávamos ir a Marceille. Ela é a segunda cidade mais importante da França, na disputa com Nantes, também no páreo pelo segundo lugar. Meu marido queria me mostrar o cais do porto e seus arredores de mercados, feiras, comidas típicas e todo o ambiente do comércio mais antigo do mundo.
Como sempre, faltou algum documento e depois de enfrentar o característico mau humor dos atendentes franceses, eu saí do departamento de estrangeiros, apenas com uma carta provisória em mãos. Teríamos de voltar mais uma vez pelo documento. Mas, tínhamos quase o dia todo para explorar o lugar, sem contar a casa da tia Clemence e do tio Hopp os quais eu ainda não conhecia pessoalmente.
Andar pelos mercados de Marceille é como encontrar um pouquinho do Brasil. Lembra muito o Mercado Central de São Paulo, só que exposto nas ruas da cidade antiga. Quando algum brasileiro, radicado lá, pensa em fazer uma feijoada, é em Marceille que ele manda buscar os apetrechos. É, só ali, onde você encontra, por exemplo, a farinha de mandioca, a couve, a carne salgada, a cachaça de cana, etc. O mercado é uma mostra do que acontece no mundo, onde as raças exibem o que têm de mais típico.
No cais, em meio ao burburinho do movimento de navios mercantes, podemos contar com os barcos a velas, enormes e bem equipados, que levam ao passeio nas “calangas de Cassis”. Calangas são aquelas entradas bruscas que o mar construiu rochedos adentro. E a atração da viagem é entrar de escuna em cada calanga dessas, admirando a monstruosidade das alturas das falésias à nossa volta. Temos a sensação exata da nossa pequenez diante da paisagem de altos rochedos parecendo nos esconder, engolir-nos na casquinha de nozes que a escuna representa entre a imensidade das rochas e do lago salgado agitado de águas transparentes. O fundo dos barcos é de vidro de onde podemos assistir ao incrível balé dos peixes, algas e outros bichos do fundo do mar. E, a cada entrada numa calanga, é uma emoção diferente. Num passeio, visitam-se sete ou oito calangas. Nem precisa dizer que, após irmos ao mercado, fomos fazer esse trajeto de barco.
Hora do almoço, empapuçamo-nos com uma boa daquelas paellas, que estão a cada esquina da cidade velha, ou sendo servidas nos restaurantes do lugar. Após um sorvete de café, rumamos os quatro, sim, porque meus cunhados Marie e Robert estavam conosco, como sempre, à casa de tata Clemence na rue Paradise. Cumprimentos, cafezinho e visita à Igreja de “Notre Dame de la Garde” ali pertinho da casa dela. Construção de 1800, è um verdadeiro Forte e foi mesmo usado como tal nas Grandes Guerras. Fica no alto de um morro a 185 m acima do nível do mar, os quais se sobe por uma escada infinita, e de onde, uma vez lá em cima, se avista toda cidade e mar, até a tão famosa quanto pequena ilha onde fica o “Chateau Diff “ da história do livro que acabou virando filme: Conde de Monte Cristo.
A imagem de Notre Dame de la Garde está lá, em cima da torre mais alta da Igreja, e pode ser vista por toda Marceille. Dourada em folhas de ouro puro, sua luz resplandece abençoando a cidade. À Bientot

Nenhum comentário:
Postar um comentário