Vocês já ouviram falar
no” Moulin de Daudet”?
Ele é um moinho a vento
com sua torre de pedras calcárias avermelhadas, telhado de ardósia, hélices
enormes e muito bem reformadas. Cercado por uma mureta também de pedras, seu
pátio segue o contorno arredondado de sua torre. As escadarias de acesso ao
pátio são um convite para nos sentarmos em seus degraus e ficarmos simplesmente
a olhar a paisagem a nossa volta.
Em plena montanheta, a
caminho de Fontvielle, o velho moinho atrai turistas do mundo inteiro. E o que
teria ele de tão especial? Não existiriam outros nas mesmas condições na
Provence? É claro, eu respondo, mas não com a distinção de ter sido pintado a
óleo por Van Gogh e descrito por Alphonse Daudet em seus livros. Alguns desses
escritos, plasmados aqui mesmo, nos degraus do moinho:” Les Lettres de Mon
Moulin”.
Enquanto descansamos
sentados na escada, e após a visita ao museu de Daudet, máquina de fotos à mão,
sentimos o cheiro das ervas ao nosso redor: menta, arruda, tomilho, lavanda
selvagem e tantas outras que crescem como mato na Provence. Dizem que os
coelhos caçados naquela região crescem temperados, já que se alimentam das
ervas perfumadas. São também as mesmas ervas que alimentavam a cabra do senhor
Serguin, personagens de Daudet em:” La Chevre de Mr. Seguin”
No mesmo passeio,
podemos seguir em direção de Saint Remy e passarmos pelo hospital onde Van Gogh
esteve internado numa de suas famosas depressões existenciais, quando ele se
cortou a própria orelha durante uma de suas crises.
À frente desse hospital, existe um monastério antiquíssimo. Belíssima
construção medieval, cuja atração principal é um “Cloitre” lugar magnífico,
florido de todas as cores, onde ele, Van Gogh, passava horas e horas meditando.
Dizem que os freis tiveram muito a ver com sua melhora.
Olhar,
através das vidraças de seu antigo quarto de hospital, é uma emoção de
arrepiar. Mas vocêc pode pagar um ingresso e ter acesso a uma réplica do quarto
onde o pintor se recuperava na época, com seus objetos pessoais, mobília,
pintura de parede, tudo como ele deixou.
Uma vez no “centre
ville” de Saint Remy, toma-se um bom café à sombra de um plátanos, no Bar de
Van Gogh, assim chamado por ser o bar onde ele se reunia com os amigos para
pintar ou simplesmente relaxar após vir dos campos escolhidos como temas de
suas pinturas.
Marcas da civilização
romana fazem-se presentes de quebra, como um presente, nesses mesmos caminhos,
sem desvios, nem perda de tempo. É assim, que, de repente, na paisagem, duas
colunas Romanas colossais... mais fotos. À frente, arqueólogos trabalhavam num
terreno enorme e esburacado. Uma cidade inteira sendo desencravada. Apogeu dos
conquistadores romanos: salas de banhos comunitários, anfiteatro, mercado, escoadores
de água...Tudo ali, à beira do caminho.
Voltamos com o carro
cheirando a ervas de Provence, as quais aprendemos colher como os franceses,
com cuidado, cortando sem retirar as raízes para que elas ainda cresçam ali se
voltarmos um dia.
Como não tivemos sorte
de caçarmos um coelho da região, contentamo-nos com uns escargots bem robustos
catados no meio das ervas. Temperado por temperado... A Bientôt!!!!!

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