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Le Pont du Gard
Não muito longe de Tarascon, a uns quinze Km para ser mais preciso, fica um dos monumentos mais visitados da Provence.
ConstruÃdo sobre o Rio Gardon, na Região du Gard, esse monumento é o mais puro exemplo de soberania e poder do povo romano que dominava o velho mundo daquela época.
Milenar, ele ainda está lá, quase intacto, imune à ação do tempo.
Logo que você se aproxima do estacionamento recém-construÃdo e com capacidade de receber mais de 3000 veÃculos, você já começa a ter uma idéia da grandiosidade do Pont du Gard ao entrevê-lo e adivinhá-lo ao fundo, por trás de árvores e rochas da paisagem local.
No caminho que se faz a pé, depois que se deixa o carro, as surpresas se apresentam, uma a uma no lado esquerdo desse caminho: quiosques e lojas vendendo souvenirs e artesanatos, cavernas pré-históricas encravadas nas rochas, uma subida Ãngreme, sombreada, em meio à mata, onde fica se vê uma escadaria rústica de pedras que dá acesso ao segundo andar da ponte.
Do lado direito, seguindo todo o trajeto, um jardim artificial acompanha a margem do rio: caramanchões, bancos, gramados, cimentados, banheiros, árvores replantadas e um sistema de rega a vaporizador d´Ã¡gua sob o qual os turistas se esbaldam no alto verão. Salvos os quiosques e as lojas, toda a infraestrutura é muito nova, e, usufruÃ-la, muito dispendioso.
Meses atrás, eu cheguei a visitar esse lugar, e não se cobrava estacionamento, que não tinha lugar próprio. Parava-se ali mesmo, perto das oliveiras (três) com mais de mil anos, trazidas do Oriente para presentear a França. Apenas uma cerca barrava o lugar. O Antoine contou que, nos anos 70, 80, podia-se passear de carro e bicicleta por todo local, até mesmo no primeiro andar da ponte. E a escadaria que começa lá no caminho de acesso, levava os mais corajosos até a vala que transportava a água, lá em cima, no topo do aqueduto, no topo do terceiro andar.
Depois que você já andou um bom pedaço, já pode se deslumbrar, prender a respiração ao vê-lo por inteiro, majestoso e milenar, intacto à ação do tempo: O Pont de Gard.
Mas por que eles, os romanos, iriam construir uma ponte assim tão monumental, que pelo seu porte incomum, tornou-se através dos tempos, um dos lugares mais visitados do mundo inteiro? O próprio Rio Gardon não justificaria, visto ser um rio nem muito largo, nem muito caudaloso! Só que ele cavou naquela região montanhosa, após milhões de anos, um leito que se tornou o fundo de um desfiladeiro.
Acontece que os romanos, em sua época áurea de domÃnio do Velho Mundo, tendo uma de suas principais sedes em Nimes, cidade que até hoje trás as marcas desse domÃnio nas casas de banho, anfiteatros, bibliotecas, arenas, jardins mitológicos, precisavam de muita água, escassa naquela região.
Começaram, então, a construção de um aqueduto que traria o lÃquido precioso de outros lugares a quilômetros de distancia de Nimes. Para não se desviar do Rio Gardon que estava no caminho do aqueduto, os arquitetos romanos planejaram essa monstruosidade de obra que transportaria a água no terceiro andar da construção sobre o rio, dentro de uma espécie de grande valeta de pedras. Os andares primeiro e segundo têm, entre suas colunas, enormes vãos em arcos e no terceiro, os vãos são menores, mais baixos, formando arcos mais numerosos e delicados. Lembra um pouco aquele monumento dos “arcos” no Rio de Janeiro onde passa um trenzinho sobre ele, sem comparação de tamanho, é claro.
Contam que muitos escravos morreram durante a construção do aqueduto, despencando-se dos andaimes.
O mais interessante é que, naquele tempo, não havia o cimento, nem a cal como nós os conhecemos hoje. O Pont du Gard resiste intacto após mais de mil anos, com suas pedras matematicamente cortadas e encaixadas num sistema de “junta seca”. Elas são só justapostas umas sobre as outras sem rejunte.
Andar por sobre a ponte do primeiro andar, jogar uma moedinha no rio, como manda a tradição, sentir-se parte daquela grandiosidade romana, só não é melhor do que a sensação de descermos ao rio e pisarmos suas águas. O Observado de baixo para cima, parecemos formigas olhando o gigante de pedras, temos a exata dimensão do poderio romano, tão verdadeiramente descrita nos livros de História.
À bientot!

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