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Os Bosques de Castanhas
A paisagem começa a mudar. Olho pela janela do carro e não vejo mais as montanhetas, pinheiros e a terra branca da nossa Provence. Após algum tempo, começamos a subir os cols (pontos mais altos de serra) rumo à região de Cévennes, Massif Central. Íamos em busca dos bosques de castanhas, esperançosos de encontrar os champignons que adoram crescer no solo úmido de suas árvores.
Nosso sobrinho, Bernard, enquanto dirigia, ia nos ensinando como reconhecer um verdadeiro cèpe ou um sanguin, duas qualidades de cogumelos super apreciadas. Foi dele a idéia de nos levar nas Cévennes aquele domingo.
Os vilarejos se sucediam no caminho. Parávamos naqueles mais conhecidos e mais uma vez as ruelas estreitas, as casas de pedras, as fontes, os arcos servindo de passagem de uma rua para outra, trazia-nos sempre as cenas de um filme dos Três Mosqueteiros.
Paramos o carro na estrada, entre os bosques de castanhas. Para onde olhávamos, vĂamos o bosque a se estender por quilĂ´metros e quilĂ´metros. Depois das instruções, lá nos dividimos nĂłs, cada um para uma direção com um cajado improvisado, um graveto da prĂłpria castanheira para nos apoiarmos colina acima sob as árvores.
As folhas secas eram um colchĂŁo macio para os nossos pĂ©s, mas dificultava os nossos passos. Com o cajado, removĂamos o chĂŁo em busca dos champignons. O segredo era gritar de vez em quando esperando a resposta do outro para nĂŁo nos perdemos. Estávamos em cinco, nosso sobrinho, meus cunhados, Antoine, meu marido e eu. Depois de um bom pedaço de manhĂŁ, resolvemos nos juntar e sĂł o que tĂnhamos eram trĂŞs cĂ©pes e dois sanguins. Mas o que comemos de mĂ»res (amoras silvestres)!!
- Agora podemos pegar as cestas e juntar as castanhas. Disse Bernard.
NĂŁo precisamos ir tĂŁo longe. O fruto da castanheira, da forma de um ouriço, caĂa das árvores, e meio escondido entre as folhas secas, esperava o peso dos nossos pĂ©s, para explodir, exibindo aquele marrom reluzente ao sol ,que penosamente conseguia penetrar os seus raios entre os galhos. Eram quatro frutos em cada casulo.
Almoçamos num restaurante que daria um capĂtulo Ă parte e voltamos a Tarascon.
Como era pouco, do cogumelo fizemos uma omelete baveuse um prato requintado regado a vinho CĂ´tes du RhĂ´ne. E das castanhas, fizemos um belo marrom glacĂ©, o verdadeiro, feito de castanhas cozidas e moĂdas, açúcar e baunilha.
Nas ruas das cidades, no inverno, as castanhas sĂŁo vendidas em cones de papel, quentinhas, assadas em grandes tachos sobre brasas. Todo mundo agasalhado, de luvas, com os rostos vermelhos pelo frio e comendo as castanhas macias e quentes de dentro de suas cascas torradas... Como nĂłs e os nossos saquinhos de pipoca na porta do antigo Cine Palas antes da sessĂŁo das sete.
E os vendedores gritam atraindo a freguesia:
- Chauds les marrons, chauds..

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