terça-feira, 20 de outubro de 2020


 Portugal V

Uma vez em Coimbra, não podíamos deixar de visitar o suntuoso prédio da Universidade (cantina, departamentos, cloitres). As igrejas Sé nova e Sé Velha, são um espetáculo à parte. A cidade Velha, os Parques, as fontes, os azulejos nas paredes, as escadarias dando acesso aos becos, o Jardim da Manga, onde almoçamos num restaurante super charmoso...Tudo nos deixou saudade. Ah! aquele bacalhau fervido com legumes e regado fartamente com azeite! Tão bom, que chamamos o garçom para perguntarmos a procedência do azeite. Ao que ele respondeu: “É azeite Galo!” Rimos muito.

A caminho de Leiria, passamos por Pombal e visitamos o castelo do Marquês do mesmo nome. Andei pelas ruínas, lembrando-me dele, personagem que foi de uma página negra da nossa História. Mais um castelo em Leiria, e continuamos até Fátima. Durante todo caminho até aqui, não fora diferente. Pudemos observar a couve sendo cultivada em quase todo jardim ou quintal de Portugal. Coisa que você não vê em nenhum outro lugar da Europa.

Fátima é uma cidade muito bonita e lembra muito a cidade de Aparecida do Norte. As ruas tomadas por lojas vendendo imagens, medalhas, terços, rosários, estampas, um mercado super desenvolvido. No lugar onde a Virgem apareceu às três crianças, há hoje, uma moderna estrutura de vidro isolando o lugar que está dentro, praticamente, da enorme Basílica.

Batalha não estava nos planos, mas não resistimos e paramos, ao nos depararmos com a monstruosidade de construção daquele monastério. Monastério da Introdução, para ser mais precisa, túmulos de D. João I, Dona Felipa de Lancaster, de seus filhos, genros e noras.

Nazaré é imperdível. Os homens da cidade passam horas e horas à beira do mar, recolhendo objetos valiosos perdidos pelos turistas. Conforme a hora e a maré, as ondas os desenterram e os jogam aos seus pés. Pensamos ser tradição, um “atrai turistas”, mas testemunhamos a veracidade do fato! As mulheres do local, ostentam várias saias coloridas, umas debaixo das outras, bem curtas, acima dos joelhos, não importando a idade de quem as usa. A maioria delas, passa o dia ao lado de “quaradouros” cheios de peixes salgados secando ao sol. Elas cuidam deles, vendem e preparam os que os maridos trazem nos barcos. Até a um casamento, nós assistimos, cuja noiva usava um modelito sofisticado, é verdade, mas que seguia a mesma tradição das saias curtas acima dos joelhos e umas sobre as outras.

      Óbidos! Cidade inesquecível. Parece toda ela pertencer a uma grande tela a óleo. Fachadas coloridas, de um metro, mais ou menos, barram a parte debaixo dos muros, das frentes das casas, dos comércios, fazendo com que esse acabamento padronize a paisagem dos casarios, das ruas, das igrejas, numa interminável e larga pintura de rodapé. Às vezes amarela, outras azuis, vermelhas, vão trocando de cores a gosto dos moradores, contrastando com os tons das paredes e das primaveras floridas, presença quase obrigatória nos jardins e quintais. As ruazinhas convergem para um castelo, lá em cima, com suas muralhas trabalhadas como rendas, de tão perfuradas, recortadas e enfeitadas. A Torre de Vedras também é muito bonita, mas não tínhamos condição para fotos. Ventava e chovia muito.

      Chegamos tarde, a Sintra. Hotéis caríssimos. Pela manhã, visitamos os palácios “da Pena” e da Serra”. Era Domingo, e, para nossa sorte, as visitas são gratuitas nesse dia. O Palácio da Pena fica na cidade e tem como curiosidade, dois grandes chaminés que podem ser vistos de longe. De dentro da grande cozinha, eles podem ser vistos de baixo para cima, como um binóculo gigantesco mirando os céus. Já o Palácio da Serra exibe salas curiosas, como duas delas. Uma, tem o forro todo desenhado com cisnes, a outra, com corvos, e todas as aves têm em comum, raminhos no bico escrevendo as inscrições onde se leem: “Por bem”. Dizem que o rei, foi pego agarrando sua dama de companhia. Para provar à esposa a boa intenção do gesto, mandou pintar tais inscrições, estampando o forro das referidas salas. O que impressiona, nessas visitas, são as mobílias ainda perfeitas, intactas nos museus e palácios.

      Próxima parada, Cabo da Roca.

      Estou com sono. 01:45 h da madrugada. Conto o restante no nosso próximo encontro.

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