Viúva do Sono
Noite escura assanhada
De ventos mórbidos
Viúva do sono
Carpideira de mim
Lamento meu refúgio
Apartheid de e solidão
Vírus que dançam
Voo cego de morcego
Que aprisiona
Na caverna vazia
De pedras poeirentas
E flores quase murchas
Silêncio que dói
Vida que falta
Nem café existe
No mundo de pressionado
Do nada pode
Ficar é preciso
Máscara é precisa
Desinfetar imprescindível
Mas não certo
Nas cavernas personalizadas
De que tudo
Terá fim ou cura
Noite escura
Galhos ressequidos
Nos manguezais
Mal alagados
Cheirando a morte
Das vidas do mar
Restinga é preciso
Água que apaga
O fogo do assassino
É precisa
Nuvem preta é precisa
Vacina é precisa
Viúva do sono eu sou
Dormir é preciso
Viver nunca é preciso
Sem bússola
Sem leme
Sem vela
Com medo
Mascarados pelo destino
De nascer nesse tempo
Não preciso
Fique
Pare
Não viva
E quem sabe
A ciência acenderá a luz
Na cabeça humana
Acordará um dia
Para casar de novo
Com o sono
O Sol
A flor
O amor
Mas a máscara?
Ficará
Lembrando ao homem
Que seu rosto envergonhado
Nunca mais
Poderá mostrar

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