segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Viúva do Sono

 

Noite escura assanhada

De ventos mórbidos

Viúva do sono

Carpideira de mim

Lamento meu refúgio

Apartheid de e solidão

Vírus que dançam

Voo cego de morcego

Que aprisiona

Na caverna vazia

De pedras poeirentas

E flores quase murchas

Silêncio que dói

Vida que falta

Nem café existe

No mundo de pressionado

Do nada pode

Ficar é preciso

Máscara é precisa

Desinfetar imprescindível

Mas não certo

Nas cavernas personalizadas

De que tudo

Terá fim ou cura

Noite escura

 Galhos ressequidos

Nos manguezais

Mal alagados

Cheirando a morte

Das vidas do mar

Restinga é preciso

Água que apaga

O fogo do assassino

É precisa

Nuvem preta é precisa

Vacina é precisa

Viúva do sono eu sou

Dormir é preciso

Viver nunca é preciso

Sem bússola

Sem leme

Sem vela

Com medo

Mascarados pelo destino

De nascer nesse tempo

Não preciso

Fique

Pare

Não viva

E quem sabe

A ciência acenderá a luz

Na cabeça humana

Acordará um dia

Para casar de novo

Com o sono

O Sol

A flor

O amor

Mas a máscara?

Ficará

Lembrando ao homem

Que seu rosto envergonhado

Nunca mais

Poderá mostrar

 

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