sábado, 17 de outubro de 2020


 

            Noite escura, poucas estrelas.

            Eu e meu primeiro marido morávamos em Ubatuba, e, vínhamos à Taubaté fazer prova na UNITAU. Eu só fazia companhia, porque meu marido saía muito tarde da faculdade e, até chegar em Ubatuba, a madrugada já ia alta, a família fiava preocupada dele dormir dirigindo. Tínhamos um fusquinha velho na época, e a estrada ainda não havia sido asfaltada. Estávamos em 1970, vejam vocês, daqui a Ubatuba, levávamos horas.

            Assim, como eu falo muito, e, quem me conhece, sabe disso, conversávamos sem parar, nem reparamos estarmos, já, no Bairro do Barro Branco, logo após a subida da Serra, antiga estrada velha  Taubaté-Ubatuba,

            Romântica compulsiva, eu falava, que falava, mas com os olhos pregados no céu escuro, em busca da Lua, sempre espiando pela janelinha do fusquinha. Meu marido já havia rido de mim: _Procurando a Lua numa noite tão escura?

            Mas, não convencida, de repente, vi a Lua enorme, cintilante e clara, cheia de luz incrível

como um balão dos contos de fada.,

            _Olhe lá a Lua, que linda! Disse eu.

            O meu marido estava numa fase de ler só obras sobre discos voadores. Amava!

            _Bem, observe, não é a sua Lua, não vê que “ele” está pairando bem abaixo do topo das montanhas da serra? É um disco voador, e, hoje, eu vou até eles.

            Realmente, “ele” estava , mesmo, muito perto de nós e pairando bem baixo. Decididamente, Lua não era.

            Meu marido falou e cumpriu. Desligou o carro.

            Fiquei apavorada. E, se eles viessem até nós? Olhei para a paisagem escura, firmei os olhos e pude adivinhar um brejo de taboas ali do meu lado direito. Vou me esconder entre as taboas se eles se aproximassem mais. Eu tremia e tentei abrir a porta do fusquinha. Ah, não!!!!!. Ela estava sem maçanetas, eu tinha, sempre que entrar do lado do motorista e pular para o lugar do passageiro. E agora?

            Quando procurei meu marido, ele havia saído do volante e já estava sumindo na escuridão da noite, em direção ao “disco”. Gritei em vão por ele.

            Aquela bola estupidamente brilhante, envolta numa neblina densa, mas insuficiente para apagar sua escandalosa e estranha presença, apavorava-me. Fiquei um tempão controlando o movimento daquela “coisa” que se aproximava de mim. Não sei quanto tempo fiquei ali, dentro do fusquinha, escuridão plena, entre o brejo de taboas e as corujas nos tocos das árvores.

            E meu marido, indagaria meu leitor. Até ali, só vira um raio de luz saindo “daquilo”, até o chão. Atônita, após não sei quanto tempo, a nave, disco, coisa, não sei o que era, num piscar dos meus olhos, desapareceu rumo às estrelas, como se, o navegador acionasse o botão de outra dimensão como vemos nos filmes de ficção.

            Então, e meu marido? Pensava eu olhando a escuridão. E lá vinha ele sorrindo e eufórico.

            _Eles me levaram com eles. São pessoas lindas, silhuetas perfeitas  , vê-se através deles como se fossem transparentes. Levaram-me para conhecer o mundo deles! Arquitetura indizível, indecifrável, inexplicável… Ruas suspensas conetam blocos de construções em magníficas que pairam no espaço como colônias de extras terrestres avançadíssimas. Elevadores e carros conduziam pessoas de lá pra cá, de cá pra lá como um show saído do filme dos Jetsons. Entendiam o que eu perguntavam e respondiam na nossa língua. Estão a milhares de anos à nossa frente. Uma verdadeira viagem no tempo. Eu fui para o futuro!

            Eu, ainda abobalhada com o que ele contava, só queria saber se meu marido estava bem, se não lhe impuseram experimentos científicos, enfim, queria saber se ele estava bem.

            Quando pensamos em rumarmos à faculdade, afinal, ele não podia perder a prova, nosso fusquinha não “pegava”. Depois de várias tentativas, reparamos que estávamos numa descida do caminho, por sorte. Tivemos de fazê-lo “pegar no tranco”.

            Nunca contamos isso a ninguém com receio de zombarias dos incrédulos

            Nem naquela noite, nem mesmo na noite seguinte quando se tornou público, no Jornal Nacional, o fato de várias pessoas terem testemunhado a presença de um disco voador na Baixada Santista, Litoral Norte e \Serra do Mar e região.

            Às vezes, arriscamos contar nossa visão a alguns amigos confidentes que nos sugerem procurar um Órgão  São Paulo que registra testemunhos de aparição de Ufos.

            Nunca o fizemos.

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