Noite escura, poucas estrelas.
Eu e meu primeiro marido morávamos
em Ubatuba, e, vínhamos à Taubaté fazer prova na UNITAU. Eu só fazia companhia,
porque meu marido saía muito tarde da faculdade e, até chegar em Ubatuba, a
madrugada já ia alta, a família fiava preocupada dele dormir dirigindo.
Tínhamos um fusquinha velho na época, e a estrada ainda não havia sido
asfaltada. Estávamos em 1970, vejam vocês, daqui a Ubatuba, levávamos horas.
Assim, como eu falo muito, e, quem
me conhece, sabe disso, conversávamos sem parar, nem reparamos estarmos, já, no
Bairro do Barro Branco, logo após a subida da Serra, antiga estrada velha Taubaté-Ubatuba,
Romântica compulsiva, eu falava, que
falava, mas com os olhos pregados no céu escuro, em busca da Lua, sempre
espiando pela janelinha do fusquinha. Meu marido já havia rido de mim:
_Procurando a Lua numa noite tão escura?
Mas, não convencida, de repente, vi
a Lua enorme, cintilante e clara, cheia de luz incrível
como
um balão dos contos de fada.,
_Olhe lá a Lua, que linda! Disse eu.
O meu marido estava numa fase de ler
só obras sobre discos voadores. Amava!
_Bem, observe, não é a sua Lua, não
vê que “ele” está pairando bem abaixo do topo das montanhas da serra? É um
disco voador, e, hoje, eu vou até eles.
Realmente, “ele” estava , mesmo,
muito perto de nós e pairando bem baixo. Decididamente, Lua não era.
Meu marido falou e cumpriu. Desligou
o carro.
Fiquei apavorada. E, se eles viessem
até nós? Olhei para a paisagem escura, firmei os olhos e pude adivinhar um
brejo de taboas ali do meu lado direito. Vou me esconder entre as taboas se
eles se aproximassem mais. Eu tremia e tentei abrir a porta do fusquinha. Ah,
não!!!!!. Ela estava sem maçanetas, eu tinha, sempre que entrar do lado do
motorista e pular para o lugar do passageiro. E agora?
Quando procurei meu marido, ele
havia saído do volante e já estava sumindo na escuridão da noite, em direção ao
“disco”. Gritei em vão por ele.
Aquela bola estupidamente brilhante,
envolta numa neblina densa, mas insuficiente para apagar sua escandalosa e
estranha presença, apavorava-me. Fiquei um tempão controlando o movimento
daquela “coisa” que se aproximava de mim. Não sei quanto tempo fiquei ali,
dentro do fusquinha, escuridão plena, entre o brejo de taboas e as corujas nos
tocos das árvores.
E meu marido, indagaria meu leitor.
Até ali, só vira um raio de luz saindo “daquilo”, até o chão. Atônita, após não
sei quanto tempo, a nave, disco, coisa, não sei o que era, num piscar dos meus
olhos, desapareceu rumo às estrelas, como se, o navegador acionasse o botão de
outra dimensão como vemos nos filmes de ficção.
Então, e meu marido? Pensava eu
olhando a escuridão. E lá vinha ele sorrindo e eufórico.
_Eles me levaram com eles. São
pessoas lindas, silhuetas perfeitas ,
vê-se através deles como se fossem transparentes. Levaram-me para conhecer o
mundo deles! Arquitetura indizível, indecifrável, inexplicável… Ruas suspensas
conetam blocos de construções em magníficas que pairam no espaço como colônias
de extras terrestres avançadíssimas. Elevadores e carros conduziam pessoas de
lá pra cá, de cá pra lá como um show saído do filme dos Jetsons. Entendiam o
que eu perguntavam e respondiam na nossa língua. Estão a milhares de anos à
nossa frente. Uma verdadeira viagem no tempo. Eu fui para o futuro!
Eu, ainda abobalhada com o que ele
contava, só queria saber se meu marido estava bem, se não lhe impuseram
experimentos científicos, enfim, queria saber se ele estava bem.
Quando pensamos em rumarmos à
faculdade, afinal, ele não podia perder a prova, nosso fusquinha não “pegava”.
Depois de várias tentativas, reparamos que estávamos numa descida do caminho,
por sorte. Tivemos de fazê-lo “pegar no tranco”.
Nunca contamos isso a ninguém com
receio de zombarias dos incrédulos
Nem naquela noite, nem mesmo na
noite seguinte quando se tornou público, no Jornal Nacional, o fato de várias
pessoas terem testemunhado a presença de um disco voador na Baixada Santista,
Litoral Norte e \Serra do Mar e região.
Às vezes, arriscamos contar nossa
visão a alguns amigos confidentes que nos sugerem procurar um Órgão São Paulo que registra testemunhos de
aparição de Ufos.
Nunca o fizemos.

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