segunda-feira, 16 de novembro de 2020

                                        
       Barcelona
 Já em terras espanholas, no jardim de um castelo do qual não me recordo o nome, almoçamos um piquenique improvisado, à base de vinho, pão, queijo e presunto cru, algumas azeitonas e tomates.
Barcelona é uma cidade muito grande, moderna, progressista, diferente de tudo o que se vê mesmo nas grandes cidades francesas, onde a paisagem medieval impera. Em lá chegando, não foi difícil achar um estacionamento perto do endereço do Mário, que nos aguardava ansioso em seu pequeno mas agradável apartamento, por sinal, bem central e perto mesmo do calçadão maior e mais famoso de Barcelona, a Allambra.`É uma espécie de Shopping a céu aberto, centenas de pessoas passeando, apreciando vitrinas que exibem os mais luxuosos artigos da Europa, perfumes, grifes famosas de roupas, os mais sofisticados e caros sapatos...Enfim, tudo o que nosso sonho de consumo poderia comprar. Mas só apreciar, o que já é delicioso: tomar um sorvete de pistache, ou um café expresso com creme, açúcar e canela...Ou à noite, entrar num daqueles barzinhos especializados em tira-gosto e reparar, mesmo nos mais tradicionais, aquela imundície pelo chão do bar, restos, papéis, lixo e mais lixo. Não dá para acreditar, mas é tradição mesmo, e já virou atração turística. As pessoas vão comendo e jogando ossos, caroços de azeitona, palitos, guardanapos, tudo no chão. Mas são só nesses tipos de bares onde se pode ver sujeira... A Espanha, como toda Europa, prima pela limpeza, embora faça par com Portugal na semelhança com o “jeitão” descontraído do Brasil.
O Mário já morou há muito tempo em São Paulo e fala um português perfeito, só é engraçado quando ele usa gírias que já desapareceram, de há muito, do nosso vocabulário. Amante da Linguística, gosto de observar esses fenômenos da língua viva e em constante evolução. Ele adora as nossas músicas e é um chargista muito talentoso, embora não profissional.
Em um dos passeios, fomos ao Porto e me encantei com a estátua de Colombo, lá no alto, sobre um pedestal, apontando com o braço estendido e dedo em riste, as terras adivinhadas e descobertas por ele, do outro lado do oceano.
Não podíamos deixar de visitar também a Catedral da Sagrada Família, uma construção completamente diferente de tudo quanto é estilo conhecido, o estilo de Galdi, um arquiteto que deixou sua marca em algumas construções na Espanha, mas que teve sua vida ceifada num acidente, em pleno projeto da construção da Catedral. Como nunca desenhava aquilo que, só na sua imaginação arquitetava, Galdi levou consigo seu estilo, que de tão próprio, não há arquiteto no mundo que consiga terminar a Catedral de maneira que diferenças, com o estilo dele, não sejam percebidas. Assim, por muito tempo, essa será ainda, uma obra inacabada.
Na região de Martoreli, Montserat também oferece aos turistas, uma excursão de peregrinação porque a Catedral da Nossa Senhora de Montserat fica no alto da montanha, e a estrada de acesso, cheia de curvas, lembra o caminho para se chegar ao Cristo Redentor do Rio de Janeiro. Muitas pessoas sobem pelas escadas e os peregrinos visitam a Basílica aos milhares, lembrando de perto, a Basílica de Nossa Senhora de Aparecida. Ainda mais, que a Santa também é negra e muito amada na Espanha.
Tarragona é uma região onde se pode encontrar, cidades mais antigas como Mont Blanc, mas também tem Vila Nova, uma cidade que é uma miniatura de Barcelona. Até o calçadão como a Allambra, foi feito lá. As adegas da cidade são especializadas numa bebida muito parecida com o champanhe francês, mas os espanhóis se ofendem se assim a chamarmos. Temos de usar o termo deles: Cava. Você jura que está tomando um champanhe, mas é Cava.Não faça essa comparação perto de um espanhol. Escolhemos então, uma das adegas e nos sentamos para provar a cava acompanhada de chouriços e queijos.
Anny, filha do Mário me levou para comprar uns “pinta- lábios”, como eles chamam os batons, e depois fomos todos, após o almoço, visitar o Castelo Nacional, seu parque, alguns monumentos, dentre eles, o Monumento das Olimpíadas. Do Forte Museu de Montjuic, avistamos toda cidade, sua Catedral, o oceano no horizonte, os navios no porto, lindo!
Na volta para a França, fizemos a estrada da Costa Brava, um caminho montanhoso beirando o mar que joga fortemente suas ondas nos rochedos lá embaixo, nos precipícios. É aterrorizante e ao mesmo tempo mágico e poético.
Na divisa, um Farol é parada obrigatória. A vista, as barracas de degustação de vinhos, os souvenirs, são um convite ao descanso. Atravessamos Perpignan, em Bezier tomamos a aute route, o que nos ajudou a chegar mais rápido. Chovia muito.19h, chegamos em Tarascon.
À bientot!!!!

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