terça-feira, 10 de novembro de 2020


 Zaragoza

Viemos sem parar até Zaragoza.

Sem Ter planejado isso, numa dessas Cristocidências, nunca eu poderia imaginar estar testemunhando ao vivo e a cores, marcas de um passado santo e longínquo, quando Maria, mãe de Deus, Marta, irmã de lázaro, Maria Madalena, e outros conhecidos discípulos de Cristo, atravessaram o Mar mediterrâneo, em frágeis barquinhos, para trazer as boas novas da Palavra do Salvador.

Ao chegarmos à Zaragoza, à noite, ficamos impressionados com a cidade. Linda. Todos os monumento e catedrais ricamente iluminados. Depois de nos acomodarmos no Hotel Holgado, ali mesmo jantamos. Marie e Robert pediram garbansos com orejas (grão de bico com orelha de porco). Eu e o Antoine, pollo com pisto. O flan da sobremesa estava um “tijolo” e fomos digeri-lo passeando pela cidade. A praça das ruínas romanas, o mercado, a Catedral de Nossa Senhora do Pilar, nos deixaram encantados.

Às sete horas da manhã, estávamos entrando na Catedral para conhecê-la. Já tínhamos tomado café, e após a visita à igreja, retomaríamos o caminho de volta à França.

Mal sabia eu que depararia com o mais autêntico testemunho vivo do Evangelho. Contam os guias turísticos, que, alguns anos após a Ressurreição de Cristo, Maria, Maria Madalena, Lázaro, e outros, como citei na carta sobre a história de Tarascon, pisaram em terras próximas do litoral mediterrâneo para pregar a Palavra. Assim, Maria, mãe de Deus, presenteou a Vila de Zaragoza com um Pilar de pedra, para edificarem a Igreja do Senhor, naquela praça onde hoje, está edificada a Catedral. Lá dentro, atrás do altar, ainda se pode ver o Santo Pilar. Aos seus pés, um degrau de rocha, rústico, ainda resiste aos milênios, gasto que está pelo uso de tantos e tantos fiéis que por ali passam, ajoelhando sobre ele, rezando e beijando o Pilar doado pela mãe de Deus. No lugar onde os peregrinos passam a mão no pilar e o beijam, também os desgastes na pedra se fazem presentes.

Foi aí que descobri a origem do nome dado à Nossa Senhora do Pilar. E olha que temos uma igreja dela, histórica e linda, bem aqui no centro de Taubaté.

Bem, retomamos emocionados, a viagem para Lérida, já a caminho da França.

Desta vez, pudemos apreciar toda a Costa Brava nitidamente. As rochas beiram todo o caminho, emparedando as barrancas, confrontando-se estrondosamente com as ondas colossais que estouram sobre elas, oferecendo, durante toda a travessia da costa marítima, paisagens de nos fazer suspender o fôlego. Mirantes estratégicos oferecem fotos espetaculares. O tempo estava aberto na nossa volta, por isso nos deliciamos com a Costa Brava, diferentemente da nossa ida.

Ainda na costa, paramos em Lloret del Mar. Comemos uma deliciosa Paella. Já em Pertus, compramos doces para as crianças marroquinas que moravam em cima de nosso estúdio. Chegamos a Tarascon, às dez horas da noite, dando graças a Deus pelo carro ter conseguido nos trazer, após apresentar um forte barulho, pelas alturas de Nimes, sãos e salvos.

Allors, a bientot et c´ est fini la voyage a Portugal...

OBS: História de Nossa Senhora do Pilar

O apóstolo Tiago encontrava-se em Cesaraugusta, nas margens do rio Ebro, junto a um pequeno grupo de convertidos que tinham escutado e acreditado na sua pregação. Ainda assim, os restantes cesaraugustanos não acreditavam no apóstolo, pelo que este começou a perder forças e a questionar-se sobre se teria sentido continuar a espalhar a mensagem de Jesus nesta terra. Quando a sua fraqueza pelo desânimo lhe fez perder o seu valor, viu Maria, a mãe de Jesus, rodeada de anjos que vinham desde Jerusalém para confortá-lo e renovar os seus ânimos. A Santíssima Virgem entregou a Santiago o Pilar, a Coluna de jaspe que hoje sustenta a sua imagem, como símbolo da força que devia ter a sua fé. Este episódio sucedeu-se na madrugada do dia 2 de Janeiro do ano 40 do século I. Maria conversou com Santiago e encarregou-o de levantar um templo sobre a Coluna ou Pilar que trouxe, convertendo-se assim no primeiro santuário Mariano da cristandade.

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