quinta-feira, 12 de novembro de 2020


 

Rumo à Espanha Marcus

         Decidida a data de partirmos rumo à Espanha, além das malas, óbvio, mapas e estratégias foram planejados de maneira tal, que pudéssemos visitar um casal amigo que Antoine não via há muitos anos. Para isso, teríamos de atravessar os Pirineus, uma cadeia de montanhas muito famosa já perto da fronteira com aquele país.

         A primeira parada foi em Carcassone, uma linda cidade medieval, em si mesma, uma grande fortaleza com ponte levadiça na entrada, sobre o fosso e telhados das casas e castelo, todos em pedra ardósia, reluzentes ao sol. De longe, a visão do conjunto, dava-nos a impressão de estarmos num livro de conto de fadas.

         A seguir, depois do lanche, rodamos até Mirepoix. De repente, encontramo-nos em meio a uma praça circular, como um pátio entre casas comerciais cuja curiosidade era o madeiramento dos prédios e ranchos que abrigavam as barracas dos expositores.Todos os troncos roliços e enormes e todas as tábuas trabalhadas passaram antes por 70 longos anos debaixo das águas dos rios locais, mergulhadas num sono profundo. Só depois, prestaram-se à construção do mercado da cidade, que assim, viu-se coberto por madeiras resistentes a todo e qualquer tipo de cupins ou vermes de madeiras. Até as casas foram assim construídas.

         Depois de Foix, uma cidade que abriga um castelo muito charmoso como sua Villa, chegamos a Marcus às 17 h, o lugar onde habita Claude e sua mulher André. Passada a emoção do reencontro, almoçamos endives au four e bifes. À tarde, enquanto André foi à massage, Claude nos levou para visitar uma caverna subterrânea, cujo trajeto se faz de barco, e o remador nos adverte a toda hora para termos cuidado com as cabeças que quase tocam o teto da caverna, tão apertado o leito do rio que singra o seio da terra. O ar, quase irrespirável, tem uma umidade de 90%. Passei mal, como a maioria das pessoas, mas nada que tirasse o encanto daquele lugar de escuridão eterna, mas resplandecente aos jogos de luzes artificiais refletidos nas rochas ricamente trabalhadas pela natureza.

         Ah, num dos passeios pelas redondezas, descobrimos uma Tarascon sur Ariege (nome da região) e maior coincidência ainda, uma cidade vizinha com o nome de Beaucaire, como as nossas cidades na região de Bouche du Rhone. No mesmo passeio, visitamos um castelo cuja história nos leva de volta ao tempo da inquisição da igreja. Dizem que nele foram queimadas vivas, muitas pessoas que cultuavam o espiritualismo. (Catari). Nos jardins, os iris floresciam, alheios à tragédia ocorrida no lugar. O nome do castelo? Montségur, no alto de um rochedo.

Por onde fôssemos, a paisagem dos Pirineus nos acompanhava, linda, com suas montanhas cobertas de pinheiros e cerejeiras selvagens, brancas de uma florada digna de um calendário europeu. Uma “fontaine” intermitente chama a atenção dos turistas à margem da estrada. Paramos. As águas da fonte, param de jorrar num intervalo de 35 a 35 segundos. Um fenômeno natural. Uma barraca aproveita a parada turística e vende” les orrilletes” com chocolate quente. São, como se fossem, tirinhas de massa bem fininha de pastel, fritas e depois salpicadas com açúcar e canela.

         No dia seguinte, 1 de maio, feriado universal, as pessoas trocam bouquets de miguês, uma tradição na França. Foi nesse dia que deixamos Marcus, após uma chorosa despedida de Claude e André. Andrée é um nome usado tanto para homens como para mulheres na França. A caminho da Espanha, quanto mais subíamos os Pirineus, mais nos deparávamos com a neve que deixava a paisagem cada vez mais branca. Paramos em Pas de la Case, fizemos umas comprinhas e fomos para Andorra onde almoçamos. Na mesma tarde, chegamos a Barcelona. Mas isso é um assunto para o próximo artigo

         À bientot!    

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