Deixamos a suntuosidade de Sintra rumo a Cabo da Roca.
Como a chuva
não nos dava trégua, comemos um lanche rápido, dentro do carro e, nos
assustamos com a violência do mar, já no litoral da Roca. Chegamos a presenciar
o resgate de um pescador que caíra ao mar. Helicópteros, e muito movimento de
policiais, fazia a manhã ainda mais assustadora.
Cabo da Roca
é o ponto extremo da Europa. O lugar mios visitado desse lugar, é a Boca do
Inferno. Pelo nome, você pode imaginar. A fúria do mar contra as rochas,
através dos tempos, desenhou-a de maneira fantasmagórica, formando cavernas
impressionantes, crateras sem fim, e o rochedo deformado, escuro, contrastando
com as explosões brancas das espumas, mais o barulho ensurdecedor dos estrondos
das ondas entrando e saindo por entre as rochas indefesas, são o retrato
perfeito do insuperável poder de Deus. Você sente as pernas tremerem, talvez
por nos depararmos com a leveza, com a fragilidade do Homem diante de tão
potente demonstração da Natureza.
Cascais é
uma cidade muito charmosa, pertinho dali, mas tudo muito caro, como Sintra.
Rumamos, então, para Estoril. Acomodamo-nos numa pensão: “Casa das Olaias”. A
dona, uma senhora paralítica e muito doente, comanda tudo de sua própria cama.
Os empregados a respeitam como se ela estivesse no meio deles o tempo todo. Sua
cachorrinha “Rita” não a abandona nunca.
À noite,
visitamos o Cassino de Estoril, magnífico: elegância, luxo, exposições,
lojas...
Agora,
Lisboa será nossa última cidade em Portugal. Pegamos um enorme congestionamento
na entrada da cidade, até a Torre de Belém à margem do Rio Tejo. Lá estava ela,
branca, linda, enorme, mas construída com tal zelo e delicadeza, que, mais lembra uma
caixinha de música.
O Monumento
às Descobertas, parte do complexo da Torre, tem uma inscrição, que eu cheguei a
copiar e agora não sei onde guardei, que é um verdadeiro ufanismo épico dos
portugueses, uma exaltação linda aos tempos áureos de suas descobertas “d´além
mar”.
Bom, foi comer
um pastel de Belém, bem ali, ao lado da Torre, e de onde se pode ver, ao longe,
a Ponte 25 de Abril e o Cristo.
Tomamos, a
pé, uma via subterrânea, onde se atravessa a grande avenida, para visitarmos a
Igreja de Santa Maria, mas estava fechada por ser uma Segunda-feira.
Almoçamos no
centro da cidade e visitamos o bairro alto da Alfama. Para tal, tivemos de
vencer imensas escadarias. As ruas estreitas, o Castelo de São Jorge, a vista
da cidade baixa, aos nossos pés, e a paisagem do Rio Tejo, que mais se parece
ao mar, tão imenso espetacularmente grande, vale pelo cansaço da subida.
Descemos,
compramos algumas coisas, e comemos castanhas assadas nas brasas. Já no carro,
atravessamos a Ponte Vasco da Gama com a sensação de “adeus, Portugal”. E
pasmem! Não estava chovendo.
Em Évora,
almoçamos e às dez horas da noite, estávamos em Badajoz, Espanha, no Hotel
Cervantes. De manhã, pedimos, dentre outras coisas, café com leite ao garçom do
refeitório, e o Antoine pediu um puro (preto). O rapaz, então, apresenta, aos
nossos olhares de espanto, uma caixa de charutos, que por lá, é chamado de
“puro”.
A paisagem
muda em direção a Mérida, vilarejos murados e casinhas muito brancas, caiadas,
lembra a paisagem do México. Toledo é uma beleza à parte, com suas casas,
igrejas, rampeares, muros e prédios comerciais em tijolos e pedras vermelhas.
Chovia à cântaros. Perdemos o lugar onde havíamos estacionado o carro, e,
molhados como pintos, rimos quando Antoine, cansado de “gastar” seu espanhol
com todos que encontrava, perguntando sobre o estacionamento, parou uma senhora
e lhe disse, simplesmente, no que conseguiu apenas um leve sotaque espanhol: “
Senhora,...estamos perdidos. “Era trágico e cômico ao mesmo tempo.
À noite,
Zaragoza se apresentou deslumbrante à nossa frente. Todos seus monumentos
iluminados, e a Igreja da Nossa Senhora do Pilar cujo nome se deve ao fato de ....
Bem, mas
isso, é assunto para o segundo capítulo da “volta de Portuga.
À
Bientot!!!!

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