sexta-feira, 6 de novembro de 2020


 Deixamos a suntuosidade de Sintra rumo a Cabo da Roca.

         Como a chuva não nos dava trégua, comemos um lanche rápido, dentro do carro e, nos assustamos com a violência do mar, já no litoral da Roca. Chegamos a presenciar o resgate de um pescador que caíra ao mar. Helicópteros, e muito movimento de policiais, fazia a manhã ainda mais assustadora.

         Cabo da Roca é o ponto extremo da Europa. O lugar mios visitado desse lugar, é a Boca do Inferno. Pelo nome, você pode imaginar. A fúria do mar contra as rochas, através dos tempos, desenhou-a de maneira fantasmagórica, formando cavernas impressionantes, crateras sem fim, e o rochedo deformado, escuro, contrastando com as explosões brancas das espumas, mais o barulho ensurdecedor dos estrondos das ondas entrando e saindo por entre as rochas indefesas, são o retrato perfeito do insuperável poder de Deus. Você sente as pernas tremerem, talvez por nos depararmos com a leveza, com a fragilidade do Homem diante de tão potente demonstração da Natureza.

         Cascais é uma cidade muito charmosa, pertinho dali, mas tudo muito caro, como Sintra. Rumamos, então, para Estoril. Acomodamo-nos numa pensão: “Casa das Olaias”. A dona, uma senhora paralítica e muito doente, comanda tudo de sua própria cama. Os empregados a respeitam como se ela estivesse no meio deles o tempo todo. Sua cachorrinha “Rita” não a abandona nunca.

         À noite, visitamos o Cassino de Estoril, magnífico: elegância, luxo, exposições, lojas...

         Agora, Lisboa será nossa última cidade em Portugal. Pegamos um enorme congestionamento na entrada da cidade, até a Torre de Belém à margem do Rio Tejo. Lá estava ela, branca, linda, enorme, mas construída com tal zelo e delicadeza, que, mais  lembra uma  caixinha de música.

         O Monumento às Descobertas, parte do complexo da Torre, tem uma inscrição, que eu cheguei a copiar e agora não sei onde guardei, que é um verdadeiro ufanismo épico dos portugueses, uma exaltação linda aos tempos áureos de suas descobertas “d´além mar”.

         Bom, foi comer um pastel de Belém, bem ali, ao lado da Torre, e de onde se pode ver, ao longe, a Ponte 25 de Abril e o Cristo.

         Tomamos, a pé, uma via subterrânea, onde se atravessa a grande avenida, para visitarmos a Igreja de Santa Maria, mas estava fechada por ser uma Segunda-feira.

         Almoçamos no centro da cidade e visitamos o bairro alto da Alfama. Para tal, tivemos de vencer imensas escadarias. As ruas estreitas, o Castelo de São Jorge, a vista da cidade baixa, aos nossos pés, e a paisagem do Rio Tejo, que mais se parece ao mar, tão imenso espetacularmente grande, vale pelo cansaço da subida.

         Descemos, compramos algumas coisas, e comemos castanhas assadas nas brasas. Já no carro, atravessamos a Ponte Vasco da Gama com a sensação de “adeus, Portugal”. E pasmem! Não estava chovendo.

         Em Évora, almoçamos e às dez horas da noite, estávamos em Badajoz, Espanha, no Hotel Cervantes. De manhã, pedimos, dentre outras coisas, café com leite ao garçom do refeitório, e o Antoine pediu um puro (preto). O rapaz, então, apresenta, aos nossos olhares de espanto, uma caixa de charutos, que por lá, é chamado de “puro”.

         A paisagem muda em direção a Mérida, vilarejos murados e casinhas muito brancas, caiadas, lembra a paisagem do México. Toledo é uma beleza à parte, com suas casas, igrejas, rampeares, muros e prédios comerciais em tijolos e pedras vermelhas. Chovia à cântaros. Perdemos o lugar onde havíamos estacionado o carro, e, molhados como pintos, rimos quando Antoine, cansado de “gastar” seu espanhol com todos que encontrava, perguntando sobre o estacionamento, parou uma senhora e lhe disse, simplesmente, no que conseguiu apenas um leve sotaque espanhol: “ Senhora,...estamos perdidos. “Era trágico e cômico ao mesmo tempo.

         À noite, Zaragoza se apresentou deslumbrante à nossa frente. Todos seus monumentos iluminados, e a Igreja da Nossa Senhora do Pilar cujo nome se deve ao fato de  ....

         Bem, mas isso, é assunto para o segundo capítulo da “volta de Portuga.

         À Bientot!!!!

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