Silvinha Simões
Primavera na França
Primavera na França
Em plena primavera, as flores invadem jardins públicos, rotatórias, campos, montanhetas, fontes, jardins das casas e as jardineiras das janelas. Para onde você olha, lá estarão elas colorindo tudo, verdadeiros lençóis de patche-work:
Cocquelicots
os vermelhos cocquelicots, (papoulas), os roxos, bordeaux, azuis, rosas e brancos iris, os amarelos e perfumados jeunés, os pequeninos e também amarelos bouttons d´or, as dálias, as rosas, os pensés (amores-perfeitos), os brancos narcisos...Mas são campos inteiros floridos...mares vermelhos de cocquelicots, brancos de narcisos, amarelos de jeunés e assim por diante.
Os blués (como violetas), beirando as estradas...Lindo!
Foi durante o inverno, ainda em Londres, no High Parck, onde eu me deparei com as teimosas colchicas pela primeira vez.
Foi durante o inverno, ainda em Londres, no High Parck, onde eu me deparei com as teimosas colchicas pela primeira vez.
Abricots em flor
São flores pequeninas em branco e rosa, que rompem a neve no final do inverno e mostram seu caule de poucos centímetros, mas forte o suficiente para ostentar uma corola de pétalas frágeis, colorindo a fina camada de gelo, ou o gramado dos parques e prados, no início da primavera. Na Provence, elas enfeitam os sopés das montanhas dos Alpesnesta mesma época.
E é num ambiente assim florido que acontecem os dias de Páscoa. Diferentemente do Brasil, a segunda feira posterior ao Domingo da Ressurreição é o dia mais festivo da semana e também,o Dia Nacional do Piquenique.
Até às as crianças fazem piqueniques
Como tradição secular, principalmente na região da nossa Tarascon, os católicos se dirigem à Abadia de Frigolet, logo de manhã bem cedo. Assistem à missa e caminham até o campo do convento. Debaixo dos cedros perfumados, estão os carros demarcando os lugares escolhidos para o esperado piquenique. Cada família então, retira do porta-malas os apetrechos e comidas: queijos, salames, presuntos cru e cozido, patês, azeitonas, tomates, pepinos, ovos, pães, vinhos, doces e café.
Ao sol, arranjam-se as mesas e cadeiras com os quitutes.
Ao sol, arranjam-se as mesas e cadeiras com os quitutes.
Dali do bosque de cedros, ao som gostoso da brisa doce, podem ainda ser vistas a Igreja e a Abadia ao fundo. Medieval e austera, guardam o segredo do saboroso Licor de Frigolet feito e comercializado pelos freis. Dali, para o mundo todo, espalha-se a magia desse licor que mistura os mais requintados sabores e perfumes das ervas que crescem nas montanhetas ao redor do Convento, as famosas ervas de Provence.
Após o piquenique, tudo guardado e limpo, bem ao modo europeu, abandona-se o lugar e volta-se ao campo atrás da Igreja, onde acontecem as apresentações de diversas congregações folclóricas e religiosas. As Arlesianas são mulheres de todas as idades que comparecem em roupas do século XVIII e início do XIX.
Vestidos luxuosos, anquinhas, capinhas de renda branca sobre os ombros, sapatos de época, sombrinhas, cabelos penteados da mesma maneira, presos no alto da cabeça, e enfeitados com rendas brancas e engomadas, fazem o rico visual das damas. Seus cavalheiros também em fraques de época e alinhados completam a cena. Bandas de Pífanos, animam o ambiente tocando as farandolas medievais que são dançadas pelos grupos de artistas vindos de todo canto. Batalhas medievais entre cavaleiros em armaduras, dão um toque cinematográfico à festa...
Após o piquenique, tudo guardado e limpo, bem ao modo europeu, abandona-se o lugar e volta-se ao campo atrás da Igreja, onde acontecem as apresentações de diversas congregações folclóricas e religiosas. As Arlesianas são mulheres de todas as idades que comparecem em roupas do século XVIII e início do XIX.
Vestidos luxuosos, anquinhas, capinhas de renda branca sobre os ombros, sapatos de época, sombrinhas, cabelos penteados da mesma maneira, presos no alto da cabeça, e enfeitados com rendas brancas e engomadas, fazem o rico visual das damas. Seus cavalheiros também em fraques de época e alinhados completam a cena. Bandas de Pífanos, animam o ambiente tocando as farandolas medievais que são dançadas pelos grupos de artistas vindos de todo canto. Batalhas medievais entre cavaleiros em armaduras, dão um toque cinematográfico à festa...
Na volta para casa, reparamos no verde dos Platanus. Há bem poucos dias, eles estavam nus, e agora, já exibem as folhas de um verde “novinho em folha”. Daqui a duas semanas, estarão novamente cobrindo as estradas do sul da França, como um túnel infinito.
São assim, as passagens de estações na Europa, verdadeiras explosões de trocas de paisagens e acontecimentos. Cada fase da Natureza uma nova magia, uma nova força sacudindo o cotidiano.
Contam-nos, dois sobrinhos franceses que moram no Thaiti, Guy e Bernard, que, segundo estudos feitos por psicólogos daquela região, a mesmice entre as trocas das estações do ano em regiões tropicais, onde o sol, chuva e um pouco de frio intercalam-se indiferentemente durante todo o ano, é culpada pela depressão muito presente entre os nativos e moradores das ilhas daquele arquipélago. Os dois afirmam ser essa uma grande verdade e sonham com a força explosiva da Natureza européia revolvendo tudo.
Será assim também no nosso Nordeste?
A bientot!








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