sexta-feira, 21 de setembro de 2018


Moulin de Daudet


         Vocês já ouviram falar no ”Moulin de Daudet”?
         Ele é um moinho a vento com sua torre de pedras calcárias avermelhadas, telhado de ardósia, hélices enormes e muito bem reformadas. Cercado por uma mureta também de pedras, seu pátio segue o contorno arredondado de sua torre. As escadarias de acesso ao pátio são um convite para nos sentarmos em seus degraus e ficarmos simplesmente a olhar a paisagem a nossa volta.
         Em plena montanheta, a caminho de Fontvielle, o velho moinho atrai turistas do mundo inteiro. E o que teria ele de tão especial? Não existiriam outros nas mesmas condições na Provence? É claro, eu respondo, mas não com a distinção de ter sido pintado a óleo por Van Gogh e descrito por Alphonse Daudet em seus livros. Alguns desses escritos, plasmados aqui mesmo, nos degraus do moinho: ”Les Lettres de Mon Moulin”.
         Enquanto descansamos sentados na escada, e após a visita ao museu de Daudet, máquina de fotos à mão, sentimos o cheiro das ervas ao nosso redor: menta, arruda, tomilho, lavanda selvagem e tantas outras que crescem como mato na Provence. Dizem que os coelhos caçados naquela região crescem temperados, já que se alimentam das ervas perfumadas. São também as mesmas ervas que alimentavam a cabra do senhor Serguin, personagens de Daudet em: ”La Chevre de Mr. Seguin”
         No mesmo passeio, podemos seguir em direção de Saint Remy e passarmos pelo hospital onde Van Gogh esteve internado numa de suas famosas depressões existenciais, quando ele se cortou a própria orelha durante uma de suas crises.  
À frente desse hospital, existe um monastério antiquíssimo. Belíssima construção medieval, cuja atração principal é um “Cloitre” lugar magnífico, florido de todas as cores, onde ele, Van Gogh, passava horas e horas meditando. Dizem que os freis tiveram muito a ver com sua melhora.
         Olhar, através das vidraças de seu antigo quarto de hospital, é uma emoção de arrepiar. Mas vc pode pagar um ingresso e ter acesso a uma réplica do quarto onde o pintor se recuperava na época, com seus objetos pessoais, mobília, pintura de parede, tudo como ele deixou.
         Uma vez no “centre ville” de Saint Remy, toma-se um bom café à sombra de um platanus, no Bar de Van Gogh, assim chamado por ser o bar onde ele se reunia com os amigos para pintar ou simplesmente relaxar após vir dos campos escolhidos como temas de suas pinturas.
         Marcas da civilização romana fazem-se presentes de quebra, como um presente, nesses mesmos caminhos, sem desvios, nem perda de tempo. É assim, que, de repente, na paisagem, duas colunas Romanas colossais... mais fotos. À frente, arqueólogos trabalhavam num terreno enorme e esburacado. Uma cidade inteira sendo desencravada. Apogeu dos conquistadores romanos: salas de banhos comunitários, anfiteatro,  mercado, escoadores de água...Tudo ali, à beira do caminho.
         Voltamos com o carro cheirando a ervas de Provence, as quais  aprendemos colher como os franceses, com cuidado, cortando sem retirar as raízes para que elas ainda cresçam ali se voltarmos um dia.
         Como não tivemos sorte de caçarmos um coelho da região, contentamo-nos com uns escargôs bem robustos catados no meio das ervas. Temperado por temperado...
         A Bientôt !!!!!

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