sexta-feira, 25 de setembro de 2020


 

Portugal III

         A caminho de Chagas, enjoei. Muitas curvas. Mas foi em Braga, a nossa parada turística. Queríamos ver as famosas escadarias da Igreja de Bom Jesus. Impossível fotografar, chovia a cântaros. Os mais de cem degraus divididos em lances que contavam a Via Sacra através de imagens sacras e inscrições, tiveram de ser trazidos em cartões postais. Percorremos tudo debaixo de incômodos guarda-chuvas (se é que algum guarda-chuva algum dia foi cômodo e prático).

         Antes de estar a caminho de Braga, a idéia de passar por Cantanhede, terra natal de meus avós paternos (Barradas, Sarraipo e Simões Patto), jamais me passara pela cabeça, não ousei aventar a possibilidade, propor aos demais participantes da viagem. Pensei em termos de Brasil continente, das grandes distâncias. Mas, eis que de repente, estacionados para tirar fotos de uns bois com chifres imensos, próprios daquele lugar, o pastor da manada nos contou estarmos atravessando Trás dos Montes, tantas vezes mencionado por minha vó Maria da Luz. Aí, eu disparei: “O senhor poderia nos dizer se Cantanhede fica muito fora da estrada para a cidade do Porto??” Ao que ele respondeu negativamente. Comecei a me animar. Na próxima parada num restaurante de estrada, ganhamos um mapa dos simpáticos donos e mais prestativas informações sobre Cantanhede. Diga-se de passagem, o humor dos portugueses, em nada lembra a austeridade dos outros europeus.

         Havia um enorme congestionamento na chegada a Porto. Madrid jogava com o time da cidade, o que explicava o caos do trânsito naquela noite.

         Pela manhã, fomos visitar a cidade. A chuva havia dado uma trégua, embora o céu permanecesse nublado. As estreitas ruelas, lembraram-me o Pelourinho, na Bahia. Roupas coloridas balançavam-se nos varais presos pelo lado de fora das janelas dos sobrados. Um ar de favela, familiar, com nomes hilários nas fachadas de botecos e pensões: “Buraco da Velha, Toca do Tatu, e tais”. Tudo nos lembrava do Brasil. Sorrisos nas bochechas vermelhas de bigodudas portuguesas vestidas de preto até os pés, homens bem humorados falando alto e fazendo piadas de tudo. Uma delícia quase brasileira estar entre eles. Mas não se assustem, estávamos percorrendo a cidade velha do Porto, que é, na verdade, a segunda cidade de Portugal, moderna e elegante. Meu avô Chico, que lá nascera, antes de ir para Catanhede ficar com a vovó, orgulhar-se-ia dela. As Igrejas? Lindas como as de Ouro Preto:Lapa, Gonçalo, Bom Jesus...

         As margens do Rio D´Ouro formam um espetáculo à parte com suas casas assobradadas refletindo nas águas mansas. Uma ponte gigantesca em ferro, corta o Rio na forma de um promissor arco-íris trazendo uma monumental inscrição onde se lê:” Porto Patrimônio do Mundo”.

         Atravessamos a ponte, e já em Vila Nova de Gaia, na Grande Porto, visitamos as cavas de vinho do porto “Ramos Pinto”

          Bem, mas aquilo que de interessante a guia nos contou sobre o cultivo das uvas desse tão famoso vinho... Ficará para um outro capitulo.

         Até breve!

 

 

Portugal III

         A caminho de Chagas, enjoei. Muitas curvas. Mas foi em Braga, a nossa parada turística. Queríamos ver as famosas escadarias da Igreja de Bom Jesus. Impossível fotografar, chovia a cântaros. Os mais de cem degraus divididos em lances que contavam a Via Sacra através de imagens sacras e inscrições, tiveram de ser trazidos em cartões postais. Percorremos tudo debaixo de incômodos guarda-chuvas (se é que algum guarda-chuva algum dia foi cômodo e prático).

         Antes de estar a caminho de Braga, a idéia de passar por Cantanhede, terra natal de meus avós paternos (Barradas, Sarraipo e Simões Patto), jamais me passara pela cabeça, não ousei aventar a possibilidade, propor aos demais participantes da viagem. Pensei em termos de Brasil continente, das grandes distâncias. Mas, eis que de repente, estacionados para tirar fotos de uns bois com chifres imensos, próprios daquele lugar, o pastor da manada nos contou estarmos atravessando Trás dos Montes, tantas vezes mencionado por minha vó Maria da Luz. Aí, eu disparei: “O senhor poderia nos dizer se Cantanhede fica muito fora da estrada para a cidade do Porto??” Ao que ele respondeu negativamente. Comecei a me animar. Na próxima parada num restaurante de estrada, ganhamos um mapa dos simpáticos donos e mais prestativas informações sobre Cantanhede. Diga-se de passagem, o humor dos portugueses, em nada lembra a austeridade dos outros europeus.

         Havia um enorme congestionamento na chegada a Porto. Madrid jogava com o time da cidade, o que explicava o caos do trânsito naquela noite.

         Pela manhã, fomos visitar a cidade. A chuva havia dado uma trégua, embora o céu permanecesse nublado. As estreitas ruelas, lembraram-me o Pelourinho, na Bahia. Roupas coloridas balançavam-se nos varais presos pelo lado de fora das janelas dos sobrados. Um ar de favela, familiar, com nomes hilários nas fachadas de botecos e pensões: “Buraco da Velha, Toca do Tatu, e tais”. Tudo nos lembrava do Brasil. Sorrisos nas bochechas vermelhas de bigodudas portuguesas vestidas de preto até os pés, homens bem humorados falando alto e fazendo piadas de tudo. Uma delícia quase brasileira estar entre eles. Mas não se assustem, estávamos percorrendo a cidade velha do Porto, que é, na verdade, a segunda cidade de Portugal, moderna e elegante. Meu avô Chico, que lá nascera, antes de ir para Catanhede ficar com a vovó, orgulhar-se-ia dela. As Igrejas? Lindas como as de Ouro Preto:Lapa, Gonçalo, Bom Jesus...

         As margens do Rio D´Ouro formam um espetáculo à parte com suas casas assobradadas refletindo nas águas mansas. Uma ponte gigantesca em ferro, corta o Rio na forma de um promissor arco-íris trazendo uma monumental inscrição onde se lê:” Porto Patrimônio do Mundo”.

         Atravessamos a ponte, e já em Vila Nova de Gaia, na Grande Porto, visitamos as cavas de vinho do porto “Ramos Pinto”

          Bem, mas aquilo que de interessante a guia nos contou sobre o cultivo das uvas desse tão famoso vinho... Ficará para um outro capitulo.

         Até breve!

 

 

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