Portugal II
Bem, onde
mesmo andávamos nós?? Ah! A caminho de Bragança, já em território Português. É
uma pequena cidade muito charmosa, onde começamos a nos deparar com a cara do
Brasil. Impressionante, como, ao pisar em solo português, você já se depara com
fortes semelhanças com o nosso país. Semelhanças, essas, que não passam pela
língua ali falada, já que temos muita dificuldade para entender um português
sibilando e comendo as vogais das sílabas. Se você não presta atenção no
contexto, nunca entenderá que “pru” possa ser aquela ave que matamos na véspera
do Natal. Constatei, então, o que dizia o Prof Gílio nas aulas da Pós,”
portugueses estão vindo ao Brasil reaprender a pronúncia de um português falado
num país onde, devido às interferências da colonização e a grande distância do
país de origem, desenvolveu-se mais devagar, e por isso mesmo, é muito mais
bonito e compreensível que o português de Portugal que continuou sua evolução
em disparada, sem interferências e galopando, guturalmente comendo as
palavras”.
Bragança,
estávamos em Bragança e eu escrevi tanto que só poderei lhes descrever a
pequena pensão onde pernoitamos: pequena, simples, cortininhas de chita
estampada no lugar das portas, cômodos mal divididos , escuros apesar de muitos
limpos e cuidados com flores perfumadas em velhos vasos... mas um BACALHAU ai
Jesus!!!!!!! O nome do prato? Bacalhau à Narcisa. No jantar, depois de
provarmos um vinho dos deuses, azeitonas ali mesmo do quintal, esquecemo-nos de
que havíamos rido muito do nome da pensão: “Internacional”, quando arregalamos
os olhos na enorme travessa que o garçon depositara sobre a mesa. Os nacos de
bacalhau nadavam em mais de dois litros de puro azeite de oliva, e sobre o
mesmo, uma farta camada de cebolas caramelizadas, dava água na boca.
Ficamos, os quatro no mesmo quarto, com o
banheiro no corredor e fui eu quem descobriu que para aquecer a água, tínhamos
de puxar uma cordinha encardida que descia do teto. Mas dormimos como anjos,
sublimados por aquele jantar celestial
Depois de
visitar o castelo onde as flores, que conhecemos como sapecas, avermelhavam os
jardins, tomamos o café da manhã com “bolas “, os nossos sonhos com creme aqui
do Brasil, e tomamos o carro rumo a Chaves. Ainda chovia, como choveu durante
toda viagem... mas... isso é assunto para outro capitulo.
Beijos e a bientot.

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