quinta-feira, 17 de setembro de 2020


 

Portugal II

         Bem, onde mesmo andávamos nós?? Ah! A caminho de Bragança, já em território Português. É uma pequena cidade muito charmosa, onde começamos a nos deparar com a cara do Brasil. Impressionante, como, ao pisar em solo português, você já se depara com fortes semelhanças com o nosso país. Semelhanças, essas, que não passam pela língua ali falada, já que temos muita dificuldade para entender um português sibilando e comendo as vogais das sílabas. Se você não presta atenção no contexto, nunca entenderá que “pru” possa ser aquela ave que matamos na véspera do Natal. Constatei, então, o que dizia o Prof Gílio nas aulas da Pós,” portugueses estão vindo ao Brasil reaprender a pronúncia de um português falado num país onde, devido às interferências da colonização e a grande distância do país de origem, desenvolveu-se mais devagar, e por isso mesmo, é muito mais bonito e compreensível que o português de Portugal que continuou sua evolução em disparada, sem interferências e galopando, guturalmente comendo as palavras”.

         Bragança, estávamos em Bragança e eu escrevi tanto que só poderei lhes descrever a pequena pensão onde pernoitamos: pequena, simples, cortininhas de chita estampada no lugar das portas, cômodos mal divididos , escuros apesar de muitos limpos e cuidados com flores perfumadas em velhos vasos... mas um BACALHAU ai Jesus!!!!!!! O nome do prato? Bacalhau à Narcisa. No jantar, depois de provarmos um vinho dos deuses, azeitonas ali mesmo do quintal, esquecemo-nos de que havíamos rido muito do nome da pensão: “Internacional”, quando arregalamos os olhos na enorme travessa que o garçon depositara sobre a mesa. Os nacos de bacalhau nadavam em mais de dois litros de puro azeite de oliva, e sobre o mesmo, uma farta camada de cebolas caramelizadas, dava água na boca.

          Ficamos, os quatro no mesmo quarto, com o banheiro no corredor e fui eu quem descobriu que para aquecer a água, tínhamos de puxar uma cordinha encardida que descia do teto. Mas dormimos como anjos, sublimados por aquele jantar celestial

         Depois de visitar o castelo onde as flores, que conhecemos como sapecas, avermelhavam os jardins, tomamos o café da manhã com “bolas “, os nossos sonhos com creme aqui do Brasil, e tomamos o carro rumo a Chaves. Ainda chovia, como choveu durante toda viagem... mas... isso é assunto para outro capitulo.

 Beijos e a bientot.

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