sexta-feira, 11 de setembro de 2020


 

Rumo a Portugal I

Após vários dias estudando o roteiro de viagem, partimos à Portugal. 5:15 da manhã, estávamos os quatro dentro do carro, temerosos pela chuva que caia a cântaros. Saímos com a esperança de ela seria passageira, mas após clarear o dia, às 8:30 h, descobrimos que aquele alagamento em Montengac poderia ser um prenúncio de mal tempo durante toda viagem. E foi. Aproveitamos a parada para esperar a inundação abaixar e tomamos um café da manhã.

         Estávamos cortando o norte da França até Lourdes, direção oeste. Desceríamos a Portugal pelo litoral, passando antes pelos países bascos da Espanha.

         10 h, já estávamos em Mirepoix, aquela cidade que eu já lhes descrevi, cujo mercado é todo construído pelas madeiras envelhecidas de 70 anos, lembram-se? Bem, comprei (pensés) amores-perfeitos, para oferecermos à Andrée e Claude, já que passaríamos em frente à casa deles. Cumprimentos rápidos, e voltamos à estrada. 13 h, gasolina e almoço. 16h, Lourdes.

         Chorei muito ao me ver na fila de fiéis dentro de corredores demarcados com fitas de isolamento, direcionando-nos à Gruta. Lá estava ela, cavada pelo tempo, dentro de rochas escuras e brilhantes. Eu não me contive, e, a cada passo rumo às pedras, a comoção aumentava. Chorei de soluçar quando me senti dentro daquele espaço que um dia recebera a presença de Nossa Senhora de Lourdes. Logo na entrada, do lado esquerdo, o lugar onde Bernadete, orientada por Nossa Senhora, orava, jejuava, tomava da água que ainda jorra na gruta, alimentando-se da relva que ali crescia, esperando as aparições. As pedras que serviram de altar para a presença da Virgem, já estão gastas pelas imposições das mãos e testas dos fiéis que não resistem e as tocam, enquanto passam por ali naquela fila quase ininterrupta de orações, choros e crença.

Retomei a fila várias vezes, chorando e rezando, pedindo pelas pessoas que eu amava aqui no Brasil, amigos, conhecidos, e estava sempre com a sensação de que precisava voltar porque havia me esquecido de interceder por alguém de quem eu havia me esquecido nas minhas preces.

Ao lado, a construção da Catedral subterrânea, atrai a atenção dos visitantes pelo seu tamanho descomunal, capaz de abrigar missas e procissões nos tempos de chuva ou neve. Após trocar algumas medalhas, santinhas com água de Lourdes, pernoitamos num hotel simples, mas aconchegante de uma coreana.

No outro dia de manhã, ainda em terras francesas, após duas horas de viagem, já tínhamos, então, atravessado completamente a França, desde o Mar Mediterrâneo, na nossa região, até Biarritz, onde paramos para tomar um lanche num Café cuja vista panorâmica, punha-nos de frente com o Oceano Atlântico. Só aí acreditei termos percorrido a França de ponta a ponta. E só ali, reencontrei praias de areia fina e ondas lindas como as nossas. A cidade me lembrou Monte Carlo, e as luxuosas mansões a caminho de Saint Jean de Luz pareceram-me a região de Saint Tropez na Cote d´Azur.

Entramos nos Pays Basques às 10 h., sempre au bord de la mer. Até Guetary, as casas são típicas com sacadas e enfeites em madeira, tudo pintado com cores fortes, berrantes mesmo. E depois de Saint Jean de Luz, chegamos à fronteira com a Espanha. Antoine comprou vinho.

Saint Sebastian... café em Tolosa... Burgo... almoço em Vailladolid...e já às 4:h da tarde, na N 620, paramos num posto de gasolina sem repararmos que a região era hostil a franceses. O garçon reparou a chapa do nosso carro e nos tratou muito mal. Quando perguntamos porque ele não parava de enxugar as mais de cem xícaras de cafezinho sobre o balcão para nos atender, e para que tantas xícaras expostas, ele disse que ele mesmo iria tomar café em todas elas e que esperássemos. Foi aí que meu cunhado, filho de espanhóis, compreendeu pelo sotaque dele, a descendência basca e lembrou ser ali, uma região perigosa para nós. Começou, então, a gritar como louco que gostaria que ele chamasse o patrão. Mas, empregado é empregado em qualquer lugar. O garçon tratou de abaixar o tom e repetiu várias vezes: Perdona me! Perdona me!

Depois de passarmos, sem parar, por Cigugñela, cidade dos pais de Robert, chegamos em Zamora, onde paramos para fotografar os ninhos de cegonhas nas torres das igrejas. Paisagens lindas nas estradas: muralhas medievais, pontes, castelos... Já era noite quando alcançamos terras portuguesas. Às 19 h, paramos em Bragança.

Bem, mas esse é um assunto para o próximo capítulo. Au revoir!!!

Rumo a Portugal I

Após vários dias estudando o roteiro de viagem, partimos à Portugal. 5:15 da manhã, estávamos os quatro dentro do carro, temerosos pela chuva que caia a cântaros. Saímos com a esperança de ela seria passageira, mas após clarear o dia, às 8:30 h, descobrimos que aquele alagamento em Montengac poderia ser um prenúncio de mal tempo durante toda viagem. E foi. Aproveitamos a parada para esperar a inundação abaixar e tomamos um café da manhã.

         Estávamos cortando o norte da França até Lourdes, direção oeste. Desceríamos a Portugal pelo litoral, passando antes pelos países bascos da Espanha.

         10 h, já estávamos em Mirepoix, aquela cidade que eu já lhes descrevi, cujo mercado é todo construído pelas madeiras envelhecidas de 70 anos, lembram-se? Bem, comprei (pensés) amores-perfeitos, para oferecermos à Andrée e Claude, já que passaríamos em frente à casa deles. Cumprimentos rápidos, e voltamos à estrada. 13 h, gasolina e almoço. 16h, Lourdes.

         Chorei muito ao me ver na fila de fiéis dentro de corredores demarcados com fitas de isolamento, direcionando-nos à Gruta. Lá estava ela, cavada pelo tempo, dentro de rochas escuras e brilhantes. Eu não me contive, e, a cada passo rumo às pedras, a comoção aumentava. Chorei de soluçar quando me senti dentro daquele espaço que um dia recebera a presença de Nossa Senhora de Lourdes. Logo na entrada, do lado esquerdo, o lugar onde Bernadete, orientada por Nossa Senhora, orava, jejuava, tomava da água que ainda jorra na gruta, alimentando-se da relva que ali crescia, esperando as aparições. As pedras que serviram de altar para a presença da Virgem, já estão gastas pelas imposições das mãos e testas dos fiéis que não resistem e as tocam, enquanto passam por ali naquela fila quase ininterrupta de orações, choros e crença.

Retomei a fila várias vezes, chorando e rezando, pedindo pelas pessoas que eu amava aqui no Brasil, amigos, conhecidos, e estava sempre com a sensação de que precisava voltar porque havia me esquecido de interceder por alguém de quem eu havia me esquecido nas minhas preces.

Ao lado, a construção da Catedral subterrânea, atrai a atenção dos visitantes pelo seu tamanho descomunal, capaz de abrigar missas e procissões nos tempos de chuva ou neve. Após trocar algumas medalhas, santinhas com água de Lourdes, pernoitamos num hotel simples, mas aconchegante de uma coreana.

No outro dia de manhã, ainda em terras francesas, após duas horas de viagem, já tínhamos, então, atravessado completamente a França, desde o Mar Mediterrâneo, na nossa região, até Biarritz, onde paramos para tomar um lanche num Café cuja vista panorâmica, punha-nos de frente com o Oceano Atlântico. Só aí acreditei termos percorrido a França de ponta a ponta. E só ali, reencontrei praias de areia fina e ondas lindas como as nossas. A cidade me lembrou Monte Carlo, e as luxuosas mansões a caminho de Saint Jean de Luz pareceram-me a região de Saint Tropez na Cote d´Azur.

Entramos nos Pays Basques às 10 h., sempre au bord de la mer. Até Guetary, as casas são típicas com sacadas e enfeites em madeira, tudo pintado com cores fortes, berrantes mesmo. E depois de Saint Jean de Luz, chegamos à fronteira com a Espanha. Antoine comprou vinho.

Saint Sebastian... café em Tolosa... Burgo... almoço em Vailladolid...e já às 4:h da tarde, na N 620, paramos num posto de gasolina sem repararmos que a região era hostil a franceses. O garçon reparou a chapa do nosso carro e nos tratou muito mal. Quando perguntamos porque ele não parava de enxugar as mais de cem xícaras de cafezinho sobre o balcão para nos atender, e para que tantas xícaras expostas, ele disse que ele mesmo iria tomar café em todas elas e que esperássemos. Foi aí que meu cunhado, filho de espanhóis, compreendeu pelo sotaque dele, a descendência basca e lembrou ser ali, uma região perigosa para nós. Começou, então, a gritar como louco que gostaria que ele chamasse o patrão. Mas, empregado é empregado em qualquer lugar. O garçon tratou de abaixar o tom e repetiu várias vezes: Perdona me! Perdona me!

Depois de passarmos, sem parar, por Cigugñela, cidade dos pais de Robert, chegamos em Zamora, onde paramos para fotografar os ninhos de cegonhas nas torres das igrejas. Paisagens lindas nas estradas: muralhas medievais, pontes, castelos... Já era noite quando alcançamos terras portuguesas. Às 19 h, paramos em Bragança.

Bem, mas esse é um assunto para o próximo capítulo. Au revoir!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário