sábado, 3 de outubro de 2015

Cartas da França LONDRES I

Esse artigo abre uma série de crônicas de viagens vivenciadas por mim e meu marido durante o tempo que moramos na Europa.
Matéria Prima, jornal taubateano, publicou-as, semanalmente, entre suas colunas, sob o título: Carta da França. 

LONDRES I

       Chegamos à Europa no dia 18 de agosto, justamente na época quando meus cunhados da França recebem do governo francês, um mês de “cura” como eles chamam. Essa cura é quase obrigatória e faz parte de um projeto social que abriga, durante um mês, as pessoas acima de 60 anos, nas cidades climáticas para um período de avaliação da saúde e atividades terapêuticas na área da fisioterapia. O programa abrange, indistintamente, os idosos de toda classe social.
  Portanto, como íamos ter tempo para ficar com eles, já que fazia parte do plano morarmos dois anos em Tarascon (França), decidimos fazer uma parada em Londres, após a escala em Bruxelas. Ficamos um mês chez Fernanda, a filha de Antoine. Fernanda estabelecera-se em Londres há vários anos. 
        Chegamos ao aeroporto de Stanted às 15h. Nanda, seu marido Carlos e o filho Gabriel nos esperavam. Uma de nossas malas desapareceu. A companhia Sabena com a qual viajamos, não só localizou e entregou nossa bagagem na casa da Fê, como nos reembolsou a mala que chegou “estourada”. Com a incidência de atentados em Londres, esse é um procedimento bem comum da fiscalização.
Típicas casas de tijolinhos vermelhos.
   A partir do momento que saímos do aeroporto, e atravessamos Stanted rumo a Londres, eu me apaixonei pela Inglaterra. Daí para frente, nada se compararia `aquela paisagem. Não sei se por ter sido meu portão de entrada na Europa, tudo naquele país, principalmente Londres, tem o poder de me tocar mais forte e é, até hoje, o meu país  preferido.Foi ali, a primeira vez que respirei a brisa fria da Europa em pleno verão, um  verão   quente, mas nada tropical. 
           O contato com a realidade dos castelos que pareciam sair das páginas dos livros infantis, as casas em tijolinhos vermelhos, o volante à direita dos carros, a austeridade do inglês e a loucura colorida de alguns de seus jovens...tudo era novo  e me marcaria para sempre.
       Imaginem o que foi para mim, no dia seguinte, 19, dia do meu aniversário, tomar um sub way e, após desembarcarmos,   enquanto a escada rolante subia conosco em direção à calçada da rua, saindo da luz fria para receber a claridade do sol, deparar-me, de repente, entre os raios da manhã londrina, algo monumental à minha frente, do outro lado da rua.
Big Bang
 Fernanda e Antoine  entreolhavam-se cúmplices, e olhavam para mim, antevendo minha reação. Entre a multidão apressada e indiferente, enquanto subia rumo à calçada, eu tentava acreditar na verdade daquele monumento que crescia à minha frente, enquanto o espaço de fora ia se destampando diante de nós. Uma vez na rua, o choque da surpresa, meu presente de aniversário estava ali. As pessoas esbarravam –se em mim e eu não os podia ver. Estava chorando aos pés daquela torre reluzente, dourada ao sol. Eu chorava, tentava enxugar as lágrimas, queria vê-la melhor, corri procurando um novo ângulo, não queria o sol atrapalhando... Meu marido me pedia calma. Mas eu não podia me acalmar. Era ele,  o Big Bang da capa do meu livro de Inglês “Speack english by Speacking”, adotado pelo Prof. Smith no meu Olegário de Barros.
Em frente a Herold´s



Depois, nesse mesmo dia, Trocadero, Picadilly, Buckhum, Parque Saint James, Troca da Guarda, passeio de barco pelo Tâmisa.
Para fechar o meu aniversário, jantamos num restaurante indiano, comum em Londres como as pastelarias chinesas no Brasil.
Bem, mas continuarei a passar minhas impressões sobre Londres, na próxima série de artigos se o filho da Dona Jupira, e meu amigo, assim o permitir.
Bye, bye!




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