Flutuo acima dos telhados
Que escondem a doideira do mundo
E adivinho abaixo do que não vejo
A vida que fervilha indiferente
Ao que sinto na sacada fria
Em solitário sentimento de existir
...Só... no mundo de telhados cinza
E pombos barulhentos de cio e fome
De gente que segue o rumo do nada
Lá embaixo... pequenos demais
Como brinquedos á corda
Uma fé fingida num sino rouco
Que se envergonha de soar num infinito
...De nadas e vazios mofados
Eu só não sei o que eu faço da serra
Que teima seu entardecer amarelo
Onde meu coração se acelera de vida
E quer buscar no colorido do horizonte
O esquecimento desses incógnitos telhados
E tentar um dia compartilhar
do aconchegante sentimento do acreditar.
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