quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Londres IV ( do meu livro: Cartas da França -crônicas)


Londres IV
Do meu livro de crônicas "Cartas da França"
Publicadas como artigos semanais do mesmo nome do Jornal Matéria Prima


Pensei em mudar de assunto, mas minha paixão por Londres é tanta, e somando-a ao incentivo dos amigos e de desconhecidos que me param nas ruas para comentar também seu interesse, volto a lhes passar algumas impressões sobre as paisagens saxônicas.

         Navegar o Rio Tâmisa num passeio turístico que nos leva a observar a cidade de um outro ângulo, é
programa obrigatório para quem está em Londres. Ao ritmo lento do barco, vamos apreciando as pontes artisticamente construídas, das quais a mais bela, a Tower Bridge parece uma caixinha de música sobre uma penteadeira. Passar por debaixo dela é indescritível. Do seu lado, o castelo da Torre, onde estão guardadas as jóias da Rainha e o tesouro da realeza. Em uma das margens, a visão do Parlamento e do Big- Ben também passa por nós como em câmera lenta, inesquecível.











Buckinghum de Diane, Charles, Monica, Rainha Elizabeth...



No meio do nada, recolha o coco do seu cachorro


Descrever as estradas até Walles 
(País de Gales) não será fácil. Montanhas cobertas por ciprestes rasteiros e floridos, dão à paisagem, um bucolismo lilás arroxeado, tom das flores que contrastam com a terra arenosa e branca do lugar. Ovelhas e pastores completam a cena de um céu escuro de nuvens rápidas lembrando o quão perto estávamos do céu. Os bread-breakfast se sucedem num serviço doméstico e acolhedor, quando os próprios donos de grandes casarões medievais, compartilham com os turistas o seu modo de vida a preços convidativos, o que lhes permite manter as dispendiosas propriedades. Ficamos num desses, perto de uma igreja em ruínas (Church Streaton).











Em se tomando a linha azul Picadilly, e descendo na estação de Knight Bridge, sairemos em frente à Harold ´s , cujo nome diz tudo, não é? Os vendedores de seus cinco andares que tomam quase todo quarteirão, costumam se gabar dizendo: “ Peça um elefante e iremos buscar”. Referindo-se à complexidade e variedade de produtos ali encontrados à venda.








Greenwich, o marco zero do mundo. Para se chegar ali, atravessamos, a pé, um túnel de 500 metros sob o Rio Tâmisa.Lá está ele, em meio a um jardim, bem demarcado com faixas escuras, num muro não muito alto, pano de fundo para fotos de turistas que registram a linha divisória do mundo, dividindo-o como duas metades de uma mesma laranja.

As bibliotecas estão por toda parte num país onde se lê em qualquer situação: no metro, nos jardins, nas ruas, nos ônibus, nos cafés...Nada de conversa numa viagem de metrô, apenas livros abertos sendo devorados pelos passageiros. Jornais e revistas lidas, são deixadas nos lugares, a fim de outras pessoas possam lê-los. Ninguém os levam, podem servir a outros que chegam depois.
Nenhum cobrador nos metrôs ou em outros coletivos. Mesmo assim, ninguém os toma sem comprar seu bilhete, porque, se alguém for pego, em alguma esporádica “batida” surpresa, é retirado da condução no mesmo momento e levado à delegacia. Eu e o Antoine presenciamos uma jovem sendo retirada do trem em Leiscester.

Banheiros públicos não faltam. Os deficientes físicos são lembrados e têm preferência e livre acesso em todos os lugares 






 Civilização, beleza, glamour, tudo nos enche a alma em Londres, até comer um “sanduba “ nas escadarias da Catedral onde Diana se casou.

Na travessia do canal da Mancha, de Dove a Calé, já na França, foi esse só meu pensamento:voltar, voltar, e voltar.

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